sexta-feira, 14 de julho de 2017

Epitáfio

Em meu repouso final não quero flores
Quero os corações amigos em reunião
Quero que me escrevam em uma canção
Nos poemas de amor e solidão

Aqui jaz a última das românticas
Que pelos sonhos viveu
Mas que na vida se perdeu

Aqui jaz a poetisa calada
A sonhadora inveterada
Numa terra onde sonhos não são nada

Se foi sem conhecer da vida
As alegrias tão prometidas por Deus
E o amor tão desejado para si

Foi árvore sem frutos
Foi pássaro sem ninho futuro
Da vida sai sem nada deixar

E quando me escreverem poemas e canções
Não deixem de anotar
"Morreu de tanto amor
Sem ninguém para doar"

terça-feira, 4 de julho de 2017

Noite de tormenta

Tenho medo da noite
Medo de fechar os olhos e me afogar
Presa em um caixão sem ar
Lutando para me libertar

Tenho medo da noite
Sufocada em pesadelos, tento acordar
Me ergo e grito
Meus olhos cerrados permanecem

Eu luto contra a noite
A noite me aprisiona com braços de ferro
Me debato e choro
Não sei mais o que é real

Tenho medo da noite
Tenho medo de mim
De não saber o que é real ou não
De um loop eterno de agonia

O dia parece não chegar
A noite me prende, me sufoca
Busco forças para acordar
Acordo num sonho que parece não acabar

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mais perto da igreja. Mais longe de Deus

Por todos os lados, vejo pregadores
Pessoas com Bíblias na mão e versículos decorados
Gente que se diz religiosa e prega belas coisas

Mas essas mesmas pessoas são as que amaldiçoam
As que se afastam do irmão em necessidade 
Porque a Bíblia é mais importante
Porque o templo é mais sagrado

E o irmão em necessidade?
Vira o pó no sapato
O ignorado
O esquecido

Jesus pregou no templo enquanto criança
Quando adulto, preferiu as ruas e montes
Preferiu estar ao lado de prostitutas e ladrões
Preferiu a companhia dos desvalidos aos velhos sacerdotes

Porque as igrejas são impregnadas de preconceitos
As igrejas não se aproximam dos irmãos
Elas são imóveis e esperam que nos cheguemos até elas
E tão imóveis quanto as construções de igrejas
Tornam-se os membros da mesma

Pessoas cheias de conceitos
Com belas, sábias e decoradas falas
Mas com pouca compaixão pelos exilados
Pelos derrotados
Pelos pecadores

Quanto mais perto da igreja estão os fiéis
Mais longe estão dos ensinamentos de Deus.
Porque Deus não criou os templos
Deus não está nos muros de pedra

Deus nao escreveu linhas para serem repetidas
Não deu lições para realizar provas
Deus não desceu para falar com as pessoas
As pessoas que cospem ensinamentos pela boca de Deus

E se Deus existe, existe apenas na compaixão
Existe dentro de mim e de você
E cada vez que você me agride ou eu agrido você
É a Deus que agredimos

A divindade não está no céu.
Está na terra
Está nas águas
São eles que nos nutrem
E nós os destruímos

Já estive em muitas igrejas
Já vi muitas denominações
Encontrei muitos cegos pelo caminho
E estes cegos pisam naqueles que não enxergam sua "luz"

Cansei de religiões
Cansei de velhas escrituras
Cansei de ver belos ritos nos muros de pedra
E pedras nos ritos do mundo

Talvez me afastando da igreja
Talvez me aproximando do meu irmão em necessidade 
Talvez aí eu encontre o verdadeiro Deus.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

As mil faces de mim

Dentro de mim mora uma e um milhão
Uma doce criatura que ama acolhe e cuida
Uma agressiva e revoltada mulher com fogo nos olhos
Uma estudiosa e compenetrada observadora

Dentro de mim mora uma e um milhão
Recatada e sensível
Fogosa e cruel
Ardente como fogo
Fria como gelo

Dentro de mim mora uma e um milhão
A amiga presente
A infame e eloquente
A doce seda
A áspera cortiça

Dentro de mim mora uma e um milhão
Aquela que se refugia no bom senso
Que segue os bons costumes
Mas que clama por ser livre das convenções
Que se despiria de toda hipocrisia humana se lhe fosse permitido

Sendo pele nua
Sendo natureza em Flor
Sendo o ID que o ego reprime
Leoa, tigresa, rugindo e provocando temor

Dentro de mim mora uma e um milhão
A fera sedenta de liberdade
A coruja que observa a realidade
A Flor que enfeita a paisagem
E a grama que apenas serve de pastagem

Um milhão de mim não cabem em um só corpo
Não suportam apenas uma existência
Não se conformam em serem uma só alma

Um milhão de mim
Cada uma desejosa de tomar o trono
Cada voz de comando que rodopiam no meu cérebro
"Faça isso"
"Não faça isso"
"Você vai se sentir melhor"
"Você vai se envergonhar de si"

Entre o "você é fraca" e o "você tudo pode"

Em mim mora uma e um milhão
E nesses milhões de mim, tento ser una
Unida nas mais contrastantes faces de mim

domingo, 4 de dezembro de 2016

A Fibromialgia e Eu: Relatos de Uma Vida de Luta e Dor

'Estava eu completando 9 anos de idade. Ainda uma criança típica do início dos anos 90, um mundo sem internet, sem smartphones e cuja diversão eram brincar de bonecas e assistir televisão. A informação era bem menor e mais lenta, mas éramos felizes assim.

Mas o destino quis apressar minha puberdade. A Menarca, os pelos e os seios e um corpo de moça numa cabeça de criança. E foi quando tudo começou.

Meses depois, dores pelo corpo. Principalmente articulações de joelhos e cotovelos. Demorar a levantar da cama se tornou hábito, pois as dores impediam. Dias frios pioravam tudo. Até que um dia, após assistir um filme na TV, o pânico toma conta. Tento levantar, mas não consigo. A dor é muito intensa. Tento me apoiar nos braços e forçar meu corpo a se erguer. A dor se espalha da palma das mãos até os ombros. Não consigo me levantar. Uma menina de 9 anos que não consegue se levantar da cadeira. Imagine o pavor...  "E se eu nunca mais conseguir andar?"

Quase chorando, acordo minha mãe que dormiu no chão, perto do sofá, enquanto assistíamos o filme. Digo que não consigo levantar. Estou com febre e dor. Chego na emergência ainda com as pernas dobradas e o provável diagnóstico é "Febre Reumática". Baterias de exame descartam essa hipótese. As dores vem em ondas. Uns dias maiores, uns dias menores.

Passam-se os anos. Faço jazz e ballet. As crises são menos intensas, mas ainda afligem. Consultas com ortopedistas, reumatologistas, idas às emergências, exames e mais exames. Febre Reumática, Reumatismo, Lúpus. São nomes e hipóteses. Todos descartados. No olhar dos médicos, descrença. Será que minha cabeça está inventando essas dores? Elas são bem reais para mim. Mas os médicos não parecem acreditar.

20 anos se passam na incerteza. A dor já é companheira. Aprendo que na crise, o melhor a fazer é enfaixar a parte dolorida. Usar emplastros, pomadas e sprays. Alguns até de uso veterinário. A chamada "pomada da vaca". Consultas até no centro espírita. Rendendo boas piadas de "joelho meteorologista", pois anuncia a chuva quando o céu parece limpo. "Tira a roupa do varal Ana. Vai chover." "Vai nada. O céu tá limpo." Minutos depois, "eu falei...".

Até que um dia, uma médica clinica me traz um nome. Essa médica é minha mãe. Chega com o nome da "nova doença que muita gente está aparecendo com ela". FIBROMIALGIA. Pela primeira vez em 20 anos, minha doença tem um nome. Não era invenção da minha cabeça. Não era loucura. Não era mentira. Existe e atinge principalmente mulheres.

Eu sei, não tem cura. Será minha companhia até o fim dos meus dias. Uns dias com mais e outros com menos dores. Mas ela não me domina. Não é dona de mim. Não irá me castrar jamais. Não deixo de trabalhar, não deixo de sair e me divertir. Não deixo que ela me vença. Hoje eu sei quem ela é. Estudei tudo sobre ela. Ela não me engana. Umas batalhas ela até vence. Mas meu espírito, ela não terá jamais.

Muitas pessoas sofrem hoje do mesmo mal. A Fibromialgia é uma das causas da ansiedade e depressão de muitas mulheres nos tempos atuais. Que ainda sofrem com a descrença e com a falta de um diagnóstico rápido. Muitas se aposentam. Muitas não tem qualidade de vida. Não há cura, nem tratamento específico. Tudo é apenas paliativo. 

O diagnóstico é feito por exclusão. As causas são indeterminadas. O tratamento consiste apenas em controlar os sintomas. Meu cérebro faz isso comigo. Ele me prega essa peça. Ele manda sinais de dor, através dos meus neurônios e nervos, diretamente para o meu corpo. E será para sempre assim.

É uma luta diária. Alguns dias, parece que vamos perder. Que não faz sentido lutar. Que ela é mais forte. Mas o Sol chega e aquece. E a dor diminui. Eu vejo o sorriso de uma criança e brinco com ela. E a dor está lá. Mas não importa. Ela não tira a minha felicidade naquele momento. Eu toco violão e canto, estudo guitarra. Todo o meu corpo dói. Mas o amor pela música me faz continuar. Mais uma vez, a Fibro (como eu costumo chamar) é derrotada. Pq eu não desisti.

Assim é a vida de uma pessoa com Fibromialgia. Já se passaram 25 anos. Que venham 30, 40, 50. Enquanto houver vida, viverei. E ela estará sempre ali. Minha luta não termina. Mas ela não me vencerá.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Hidra de Lerna: Porque eu não grito "Fora Temer"


A Hidra de Lerna é um monstro da mitologia grega. Dotada de um corpo de dragão e três cabeças de serpente, a Hidra era filha de Tifão e Equidna. Conta a lenda que, cortada uma de suas cabeças, nasciam duas no seu lugar. Matar a Hidra foi o segundo dos 12 trabalhos que a deusa Hera impôs à Hércules. Ao perceber que, em se cortando uma de suas cabeças nasciam duas em seu lugar, Hércules pediu que Jolau as queimasse com um tição logo após serem cortadas para que cicatrizassem no ato. Assim, lhe foi possível derrotar o monstro.


A Hidra era tão venenosa que apenas seu hálito era capaz de matar um homem. Após cortar e cauterizar cada cabeça, Hércules arrancou a última que era considerada imortal e a enterrou debaixo de uma grande pedra. Assim, matou o monstro definitivamente.

Assim como a mitologia grega, a política é formada de enormes monstros venenosos. Retirar um de seu cargo é como matar uma Hidra. Corta-se apenas a cabeça, porém nascem duas em seu lugar. O impeachment é uma ilusão. Pois não matamos o monstro da corrupção. Apenas recriamos mais 2 ou 3 corruptos no lugar.

A PEC proposta pelo governo federal é uma afronta à Constituição Federal, promulgada em 1988. Porém, a PEC apenas foi proposta por Temer e seus ministros. Quem votou e aprovou foi a câmara e o senado. Então retirar Temer vai extirpar o problema? Não acredito em tal afirmação.

Daqui a 2 anos, no mínimo metade dos deputados federais estará renovando o seu mandato. Também muitos dos senadores estarão sobrevivendo aos protestos. Por que Temer é o único que deve sair? Por que os Renans, Collors e afins continuam no poder? Quem realmente fala pelo povo?

O povo não sabe votar. Quando elegeram Dilma, deixaram que ela governasse sem base. Bem verdade que o povo já estava farto dos escândalos Petistas. Mas que solução tão absurda votar na candidata "menos ruim" e deixá-la sem aliados. Sem falar que quem votou em Dilma, votou em Temer. É bom refletir sobre os vices dos seus candidatos. Afinal, somos mortais. E quem assume nas viagens, nas ausências e numa eventual morte?


Corte a cabeça e veja que nascem duas em seu lugar. E daqui há 6, 8 ou 12 anos, veremos antigos inimigos juntando as mãos e firmando mais um reinado de hipocrisia. Porque é assim que se faz política neste país. Eu asseguro o meu. Eu dou um pouco aqui e ali para os pobres. Encho suas barrigas de pão e farinha para inchá-los, jogo música podre de graça nas praças, mas não convido-o para o grande banquete. Da pizza, apenas a borda seca. Do delicioso manjar, apenas taça para se lamber. Da bela safra de vinho, o vinagre.

Acreditamos mesmo que existe um salvador. E lhe damos a capa, o cetro e a coroa de louros. E ele está lá em cima do palco, do palanque, do altar. Acima de nós. Rico, fino, cheio de regalias. E nós continuamos pastando. E se daqui há 2 anos ele nos desagrada, gritamos FORA. E vem outro em seu lugar para perpetuar a nossa sina de gado.

Existe então cura para este mal? Sim. Hércules nos ensinou. Corte as cabeças, todas elas. Cauterize-as. Quando restar apenas a última cabeça, que não é imortal na realidade, corte-a e enterre-a debaixo da mais pesada pedra que encontrares. E o que significa toda essa fábula?

As cabeças são vereadores, deputados estaduais, federais e senadores. Corte-as e sobrará um presidente solitário. Um governo ingovernável. Um lobo solitário. Então sim, podemos gritar Fora Temer. Assim podemos realmente fazer a mudança. Mostrando que a força está no povo. E que os governantes devem trabalhar pelo povo e para o povo.

Pensemos...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Não pense em crise. Rebele-se!!!

A juventude brasileira tem sido apática há décadas. Traumatizada pela ditadura. Desesperançada pela corrupção. Torturada pelo consumismo. Cega pela falta de orientação educacional.
Mas como se formam líderes? Como se muda um país? Como se renova um sistema?

A juventude hoje confunde política com partidarismo. Se você defende "fulano", é porque luta contra "sicrano". Mas política e partidarismo não são sinônimos. Não adianta lutar contra a corrupção deste e defender a daquele. Não são siglas de partidos que formam uma sociedade justa. É a luta pelo bem comum. Comum, ou seja, que atinja a todos. Sem distinção do cor, credo ou classe social.

O Brasil está doente. Em fase terminal. Possui um câncer chamado corrupção, com metástases na hipocrisia. A corrupção do menor que "cola" na prova porque não estudou. Do jovem que frauda a carteira de identidade para comprar bebida, cigarro ou entrar numa boate. Do adulto que suborna o guarda para não levar multa. Do empresário que faz acordos bilionários com políticos para beneficiar sua empresa em licitações. Dos políticos que usurpam milhões da nação em benefício próprio.

E então a nação quebra. Vai para a UTI. A solução prevista é a quarentena do trabalhador. Quarentena de 20 anos. A geladeira econômica. A era glacial da educação, da saúde e das políticas públicas. E enquanto isso, os juízes não podem "se envergonhar" de pedir aumento. Porque é "justo" reajustar os milhões de acordo com a inflação. Mas não é justo ocupar escolas por uma educação de qualidade. Não é justo o professor universitário fazer greve por melhores salários. Não é justo que o povo se revolte pelos políticos terem tantos auxílios em cima de seus proventos já tão elevados.

Mas a política é partidarismo. Pois ontem quem era "cara pintada", hoje abraça aquele que lhe roubou. Ontem a jovem que bateu panela e foi às ruas, hoje paga uma fortuna para fraudar o ENEM. Ontem quem era o "pai dos pobres", hoje é réu. E como ficamos todos? E que lição nos foi dada? Salve-se quem puder. Se o barco virar, eu já tenho minha bóia. Cada um que procure a sua.

E os "homens de Deus" limpam seus cofres. Fecham seus templos. Se refugiam das bombas. E os fiéis são esmagados pelas ondas. São jogados contra as pedras. Afogam-se na desesperança.

Os demais são gado. Seguem pastando, ruminando. Seguindo o curso do rebanho. Sem se dar conta de que está pronto para o abate.

Esta é a juventude que criamos. Que seguem líderes cegamente. Que não percebem que estão sendo apenas uma engrenagem de um sistema viciado, doente, inerte. Em que se mudam as peças do xadrez. Mas o xeque-mate é sempre dos poderosos.

Não pense em crise, trabalhe. Trabalhe contra a injustiça. Trabalhe contra o conformismo. Trabalhe em favor da renovação. Trabalhe para que todos saibam que nós somos o poder deste país. Trabalhe duro para extirpar o câncer em sua raiz. Não apenas do grande corrupto. Mas de cada participante desta sociedade enferma.

Trabalhe, se ocupe. OCUPE!!!

Ocupe escolas e universidades. Ocupe a câmara. Ocupem as ruas. Ocupem as praças, palácios, esquinas. Se ocupem em lutar pelos seus direitos. De brigar pelos seus ideais. Se ocupem em formar novas mentes, voltadas ao trabalho, às artes, à educação. Se ocupem em lutar por um país justo para todos. Inclusivo. Próspero. Pacífico. Forte. Unido.

Somos todos uma mesma nação. Não podemos deixar que ela se dissolva em egocentrismos e partidarismos. Vamos lutar por um futuro digno para todos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A Flor Isabella

Num dia de Sol
Nasceu a Flor mais bela
Podia ser cravo, podia ser rosa
Podia Margarida ou Angélica
Mas o destino preferiu Isabella

Com sorriso maroto e face singela
Séria e pensativa
Como se fosse fazer uma "trela"
Explode num riso sincero
Que é característico só Dela

Colhe inocentemente flores no jardim
Sem perceber que fincou raizes no meu coração
Acaricia meus cabelos como um anjo
E perfuma minha vida como jasmim

Da seus primeiros passos na vida
Olha curiosamente o mundo
Enxerga com a inocência
Este universo tão obscuro

É a esperança que nasce
No jardim da vida e do meu coração
É a luz divina
Materializada em nossas mãos

Bela Isabella
Menina do meu coração
A tia te ama muito
Que chega a ser imensidão

Imensidão que não finda
Que cresce como gramíneo
E invade como orquídea
Fincando raizes
No fundo do coração

Minha Flor querida
Seja sempre Bella
Cresça como as altas palmeiras
Mas não perca o perfume nem o doce
Permaneça com esse sorriso maroto
Que tanto me alegra

Seja sempre a bela Flor
Que como perfume de rosas
Flutua no vento
Com um canto suave
Que sussurra "Isabella"

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Lágrimas

É tarde
Tarde para mudar o que fiz
Tarde para me conter
Tarde para chorar

À tarde, rego as plantas
Rego-as de lágrimas
Lágrimas solitárias
Lágrimas solidárias

Pela manhã, lágrimas se formaram em gotas
À tarde em rios
À noite em cachoeiras

Lágrimas e mais lágrimas
Regando as frontes e travesseiros
Cobrindo de rubor a face e os lábios
Tornando os olhos pesados e inchados

Quantas lágrimas cabem em mim?
Quantas cabem dentro de nós?
É um rio perene que não finda?
É fonte inesgotável este sofrer?

Oh, lágrimas minhas
Me façam desfazer-me junto a ti
Me torna água e me deixe escorrer pelos rios
Torne-me a Ariel de Andersen

Faz-me espuma
Na imensidão do mar azul




sábado, 1 de outubro de 2016

Música: poesia de sons e silencio.



Música, poema de sons e silêncio
Tradução sonora da alma humana
Música que cura, que sara
Música que inspira e afaga

Dos fortes acordes de Beethoven ao silêncio de Cage
Da calma de Jobim ao peso de Osborn
Da doçura na voz de Nara à força de Elis
Da poesia trovadoristica de Renato ao Rap político de Sabotage 

O que é música, senão alma?
O que é música senão amor?
O que é música senão dor?
O que é música senão felicidade?

Música é a transcendentalidade do inconsciente humano
Música é a humanização do ruído
Dos batuques africanos que pulsam no coração.
Dos cantos indígenas que exaltam a natureza

A música permeia o mundo
Está no barulho do mar
No som dos ventos
No canto dos pássaros

A música está nos amantes que se enlaçam
Nos joelhos dobrados que rezam
No corpo que baila
Nos olhos que choram

Música que reflete a dor
Música que define a sociedade
Música que faz dançar
Música que nos permite sorrir

Esta é a essência da música
Ser a alma descrita em Söns
Os medos e os desejos
Música é a arte dos amantes.

Parceiro: Casa da Musika

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A música ajuda ex-ginasta a voltar a respirar

O ano de 2014 começou tenebroso para Laís Souza. Atleta da ginástica artística, integrante da seleção brasileira, se preparava para competir nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia. A modalidade era o esqui aéreo. Porém, durante os treinamentos em Salt Lake City, ela perde o controle durante uma descida e bate contra uma árvore.


Têm-se início um pesadelo. Com uma lesão na vértebra C3, na cervical, ela recebe o terrível diagnóstico de tetraplegia, ou seja, paralisia do pescoço para baixo. Devido à lesão, foi preciso realizar uma traqueostomia, procedimento cirúrgico em que um tubo de ventilação é posto na traqueia do paciente para que este possa respirar.

Em lesões do tipo, é comum que o paciente tenha de passar a vida em respiração mecânica. Porém, a força de vontade de Lais e a ajuda da música, fortaleceram os pulmões da atleta e permitiram que ela pudesse voltar a respirar normalmente.

"Eu odeio fazer exercício respiratório, e os exercícios que me passaram no hospital era chato. Teve um dia que eu resolvi, 'vamos botar um monte de música e ficar cantando'. E nesse dia eu fiquei cantando por umas 3 horas seguidas. E na última hora, meu oxigênio já tava em 100%", conta Laís.

Uma música em particular se tornou a "trilha sonora" da recuperação de Laís. A música "Encostar na Tua" da cantora mineira Ana Carolina, foi uma das mais incentivadoras para a ex-ginasta.

O canto trabalha diversas funções, sendo a respiratória uma das principais. No caso de Laís, não apenas ajudou a fortalecer os músculos da respiração, como também serviu de exercício para outras funções, como a deglutição e a fala, uma vez que o mesmo trabalha com pulmões, articulação de sons e movimentos de lábios e língua.

Hoje Laís vive um dia de cada vez, lutando para recuperar os movimentos de braços e pernas. Sempre embalada pelo poder da música música.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

http://globoplay.globo.com/v/3837360/

http://globoesporte.globo.com/olimpiadas-de-inverno/noticia/2014/03/fantastico-lais-souza-canta-recorda-acidente-e-mostra-forca-no-tratamento.html

http://esporte.uol.com.br/esportes-de-inverno/ultimas-noticias/2014/03/23/lais-revela-sonho-de-andar-e-conta-como-musica-a-ajudou-a-respirar.htm

https://esportes.terra.com.br/jogos-de-inverno/lais-souza/


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Dia Mundial do Rock


O dia 13 de julho de 1985 foi uma marco histórico para a música mundial. Um grande festival foi realizado nesta data, como parte de uma campanha contra a fome no mundo, especialmente na Etiópia.

Organizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, o show aconteceu simultaneamente na Inglaterra, No estádio de Wembley, e nos Estados Unidos, no estádio J.F. Kennedy. Contando com um elenco de diversos artistas, como Paul McCartney, Phil Collins, Beach Boys, Queen, The Who, Led Zeppelin, Madonna, Mick Jagger, Joan Baez, David Bowie, entre outros, o show foi televisionado ao vivo, via satélite para diversas partes do mundo.


Pelo seu grande alcance e por sua importância em divulgar e lutar contra a fome na Etiópia, Phil Collins sugeriu que a data do show, 13 de julho, fosse considerada o dia mundial do Rock. Muito embora, essa data não seja oficialmente considerada como o dia do Rock, no Brasil, na década de 90, passou-se a divulgar desta forma, sendo abraçada pelos ouvintes, de forma que é uma data comemorada apenas no Brasil.


Parceiro: Casa da Musika


http://img.vmensagens.com/dia-do-rock/7.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_mundial_do_rock
https://www.theedgesusu.co.uk/wp-content/uploads/2015/07/live-aid.jpg
http://ichef-1.bbci.co.uk/news/560/media/images/78999000/jpg/_78999011_bandaid_get.jpg



terça-feira, 26 de abril de 2016

Cuspe na cara: seus filhos aprenderão

É lícito agora a agressão pública. Cuspir na cara de um adversário político ou de um casal em um restaurante é endossada pela população. É comemorado aos quatro cantos a agressão, a falta de educação. É justificada pelos erros dos outros.

Sem entrar no mérito do porquê da agressão, é esse o legado que devemos deixar para nossos filhos? Que está tudo bem em cuspir na cara do outro por não concordar com ele? Ou que devemos pagar uma agressão na mesma moeda?

Gandhi falava que o olho por olho apenas deixa o mundo inteiro cego. Jesus Cristo dizia que devemos oferecer a outra face. Martin Luther King Jr. se negava a reagir violentamente quando era agredido. Mas nós endossamos o cuspe de Jean Wyllys ou de José de Abreu. Porque nossas convicções políticas validam esses atos vergonhosos.

Eu já levei cuspe na cara uma vez. Devia ter 10 ou 11 anos. O motivo? O garoto simplesmente não ia com a minha cara. Estava sentada em cima de um carro, o garoto passou e me cuspiu, assim do nada. O que fiz? Absolutamente nada. Não valia a pena revidar. Usar fogo contra fogo. Não que eu nunca tivesse desejos de partir para cima dele. Mas de que isso ia me adiantar? Me tornar igual a ele? Não, eu não queria isso.

Da mesma forma, não quero ver meus filhos agindo assim. Cuspindo, agredindo verbal ou fisicamente outra pessoa. Por mais que esta mereça. E depois do cuspe, o que virá? O grito? Depois do grito, o soco? Depois chutes? E onde isso acaba? Em tiro?

Agredir nunca foi a solução. Violência apenas gera mais violência. Se perde a razão. Por mais nobre que seja a causa, ela se perde se você cede à brutalidade. E quando vermos nossas crianças agindo brutalmente umas com as outras, vamos refletir sobre os modelos que apresentamos a elas.

O que você quer para os seus filhos?

quinta-feira, 17 de março de 2016

O golpe dos golpes

Esta sou eu quebrando o silêncio.
Em meio às discussões políticas, mais similares a fanatismos e psicoses, me calei por acreditar que de nada valia prejudicar relacionamentos pessoais por meros conceitos e divergências neste ramo.

Pois bem, após eleições controversas, embates em redes sociais e protestos de parte à parte, resolvo voltar a postar sobre política neste blog. Uma vez que percebo que a nossa inquietude está atingindo níveis perigosos. Níveis que nos fazem agir mais uma vez pela emoção e não pela razão. Momento em que políticos, juízes e partidos são elevados à categoria de deuses. Em que a obrigação é vista como ato de heroísmo.

Acredito que tivemos a confirmação de que vivemos em uma ditadura disfarçada. Em que um fantoche ocupa a cadeira de chefia, enquanto por trás, um ventríloquo manipula as ações. E com o aval do nosso povo passional, que ama a idolatria aos populistas. Que se comove com cada imagem terna de uma criança negra e pobre sendo acariciada por seu "Messias". O "salvador". O "Sassá Mutema" da nossa geração. O Fidel Castro da nossa pseudo democracia presidencialista.

São tempos em que permitimos a corrupção em troca de pequenas bolsas em universidades ou míseros "trocados" para aplacar nossa fome. Enquanto rios de dinheiro se esvaem dos cofres públicos, nossa saúde, educação e segurança também escorrem de nossas mãos. Nossos direitos nos fogem como plumas em uma ventania. Nosso direito a uma aposentadoria justa nos é tirado, pois a contribuição que geramos com tanto esforço em 30 anos de trabalho árduo não consegue suprir o escoamento cada vez mais absurdo do nosso investimento.

Tudo isso tem o nosso aval. Que demos com nosso voto. Que endossamos cada vez que defendemos a bancada corrupta, com a desculpa de que vão prender este, mas não aquele. E por que defender este então? Por se sentir grato pelo pedaço de pão que ele lhe deu? Enquanto ele se refestela com caviar? Até quando vamos rastejar por migalhas.

Ando nas ruas, em ônibus lotados. Do alto da minha pseudo hierarquia social, vejo pessoas dormindo nas ruas. Comendo de latas de lixo. Foi assim que se deu fim aos miseráveis deste país? Escondendo, maquiando, negando a existência dos pedintes, dos favelados, dos marginalizados?
Bem, eles existem. Mas não nas estatísticas governamentais. Ali se abaixa a linha de pobreza para que se tenha a ilusão de um crescimento. Eleva-se o salário mínimo em diferente proporção aos aumentos dos produtos de que necessitamos. E em diferente proporção aos que empregam com salário mínimo. Empregadores então demitem e "contratam" serviços que não tem vínculo empregatício. Que pagam abaixo do mínimo, por serem prestação de serviço, e, consequentemente, deixam de recolher os impostos que nos garantem nossa "esmola da velhice".

E o golpe se concretiza quando o herói dos tolos ressurge como "ser supremo" da nação. Escapa de uma investigação com uma manobra de mestre, mais uma vez endossada pela nossa "paixonite" cega.

E o que será de nós no futuro?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre terror, tragédia, polémica e oportunismo

Recentemente, tragédias chocaram o mundo. Tragédias oriundas da psicopatia generalizada, oportunizada por falsos religiosos e tragédias nascidas da busca desenfreada do lucro irresponsável.
Em meio a estas tragédias, surgem defensores e acusadores. Pessoas que se preocupam com qual "bandeira" você se veste. E esquece de despir-se de toda a arrogância que cerca o homem, para se cobrir de solidariedade humana.

Sofro ao ver que pessoas foram mortas brutalmente por extremistas que usam a "desculpa" de uma religião para impor seus ideais aos outros. Por saber que pessoas são expostas a lavagens cerebrais tão violentas que sacrificam a própria existência para dar poder aos psicopatas. Isso me choca. Me aterroriza de diversas formas. Que poder tão absurdo é este que delegamos à pessoas que se acham no direito de controlar nossas vidas? De decidir quem de nós deve viver ou morrer?

De igual maneira, sofro em saber que todo um ecossistema foi assassinado. Não por homicídio doloso, ao menos não diretamente. Mas pela irresponsabilidade, pela ganância de querer se obter lucro indiscriminado. Uma barragem não se arrebenta de uma hora para outra. A tragédia era anunciada. Mas, preferiu-se a omissão. O pecado da omissão que se abate nos nossos governos e na nossa mídia que querem empurrar a lama para debaixo do tapete. Mas a lama é muito densa. É espesso o barro que corre pelo Rio Doce, deixando um rastro de morte por quilômetros.

São tragédias. São vidas que se perderam. São atos condenáveis. Não nos cabe ranquear qual catástrofe é maior. Para um pai que perdeu seu filho em um tiroteio. Para uma mãe que perdeu sua filha em uma enchente. Para o pescador que perdeu o seu sustento. Para cada vida, a tragédia é única e devastadora. Seja em um dilúvio ou uma enxurrada. Seja por uma bala perdida ou por um massacre. Vidas se perderam. Vidas que estão para sempre marcadas pela dor. São pais, mães, filhos, irmãos, amigos. São pessoas, que sofrem e que nada pedem, a não ser compaixão.

Tornou-se crime vestir as cores de um país enlutado? Por sermos brasileiros, não podemos nos compadecer com a dor do outro? Por outro lado, não podemos calar de forma alguma sobre o "tsunami de lama". Ele é a prova de que 23 anos depois, a chamada Eco 92 de nada nos serviu. Nem esta e nenhuma outra grande assembleia ambiental foi levada em consideração. Matamos um ecossistema com nosso silêncio.

Me entristece que agora, ao invés de se cobrar ação dos devidos responsáveis, se use tal fato para "politiquismos" partidários. A culpa não foi de quem vendeu, e sim de quem comprou. A culpa é de quem administra e fiscaliza. Mas acima de tudo, a culpa é de quem exalta uma forma de obtenção de ganhos que retira da terra violentamente os seus frutos. A mineração é danosa. É venenosa. Não estamos extraindo riqueza. Estamos condenando a natureza à destruição. Manipulando o equilíbrio químico e brincando de sermos Deus, ao decidir para onde o rio deve correr e em que local ele deve ser represado.

Tudo na vida tem consequências. Toda ação, tem uma reação. A reação de uma enxurrada de mercúrio que devasta uma cidade e mata um rio, após décadas ininterruptas de envenenamento químico. A reação de aviões bombardeando vingativamente as áreas às quais se atribui a existência de terroristas. E mais um ciclo de violência é eternizado. Quem terá o poder de interromper toda essa desgraca?

Parafraseando John Lennon: deêm uma chance para a paz.

sábado, 19 de setembro de 2015

Ser alguem

Eu tentei ser alguém
Tentei servir e ser útil
Achei que isso seria suficiente

Ser é uma condição
Eu existo, logo sou
Mas ser para si e não ser para o outro, de nada vale

Ser apenas
Ser somente
Digno
Útil
Amável, no sentido de ser passível de amor

Ser ouvido, compreendido
Ser notado
Ser mais que sombra
Poder falar sem ter que obrigar ser ouvido

Mas nem todos são alguém
Nem todos são ouvidos
Nem todos são notados

Chorar às escondidas
Em silêncio
No meio da noite
No chão de um banheiro

Ser menos que matéria inerte
Querer sentir o frio da lâmina em seus pulsos
Ou a corda circulando seu pescoço
Ou mesmo ingerir a dose que te livre da casca que prende o espírito atormentado

E mesmo assim, não encontrar coragem para fazê-lo
Procurar um ouvido que não quer te escutar
Procurar a ajuda que não virá
Insistir numa vida que não ama

Deus é minha companhia noturna
A quem eu peço que me leve, sem sucesso
A quem recorro nas noites insones regadas às lágrimas
Em silêncio, sempre em silêncio

E assim será
Até o fim dos meus dias
Pois não foi hj ou ontem
Esta é a realidade da minha existência
Não ser ninguém.

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre "modinha"

"Somos todos iguais perante Deus"
"Somos todos pecadores"
"Não julgues para não serdes julgados"

Estas são apenas algumas expressões que ouvimos nas nossas igrejas. Expressões que se perdem fora do templo religioso, pois do lado de fora, o que ouvimos é uma série de críticas sobre uma simples mudança de foto nas redes sociais.

Não que todos sejam obrigados a concordar com as relações homoafetivas, nem tampouco são obrigados a comemorar por uma lei que garante aos tais casais o direito que nós heteros temos desde que foi instituída a união civil. Mas, acima de qualquer coisa, está o direito de se expressar livremente. Alguém pode dizer "mas eu estou no meu direito de criticar". Respondo com outra frase de efeito "meu direito não pode ferir o direito alheio".

Eu tenho o direito de não trocar a foto do meu perfil. Essa atitude não me impede de estar de acordo com a decisão da Corte Americana. Eu não preciso de bandeiras para provar o que acredito. Mas é um direito legítimo do ser humano ter suas bandeiras e de hastearem-nas em comemoração de suas vitórias. Vocês julgam alguém que veste a bandeira nacional quando seu time é campeão? Jogam pedras em quem usa as cores do seu time favorito em dias de jogo? Reclamam daqueles que usam a bandeira do estado estampada em camisas e bonés? Compram "caboclo de lança" para enfeitarem as salas de estar?

Por que então uma foto colorida na rede social te ofende tanto? Por que fere teus princípios? Por que usar a foto de crianças famintas para justificar a sua revolta pessoal? Se a fome te incomoda, lute contra ela. Mas não use como desculpa para agredir o direito alheio de comemorar algo que lhes é importante.

Eu também já fui contra o casamento gay. Mudei de opinião por estar com a mente sempre aberta ao diálogo. Não é vergonhoso mudar de opinião. O diálogo sempre foi e sempre será o melhor caminho para tudo. As pessoas temem discutir, argumentar. Temem as críticas e os "castigos divinos". O Deus em que acredito é o Deus do amor, não da intolerância e da vingança. Não o Deus vaidoso que quer apenas glórias para si. Que só se importa com quem exalta o Seu Nome. Se Deus me ama com meus defeitos não é porque eu estou na Igreja todos os domingos orando por ele. Mas simplesmente porque ele ama. E quem sou eu pra dizer o que Deus acha certo ou não? Se o maior mandamento é "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Agora pergunto: você que critica seu próximo por uma foto de facebook, está amando-o?

Quanto ao termo "modinha", bem, pode ser uma moda. Mas como toda moda, passa. Então não se importe tanto, porque isso passa. Quanto ao direito, graças à Deus, este fica. E por mais que incomode, ele irá perdurar. E se te incomoda que as pessoas tenham o mesmo direito que você, pense se você gostaria de ter seus direitos negados. Pense em sua situação daqui a 40 anos, você perde seu companheiro, a casa que estava em nome dele e a sua renda. E você há de viver com o que? A dor, a saudade. Se você se colocar no lugar do outro, vai entender o que o outro sente. Não custa muito. É um exercício de humanidade.

Mais uma vez reitero, não precisa concordar. Mas é imperativo que se respeite.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre respeito, religião e sexualidade. Vivendo num mundo de intolerância.

Nas últimas semanas nos deparamos com mais capítulos de intolerância. A mídia lança uma campanha, o ódio e a intolerância se proliferam. Acontece uma parada LGBT e a intolerância religiosa e desrespeito aos dogmas cristãos são camuflados com frases de "liberdade de expressão".

E assim, a melhor defesa acaba sendo o ataque. E não há consenso. Não há trégua, pois as partes não procuram se respeitarem.

Qual o problema real em se ter um comercial que retrate tipos diversos de casais? Você mudaria de opção sexual por causa de um modismo ou de uma propaganda bonita. Você fumaria crack se a embalagem fosse bonita? Você se veste de acordo com seu gosto pessoal ou cede à moda? Tudo isso passa por quem você é. Se você é hetero, um comercial não vai mudar isso. Se você é gay, uma falsa "cura", uma imposição social ou religiosa não vão mudar quem você é.

Mas isso te dá o direito de agredir aos religiosos, usando e zombando de seus símbolos? Que benefício você tira ao retratar Jesus beijando outro homem? Ou retratar um padre ou pastor, muçulmano ou rabino como homossexual? Como conseguir o respeito dos cristãos se o símbolo máximo de Jesus na cruz é escarnecido por uma travesti seminua em carro alegórico?

O problema é por ser travesti? De forma alguma. O problema é por criar uma polêmica desnecessária. É agredir o outro para conseguir a sua liberdade. Mas não existe liberdade de direito quando não respeitamos o direito do outro. Isso inclui respeitar os dogmas as imagens ou qualquer outro símbolo que o outro utilize. Não há necessidade de agressão mútua.

Não estou aqui para defender um ou outro segmento. Escrevi posts anteriormente sobre liberdade, intolerância e revisão de conceitos sobre ordem familiar. Aqui apenas friso que não há mocinhos ou bandidos nesta relação. Existe sim a intolerância mútua. E o radicalismo de parte à parte, que dificulta o diálogo e o entendimento.

Boicotar a marca de perfume vai impedir de existirem gays? Tirar um comercial ou uma novela do ar vai mudar algo na sociedade? Apenas trará de volta o fantasma da censura. Perseguir a travesti que foi "crucificada" apenas lhe dará a mídia que ela mesma buscou. E continuamos combatendo fogo com fogo. Preconceito com preconceito. Intolerância com intolerância. E esse ciclo vicioso não cessa.

Gostaria que todos tivéssemos a coragem de fazer o que Jesus nos pediu há 2 mil anos: perdoar é oferecer a outra face. Pois ele foi humilhado, cuspido, linchado e crucificado por ser diferente. Mas em momento algum respondeu com agressão ou mesmo atacou verbal ou moralmente quem lhe humilhava.

Por mais que nos achemos "evoluídos" ou "moralmente superiores", não conseguimos o básico. Amar ao próximo, com suas diferenças e defeitos. Não somos todos iguais, nem nunca seremos. É errado tentar moldar i outro ao que você julga ser o certo. Então que tal um exercício de humanidade ao respeitar o outro?

Preconceito existe. Ninguém é perfeito. Mas o respeito deve ser superior. Ame e respeite, mesmo que não concorde. A vida dos outros não é sua para querer controlá-la. Viva a sua vida e respeite a vida, os dogmas e a liberdade política, social, sexual e religiosa dos outros.

Artigos relacionados:

http://oladoobscurodalua.blogspot.com/2011/11/o-homossexualismo-e-intolerancia.html

http://oladoobscurodalua.blogspot.com/2013/04/em-defesa-da-familia-polemicas-e.html

sábado, 7 de março de 2015

A paleta da dor

A dor é uma paleta das mais diversas cores
Do vermelho do olhos chorosos
Da transparência das lágrimas
Do brilho dourado que tinge a branca pele do rósea ao púrpura
Roxo, vermelho, sangue, derrame
Que empalidece com os dias, amarelando as feridas
Formando um arco íris sofrido que se demora a desfazer-se
Que salta aos olhos mais curiosos, mesmo camuflados em grossos tecidos
É a essência do sofrer que não se conforma em ser interno
Tem de vir à tona, à pele
Na superfície sufocante da dor, não mais psíquica apenas
Mas tornada física
Num êxtase agoniante, uma dor pulsante
A respiração que se corta quando a dor é intensa
Interrompe o pensar
E queima, e coça, e esmaga
Deixa o vermelho da vergonha
Numa palheta tingida pelo inferno que corrói a alma

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Alguém de lugar nenhum

Ser, existir e não pertencer
Pertencer à coisa alguma
A lugar nenhum
Sentado em busca do nada

Tentar encaixar um losango num quadrado
Uma forma concêntrica em um triângulo isósceles
Há sempre brechas
Há sempre vazio

Buscando o lugar nenhum das canções dos Beatles
Jeremy, tão Nowhere Man que pela geleia perolada se tornou
King Jeremy, The wicked
Besouros ou pérolas, jeremy governou sua Nowhere Land

E quantos de nós não somos como ele?
Pequenos num mundo gigante
Gigante morando numa ervilha
Não cabemos em nós mesmos de tão grandes e tão pequenos

Grotescos o bastante para apreciar o sofrimento
Sonhadores demais para aceitarem a sociedade
Se o chão não nutre, que o céu traga tormentas
Afinal, melhor morrer sendo o que deveria do que viver e nada ser

Silêncio. À noite abafa os gritos da alma
Sussurros e gemidos camuflados pela noturna penumbra
Nowhere land, Nowhere plans
Perdidos num oceano de incertezas.

Somos todos um pouco utópicos
Os sonhadores, os mártires, os poetas
Párias da sociedade
Em busca da conformacao da alma

Homens de lugar nenhum buscando ser alguem