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sábado, 1 de outubro de 2016

Música: poesia de sons e silencio.



Música, poema de sons e silêncio
Tradução sonora da alma humana
Música que cura, que sara
Música que inspira e afaga

Dos fortes acordes de Beethoven ao silêncio de Cage
Da calma de Jobim ao peso de Osborn
Da doçura na voz de Nara à força de Elis
Da poesia trovadoristica de Renato ao Rap político de Sabotage 

O que é música, senão alma?
O que é música senão amor?
O que é música senão dor?
O que é música senão felicidade?

Música é a transcendentalidade do inconsciente humano
Música é a humanização do ruído
Dos batuques africanos que pulsam no coração.
Dos cantos indígenas que exaltam a natureza

A música permeia o mundo
Está no barulho do mar
No som dos ventos
No canto dos pássaros

A música está nos amantes que se enlaçam
Nos joelhos dobrados que rezam
No corpo que baila
Nos olhos que choram

Música que reflete a dor
Música que define a sociedade
Música que faz dançar
Música que nos permite sorrir

Esta é a essência da música
Ser a alma descrita em Söns
Os medos e os desejos
Música é a arte dos amantes.

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Dia Mundial do Rock


O dia 13 de julho de 1985 foi uma marco histórico para a música mundial. Um grande festival foi realizado nesta data, como parte de uma campanha contra a fome no mundo, especialmente na Etiópia.

Organizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, o show aconteceu simultaneamente na Inglaterra, No estádio de Wembley, e nos Estados Unidos, no estádio J.F. Kennedy. Contando com um elenco de diversos artistas, como Paul McCartney, Phil Collins, Beach Boys, Queen, The Who, Led Zeppelin, Madonna, Mick Jagger, Joan Baez, David Bowie, entre outros, o show foi televisionado ao vivo, via satélite para diversas partes do mundo.


Pelo seu grande alcance e por sua importância em divulgar e lutar contra a fome na Etiópia, Phil Collins sugeriu que a data do show, 13 de julho, fosse considerada o dia mundial do Rock. Muito embora, essa data não seja oficialmente considerada como o dia do Rock, no Brasil, na década de 90, passou-se a divulgar desta forma, sendo abraçada pelos ouvintes, de forma que é uma data comemorada apenas no Brasil.


Parceiro: Casa da Musika


http://img.vmensagens.com/dia-do-rock/7.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_mundial_do_rock
https://www.theedgesusu.co.uk/wp-content/uploads/2015/07/live-aid.jpg
http://ichef-1.bbci.co.uk/news/560/media/images/78999000/jpg/_78999011_bandaid_get.jpg



quarta-feira, 6 de junho de 2012

Professores de Música, Rebelai-vos!!!

Quanto vale uma formação universitária? Ou ainda, quanto vale o estudo? No Brasil, pelo visto, a apreensão de conhecimento não quer dizer muita coisa. Afinal, como explicar que profissionais qualificados para a função de professores de música estão sendo trocados por outros profissionais com conhecimento apenas supérfluo?

O que era temido, já está acontecendo. A lei que obriga as escolas a terem a música como disciplina obrigatória dos currículos não parece ser suficiente para garantir que os profissionais desta área possam estar ingressando neste meio. Ao contrário, vemos cada dia mais crescer a quantidade de capacitações e micro cursos preparatórios para dar aos professores de outras disciplinas condições mínimas de ensinar música nas escolas. Mas 72 horas, ou duas semanas, ou mesmo 3 meses não são suficientes para que pessoas sem o menor contato com a disciplina música se apropriem sequer dos elementos básicos que fundamentam o ensino musical.

Uma capacitação é, na verdade, uma reciclagem, um aprimoramento de conhecimentos. É improvável que neste ínfimo período de tempo sejam abordados todos os temas básicos que constituem o estudo da música. Ainda mais improvável é que estes profissionais apropriem-se destes conhecimentos de forma tão intensa que lhes seja possível discorrer facilmente sobre estes e que lhes seja capaz de repassá-los com segurança.

Alguns argumentarão que estão sendo capacitados professores de arte, sendo a música uma das linguagens deste tema. Mas cada uma destas linguagens é única. Não cabe a mim, enquanto professora de música, ensinar teatro se não tenho propriedade para discorrer sobre o tema. Seria como se eu pedisse que um cirurgião ortopedista realizasse um transplante cardíaco, alegando que o mesmo possui formação em medicina. Porém, menisco e coração são áreas distintas e cada profissional especialista tem sua função na área médica.

A música nas escolas pode estar no caminho da mera recreação. Os conteúdos serão minimizados ou, em piores casos, inexistirão. O fazer musical pode ficar restrito a formação de pequeninos grupos corais, os quais entoarão musiquinhas simples em festinhas escolares, e que não terão nenhuma preocupação com a técnica vocal ou com elementos rítmicos, melódicos, harmônicos, estéticos, históricos, etc.

Me admira, acima de tudo, que profissionais de música estejam envolvidos nestes programas paliativos. É como dar um tiro no próprio pé. É não ter a menor noção de respeito e reconhecimento da própria formação. É ainda falta de coleguismo. É não ter princípios, a não ser comerciais. Pensar no que se ganha financeiramente com esta iniciativa, sem avaliar o quanto se perde ao enfraquecer a própria classe.

Estes são momentos em que devemos unir forças, mostrar quem somos e lutar pela garantia dos nossos direitos. Lutar pelo reconhecimento dos anos que dedicamos a não apenas obter conhecimento, mas também pelo tempo e dinheiro que gastamos para nos profissionalizarmos e nos especializarmos. Investimos num futuro que agora nos é tirado de forma brusca. Aos que desejam assumir o cargo de professores de música, sugiro que façam como nós, estudem música, façam cursos, ingressem no ensino superior, batalhem para tornarem-se aptos para a função. De outra forma não será justo, não será direito.

Rebelai-vos todos. É nosso dever, nosso direito conquistado pelo suor de nossas faces. Se agora nos calamos, amanhã seremos reféns do nosso próprio silêncio. Sem voz, sem ação, sem direito, sem respeito.

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Música nas Escolas

O ano de 2012 marca a volta definitiva do ensino obrigatório de música nas escolas. A lei que inicialmente foi celebrada por tantos, hoje traz três problemas de grandes proporções: existem profissionais suficientes para atender às várias instituições de ensino? Estariam os professores da educação básica aptos para lecionar uma matéria da qual não são especialistas? Teriam as escolas condições mínimas, de espaço físico e materiais, para a inclusão da música na grade curricular?

Me assusta o fato de serem encontradas brechas para que os profissionais da área musical sejam negligenciados mais uma vez. Vejo que muitos profissionais da educação defendem que a matéria Música pode ser lecionada por profissionais de qualquer área. Não quero dizer que uma pessoa formada em outra área do conhecimento seja totalmente inapta para a função. A questão é que deveria sim exigir-se uma formação mínima, mesmo que em nível médio, da disciplina em questão.

Sinceramente, não acredito na eficácia dos cursos de pós graduação para o ensino da música para os profissionais que nunca tiveram contato com esta linguagem, tampouco acredito nas capacitações. Acredito que estas soluções são apenas paliativos para dar crédito à instituições despreparadas para a nova situação.

Sendo um pouco otimista, penso numa escola que possui um profissional capacitado para a função. Mas a escola teria ainda que criar condições mínimas para que este profissional exerça seu trabalho. Uma aula de música exige som, muitas vezes em alto volume. Como fazer com que a aula de música não seja um infortúnio para as demais disciplinas que estejam sendo estudadas em salas vizinhas? Uma sala com condições mínimas para o trabalho é imprescindível. Isso sem falar no instrumental. Alguns podem defender que o trabalho musical seja apenas vocal, ou com instrumentos construídos com material reciclável. Estas possibilidades são válidas, mas um mínimo de instrumentos em boas condições seria ideal para o bom aproveitamento da disciplina.

Diante de tantos questionamentos, alguém pode até dizer que talvez a inclusão da música como elemento obrigatório do currículo não seja lá uma ideia tão genial. Porém eu ainda defendo que as escolas devem ter em seu currículo esta disciplina. Não apenas esta, mas também as demais linguagens artísticas. Porém a implantação destas disciplinas não deve ser feita de remendos. É preciso que haja uma responsabilidade em não apenas cumprir uma lei, mas em valorizar a arte, seus profissionais e oferecer um ensino de qualidade.

Parceiro: Casa da Musika

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney: I Will Always Love You

Uma voz ecoa em meio ao silêncio. Canta em vibrato os versos de Dolly Parton e revigora aquilo que em sua essência já parecia ser perfeito. Naquele momento, embora a artista já obtivesse considerável fama, surgiu um mito. Bastou-lhe uma canção, uma versão, e o mundo mudou em um instante. Exibida à exaustão, nos embriagamos de Whitney. Comemos e bebemos, fartamo-nos de sua voz e de seu talento. Talento que vem de berço, uma vez que sua mãe foi backing vocal de Elvis Presley e sua prima é a lendária musa de Burt Bacharach, Dionne Warwick.

Entre baladas e canções dançantes, sua voz manteve-se firme enquanto pode. Enquanto não sucumbiu à voracidade da fama. Conturbadas relações pessoais, aliadas às já conhecidas pressões midiáticas, minaram aos poucos a auto confiança e sanidade. O refúgio foram as drogas. A fuga da realidade que ao longo dos anos tem deixado órfãos legiões de fãs que, inconsoláveis, não encontram substitutos para os seus ídolos.

A morte é impiedosa para todos. Mas ver morrer a arte ainda enquanto jovem é devastador.

Os vícios roubaram-lhe a juventude, o vigor físico e a voz. Mas ela lutou, tentou livrar-se de seus algozes e enfrentou multidões que impiedosamente vaiaram-lhe enquanto ela tentava ressurgir das cinzas. Não é fácil fazer voltar a glória perdida. Me recordo de Callas que viu sua voz "quebrar" no meio de uma ária, cercada dos críticos olhares de ouvintes que apenas querem atestar o fracasso das grandes estrelas.

Mas nós sempre amaremos Whitney. Sempre a recordaremos. Não como a figura esquelética, frágil e dormente pelo vício. Amaremos a voz que nos tomou os corações e nos fez sonhar e alegrar-nos por existir música neste universo. Rest in peace Whitney, we will always love you!!!!

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cultura x Mídia: A Música das Massas

Uma publicação polêmica circula nas bancas e é amplamente divulgada nas redes sociais. Na referida publicação, a música das massas é legitimada como sendo cultura. Mais ainda, diz que o nossos valores estão traduzidos na letra da referida canção. Mas será que as canções midiáticas e massificadas podem ser consideradas cultura?

Que a mídia controla o pensamento e, muitas vezes, as atitudes das massas, isso não se discute. Porém a produção musical de mídia é, na maioria das vezes, produto de consumação rápida. O que toca nas rádios incessantemente de janeiro à março, desaparece por completo em novembro ou dezembro. Em sua maioria, essa produção é descartável e sem alicerce que a façam enraizar-se verdadeiramente como cultura.

Existem muitas definições para a palavra "cultura". Porém, vale ressaltar que a cultura é um dos elementos que se utiliza para classificar a identidade de um povo. Como pode a "cultura de massa" identificar um povo se a mesma não possui identidade definida? Ela é algo hoje e amanhã não é mais, torna-se outra coisa que não tem relação nenhuma com o que era anteriormente. Pelo menos não no quesito estético ou mesmo da forma. Assemelha-se apenas pela explosão mercadológica.

Não que o mercado tenha que obrigatoriamente estar dissociado da cultura. A arte e a cultura também podem ser consumidos enquanto produtos, mas nem tudo o que é produto será arte ou cultura.  Para que o produto seja artístico, precisa ter relevância no futuro. Para ser cultural, necessita imprimir ou traduzir alguma característica de identidade de um segmento populacional.

Seria possível um produto artístico e cultural ser consumido em larga escala? Sim tal possibilidade é verdadeira. Porém a velocidade da produção artístico/cultural é incompatível com o que deseja a mídia de consumo. Por esse motivo, os produtos que trazem rótulos e embalagens chamativas, por vezes apelativas, e cujas letras são de fácil memorização são mais comercializáveis. Exibidos à exaustão, serão substituídos logo que perderem sua força no mercado.

É necessário que se diferencie o que é cultura, arte e mídia. O que está em alta e faz sucesso não necessariamente se enquadrará nas duas primeiras. A arte e a cultura são eternas, porém o que é de mídia logo cai no esquecimento.

Parceiro: Casa da Musika

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aos Músicos

Salve o dia em que se reverencia o trabalho daqueles que trazem melodia e harmonia para a nossa vida. Salve os que trabalham para levar divertimento aos demais. Dia 22 de novembro se comemora o dia da música. A data remete à padroeira dos músicos, Santa Cecília, mártir que utilizou-se da música para suportar a dor que os ferimentos mortais lhe causavam.

A música nos toma por completo. Quando menos esperamos, ela nos seduz e nos arrasta para seu leito melodioso. Envoltos em sua harmonia, hora consonante, hora dissonante, mergulhamos num mar de colcheias e semicolcheias, fusas e semifusas, mínimas e semínimas. As claves nos guiam por registro graves e agudos de frequências modulares que culminam na cadência perfeita da nossa existência.

No andamento da vida do músico, muitas vezes passamos por momentos Lúgubres, Tristesse. A necessidade obriga o músico a viver em Prestíssimo, entre aulas e concertos, estudos e partituras. Mas ao final do dia voltamos em Allegro porque o fazemos por amor.

Muitas pausas podem ocorrer na vida de um músico, ritardando a tão almejada estabilidade financeira. Se a pausa é de breve à longa, muitos acabam enveredando por outros caminhos, provocando uma cadência interrompida ou deceptiva. A necessidade pode afastar um músico de sua profissão, mas não consegue apagar o que na alma está marcado em Fortíssimo.

A todos nós que pela música vivemos. Temos o nobre trabalho de atingir a sensibilidade humana por meio da manipulação dos sons. Cada qual com o seu timbre característico levando a música aos corações humanos, seja pelo meio acadêmico, seja pelo meio da apreciação. A música sobrevive graças aos heróis que dela e por ela vivem. Que continuemos a nossa jornada musical sem que a mesma jamais chegue ao Fine.

Feliz dia dos músicos!!!

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ao mestre, com carinho

Dia 15 de outubro é comemorado o dia do professor. Nada mais justo que esta profissão tão antiga tenha uma data comemorativa, especialmente para se fazer lembrar de quão importante é a figura do professor na nossa sociedade. Sem pieguices de querer fazer do professor um "salvador da pátria". O professor não é o Messias e nem deveria ser. Mas as circunstâncias às quais estes profissionais são colocados, fazem-os assemelhar-se à guerreiros solitários que lutam por causas aparentemente perdidas.

Turmas lotadas, acúmulo de funções, recursos escassos e remuneração indigna. Estas são algumas das condições dos mestres da educação neste país. Não é à toa que as Licenciaturas tem sido cada vez mais preteridas pelos alunos que prestam exames admissionais nas Universidades. Ser professor hoje é profissão de risco, e sem taxa de insalubridade. Esforços sonoros que provocam patologias nas pregas vocais, excesso de trabalho que os obriga a terminarem relatórios e correções em suas horas de folgas e fins de semana. O professor é um trabalhador em tempo integral.

Antes reverenciado como mestre, nos dias atuais a imagem do professor tem sido a de um serviçal, especialmente nas esferas particulares. Na base do "eu pago", o mestre vira vassalo que depende do seu senhor e portanto deve servi-lo como aquele bem entender se quiser manter-se empregado. E com a crescente violência social o professor ainda tem enfrentado as mais diversas formas de ameaça, incluindo o risco de morte.

Lembro-me bem da imagem maternal das professoras de primeiras séries. Ensinar tem se tornado cada vez mais um ato de amor. Afinal, que outro sentimento nos faz suportar tanto senão o sentimento maior de todos?  Embora não compartilhe da ideia de que os professores são substitutos dos pais, acredito que o mestre deve agir para o melhoramento do ser social. A educação deve partir das duas instancias, a familiar e a escolar.

Tantos exemplos podem ser encontrados na literatura ou nas artes cinematográficas de grandes mestres da arte de lecionar, sejam eles reais ou fictícios. Como não lembrar da figura de Sidney Poitier que retrata um professor negro lecionando para uma turma de brancos rebeldes. Lembrar de como aquele ambiente arredio de preconceitos raciais se transformou e deu lugar a um sentimento de adoração. Que bom seria se exemplos como este ocorressem nos dias atuais.

Educar é também uma arte. É preciso muita destreza para instruir as diferentes mentes que encontramos pelo caminho. Mentes com processos de aprendizagem distintos, bem como diferentes vivências. Diagnosticar e aplicar a metodologia ideal para cada indivíduo requer paciência e perseverança do educador. Conquistar a confiança dos mais rebeldes, requer empenho.

Obviamente na nossa jornada pela vida nos deparamos com professores que nos desagradam. Muitos destes, presos às velhas fórmulas que outrora pareciam eficazes. Atados numa atmosfera que não mais existe, devido a constante renovação social em que vivemos, estes mestres do passado tornam-se por vezes arrogantes e ultrapassados. Portanto, na arte de educar, o mestre deve estar sempre ávido pela renovação, pela reciclagem de conteúdos e métodos.

Aos mestres do passado, presente e futuro, obrigado por sua dedicação. Que possamos todos construir nações de pensadores livres. Que nos seja possível alcançar o respeito devido pela dedicação empregada na eterna busca pelo conhecimento. Dia do professor não é apenas uma data comemorativa do calendário. Dia do professor é todo dia que o mesmo dedica aos seus pupilos.

Parceiro: Casa da Musika

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Música e a Liberdade Sexual

No final dos anos 60, mais precisamente em1969 uma data bem sugestiva, era lançada uma canção que falava de amor e sexo chamada Je T'Aime... Moi Non Plus. Composta por Serge Gaingsburg e cantada em dueto por ele e sua amada Jane Birkin, a canção era uma narrativa do ato sexual com diálogos de amor e gemidos e sussurros. A canção havia sido escrita dois anos antes e a principio seria interpretada por Bigitte Bardot, ícone do cinema francês e símbolo sexual daquela geração. Mas Bardot achou a canção um pouco além dos limites da sensualidade e desistiu do projeto. A canção foi lançada e se tornou sucesso, embora tenha sofrido censura nas rádios naquela época.

Esta era a época do movimentos hippies, de paz e amor livre. Era de se esperar que uma canção ousada surgisse em meio a este movimento. Mas a sensualidade e mesmo a sexualidade da canção receberam um cuidado artístico. Melodicamente falando, a música traz uma linha bela, aguda e marcante. O texto é romantico, sem ser piegas nem se tornar vulgar. A construção musical como um todo a torna uma obra duradoura e icônica.

Nos dias atuais, os ideais de liberdade sexual tem-se confundido com promiscuidade. As canções tratam cada vez mais de temas sexuais, porém sem nenhum cuidado artístico. Existe uma tendência à vulgarização do ato sexual e a uma depreciação cada vez maior da figura feminina. Nos hits do momento, é comum ver as mulheres sendo denominadas de cachorra, rapariga, safada, etc. Enaltecem os atributos de nádegas e seios grandes e se utilizam de duplo sentidos nas mais pobres rimas que se possa imaginar.

A música serviu no passado para quebrar barreiras e tabus, falando francamente de assuntos polêmicos mas com objetivos artisticos. Nos dias atuais, a música é produto de consumação rápida e com um prazo de validade curto. É feita para ser consumida rapidamente e posteriormente ser descartada. Não há cuidado estético ou artístico. Não há levantamento de questões polêmicas que sirvam para gerar um debate acerca de questões morais, cívicas ou religiosas. Simplesmente se usa de uma combinação sonora e um texto pobre para vender o produto com uma embalagem chamativa, e quase sempre apelativa.

Mas será culpa que a culpa desta decadência se deve às revoluções sexuais das décadas de 60 e 70? Qual o limite entre a sensualidade / sexualidade e a vulgaridade?

Esta é uma linha tênue que deve ser tratada com cuidado especial. Nas artes este cuidado tem que ser redobrado, pois elas são formadoras de opinião. Acho importante que a música tenha sido uma porta para se discutirem questões sexuais, até porque são questões da natureza humana e devem ser exploradas na sociedade. Mas o sexo não se resume ao ato, nem tão pouco ao desejo carnal e instintivo dos seres vivos. Ele tem haver com relações humanas de afetividade e cumplicidade e, porque não, de religiosidade. Na Índia, o sexo é tido como arte que aproxima os seres vivos dos seres divinais. Se ensina a arte do prazer e do respeito mútuo.

Tantas outras canções exploraram a sexualidade sem que fosse preciso cair na leviandade. Não precisa ser apelativo para ser controverso. Não precisa ser depreciativo para ser rentável. Não se consegue ser artístico quando o único pensamento é mercadológico. É possível ser ousado sem ser apelativo ou vexatório.

Parceiro: Casa da Musika

sexta-feira, 18 de março de 2011

Todo Carnaval Tem Seu Fim...

Mais um carnaval levantou multidões e também polêmicas. Por todo lado vejo defensores e acusadores desta festa antiga que mobiliza todo o país. Ainda hoje pude ver um vídeo difundido na internet em que uma mulher elencava uma série de problemas atribuídos ao carnaval. Afinal, seria o carnaval algo tão abominável assim? Dentre os fatos alegados contra a festa estão os acidentes de transito. Porém acidentes por imprudência ou embriagues acontecem durante todo o ano e basta um feriado para que esses números cresçam, inclusive durante festas religiosas. Se o problema são as brigas que ocorrem por vezes durante a festa, isso vemos corriqueiramente durante uma partida de futebol ou dentro de um bar num fim de semana. Gravidez indesejada? Isso vemos durante todo o ano, em especial com menores de idade provenientes de famílias de baixa renda. Difusão de música de péssima qualidade? Aí o problema é bem mais sério e tem o suporte de uma mídia que existe para alienar o povo e encobrir os problemas do país.  Também foi atribuído ao carnaval os gastos públicos com saúde e segurança. Ora, não é bom que estes sistemas estejam funcionando e atendendo da melhor forma possível a população? É verdade que os mesmos deveriam funcionar durante todo o ano, mas a preocupação se eleva apenas nas altas temporadas, visando não o bem da população residente da região, e sim a segurança dos turistas para que a região seja bem vista pelos que vem de fora, possibilitando maior movimentação da economia local.

O carnaval pode não ser um mar de rosas, mas os maiores problemas atribuídos ao mesmo se devem ao desvio de comportamento das pessoas que visam apenas o seu bel-prazer. E esse pensamento egocêntrico não surge devido a uma força maligna e misteriosa que se manifesta durante uma festa pagã. Esse é um problema que está entranhado na cultura de um povo que se acostumou a sempre tentar levar vantagem sobre os demais, custe o que custar. O carnaval não é uma questão religiosa, como muitos tentam atribuir. É uma questão política e comportamental.

Neste ano pude presenciar duas das maiores festas carnavalescas do país: o Galo da Madrugada e o carnaval de Olinda. Confesso que fui com um pouco de medo, mas ao fim pude ver que muito do que se fala sobre Carnaval é apenas mito. É óbvio que num local onde se concentram 100.000 pessoas as ocorrências serão bem maiores do que num local onde 100 pessoas circulam. Desfrutei, me entediei, cansei, pulei, fui espremida na multidão, tive bons e maus momentos. No fim de tudo, percebe-se que o carnaval não difere da nossa vida cotidiana. Apenas traz as mesmas vivências em maior intensidade.

E viva o carnaval!!!

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

30 anos depois...

A exatos 30 anos uma vida havia sido tirada. Assim como muitas vidas são perdidas pela estupidez humana, esta vida foi tirada por 4 tiros disparados por alguém que se dizia um fã. Podia esta ser uma história como tantas outras que ouvimos por aí de assassinatos em brigas de bar ou de trânsito. O que dá a esta história um sentido especial é a de que a vítima era John Lennon, uma pessoa pública e cuja influência musical é provavelmente a mais importânte do século XX. Mas existe ainda um dado mais interessante e bastante curioso: John Lennon era um defensor fervoroso da paz. Ora, muitos podem pensar que a paz é um bem desejado por todos, mas são bem poucos os que verdadeiramente lutam pela paz e utilizando as armas corretas. Enquanto muitos empunham armas em nome da paz, Lennon fazia um protesto silencioso na cama de seu quarto. Mas o homem que, embora não pregasse nenhuma religião, pregava tanto pela paz acabou tendo a vida tirada pela violência. O dado curioso relatado anteriormente é que não são poucos os casos de defensores da paz que acabam em assassinatos. O caso mais famoso é provavelmente o de Jesus Cristo, morto pela conspiração que o colocou como um rebelde que ameaçava o Estado. Não estou comparando Lennon com Jesus, apenas relatando um fato. Da mesma forma, Martin Luther King lutava pela paz e igualdade e teve a vida tirada. Gandhi fazia greve de fome para evitar Guerras Civís na Índia e também foi morto. Podemos citar muitos outros exemplos que nos farão perceber o quanto ainda estamos longe da paz que todos dizemos que sonhamos. Estes mártires não podem ser esquecidos. Devem permanecer na nossa memória para nos mostrar que ainda é preciso lutar pela paz, mas lutar sem utilizar a violência. Afinal, como dizia Lennon: All We Need Is Love.

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