É o fim de mais uma ditadura. Mais uma nação que se levanta contra a brutalidade e monstruosidade de um ser que se diz humano. O espetáculo da violência foi visto e noticiado por todos os meios de comunicação conhecidos. Vimos um corpo ser exibido como troféu.
Foram 32 anos de governo. Muitos dos que participaram de sua perseguição sequer conheceram sua nação livre. O ódio cresceu dentro deles ao mesmo tempo que os mesmos cresciam. A liberdade tem um preço difícil de se pagar. Muitas vezes o valor pago é a própria alma.
Não há como louvar os acontecimentos que levaram a derrubar o ditador. Também não nos cabe julgar de nossas confortáveis nações as atitudes daqueles que cometeram tais atos. Louvar ou repudiar tais atos seriam um equivoco de nossa parte. Não se pode louvar o frio assassinato de um homem que já se encontrava dominado por completo. Não se pode repudiar um ato cometido por pessoas que na vida conviveram com o terror de perto.
Nos cabe apenas registrar que mais um ditador deixou de existir e torcer para que esta nação se erga livre e justa. Que a Líbia se fortaleça e que seus filhos a governem com sabedoria e bondade.
Local para divulgação de textos e opiniões diversas, sejam estes políticos, sociais, reflexivos, artísticos ou intimistas.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Cai o Rei de Espadas...
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Ao mestre, com carinho
Dia 15 de outubro é comemorado o dia do professor. Nada mais justo que esta profissão tão antiga tenha uma data comemorativa, especialmente para se fazer lembrar de quão importante é a figura do professor na nossa sociedade. Sem pieguices de querer fazer do professor um "salvador da pátria". O professor não é o Messias e nem deveria ser. Mas as circunstâncias às quais estes profissionais são colocados, fazem-os assemelhar-se à guerreiros solitários que lutam por causas aparentemente perdidas.
Turmas lotadas, acúmulo de funções, recursos escassos e remuneração indigna. Estas são algumas das condições dos mestres da educação neste país. Não é à toa que as Licenciaturas tem sido cada vez mais preteridas pelos alunos que prestam exames admissionais nas Universidades. Ser professor hoje é profissão de risco, e sem taxa de insalubridade. Esforços sonoros que provocam patologias nas pregas vocais, excesso de trabalho que os obriga a terminarem relatórios e correções em suas horas de folgas e fins de semana. O professor é um trabalhador em tempo integral.
Antes reverenciado como mestre, nos dias atuais a imagem do professor tem sido a de um serviçal, especialmente nas esferas particulares. Na base do "eu pago", o mestre vira vassalo que depende do seu senhor e portanto deve servi-lo como aquele bem entender se quiser manter-se empregado. E com a crescente violência social o professor ainda tem enfrentado as mais diversas formas de ameaça, incluindo o risco de morte.
Lembro-me bem da imagem maternal das professoras de primeiras séries. Ensinar tem se tornado cada vez mais um ato de amor. Afinal, que outro sentimento nos faz suportar tanto senão o sentimento maior de todos? Embora não compartilhe da ideia de que os professores são substitutos dos pais, acredito que o mestre deve agir para o melhoramento do ser social. A educação deve partir das duas instancias, a familiar e a escolar.
Tantos exemplos podem ser encontrados na literatura ou nas artes cinematográficas de grandes mestres da arte de lecionar, sejam eles reais ou fictícios. Como não lembrar da figura de Sidney Poitier que retrata um professor negro lecionando para uma turma de brancos rebeldes. Lembrar de como aquele ambiente arredio de preconceitos raciais se transformou e deu lugar a um sentimento de adoração. Que bom seria se exemplos como este ocorressem nos dias atuais.
Educar é também uma arte. É preciso muita destreza para instruir as diferentes mentes que encontramos pelo caminho. Mentes com processos de aprendizagem distintos, bem como diferentes vivências. Diagnosticar e aplicar a metodologia ideal para cada indivíduo requer paciência e perseverança do educador. Conquistar a confiança dos mais rebeldes, requer empenho.
Obviamente na nossa jornada pela vida nos deparamos com professores que nos desagradam. Muitos destes, presos às velhas fórmulas que outrora pareciam eficazes. Atados numa atmosfera que não mais existe, devido a constante renovação social em que vivemos, estes mestres do passado tornam-se por vezes arrogantes e ultrapassados. Portanto, na arte de educar, o mestre deve estar sempre ávido pela renovação, pela reciclagem de conteúdos e métodos.
Aos mestres do passado, presente e futuro, obrigado por sua dedicação. Que possamos todos construir nações de pensadores livres. Que nos seja possível alcançar o respeito devido pela dedicação empregada na eterna busca pelo conhecimento. Dia do professor não é apenas uma data comemorativa do calendário. Dia do professor é todo dia que o mesmo dedica aos seus pupilos.
Parceiro: Casa da Musika
Educar é também uma arte. É preciso muita destreza para instruir as diferentes mentes que encontramos pelo caminho. Mentes com processos de aprendizagem distintos, bem como diferentes vivências. Diagnosticar e aplicar a metodologia ideal para cada indivíduo requer paciência e perseverança do educador. Conquistar a confiança dos mais rebeldes, requer empenho.
Obviamente na nossa jornada pela vida nos deparamos com professores que nos desagradam. Muitos destes, presos às velhas fórmulas que outrora pareciam eficazes. Atados numa atmosfera que não mais existe, devido a constante renovação social em que vivemos, estes mestres do passado tornam-se por vezes arrogantes e ultrapassados. Portanto, na arte de educar, o mestre deve estar sempre ávido pela renovação, pela reciclagem de conteúdos e métodos.
Aos mestres do passado, presente e futuro, obrigado por sua dedicação. Que possamos todos construir nações de pensadores livres. Que nos seja possível alcançar o respeito devido pela dedicação empregada na eterna busca pelo conhecimento. Dia do professor não é apenas uma data comemorativa do calendário. Dia do professor é todo dia que o mesmo dedica aos seus pupilos.
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Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
A Conspiração
Os Estados Unidos são conhecidos pela força bélica, econômica e pelas teorias da conspiração. Cada fato novo, notícia de grande repercussão ou mesmo um grupo novo de sucesso, surgem teorias mirabolantes para explicar os fatos em suas "reais" bases. Não tem sido diferente com os atentados de 11 de setembro. Muitos são os que acreditam que a família Bush teria tramado todo aquele horror que acompanhamos pela televisão.
Sejamos muito cautelosos antes de cairmos nas redes das teorias conspiratórias. É bem verdade que os governos americanos tem uma mania irritante de financiar novos regimes de governo pouco democráticos. Foi assim com o nosso regime militar. Temendo o crescimento do Socialismo no mundo e percebendo que o Brasil era um grande candidato a seguir tal regime, os americanos não exitaram em mandar recursos para que o golpe ocorresse e sufocasse as tentativas comunistas e socialistas.
Em outros países o mesmo ocorreu e ao longo dos anos os EUA passaram a pousarem de delegados do mundo, controlando os regimes e países mais vulneráveis. O que eles não imaginavam é que poderiam estar cavando a própria sepultura. Política é feita de alianças e as mesmas são facilmente rompidas, especialmente quando as duas partes se encontram fortes o suficiente para se enfrentarem. O governo americano cometeu um grave erro segundo análise do célebre Maquiavel: deu chances para que os "principados" conquistados pudessem se levantar contra ele.
Não acredito, sinceramente, que Bush ou qualquer outro na posição dele, seria capaz de atentar contra sua própria população visando apenas o poder econômico. Hoje a guerra está sendo repudiada pela maioria, mas 10 anos atrás, todos clamavam por ela. Nada disso difere do Vietnã. Tampouco de Hiroshima e Nagasaki. Os americanos tiveram seu orgulho ferido e mergulharam no medo e a resposta de um país cuja história é baseada em luta armada é sempre de contra atacar pela força.
Mas tal como se deu no Vietnã, os americanos se mostram fortes no poderio bélico, porém fracos em estratégias. Desta forma, o país se arrasta por 10 anos de uma guerra que lhe toma milhões e reduz sua confiabilidade a cada dia. A guerra não é mais rentável, porém o país não pode simplesmente causar a confusão e deixar a desordem para que outros arrumem a casa. É preciso dar condições para que os países invadidos possam se reerguer, o que requer mais gastos.
Muitos falam que haveriam bombas nos prédios e que eles explodiram, o que ocorreria também com outros prédios do local. Essa afirmação, além de pouco confiável é quase infantil. Um avião repleto de combustível já é uma bomba em potencial. É só observar nos mais simples acidentes desse veículo. A vasão de combustível, aliada às fagulhas do impacto são suficientes para causar danos incríveis. E diferentemente de uma implosão de um edifício, uma explosão atingirá uma área muito maior, comprometendo estruturas vizinhas as do local atingido.
Não sou a favor de guerras. Sigo Jesus, Gandhi e todos os revolucionários que pregam pela reação pacífica. Porém meus ideais contrários ao pensamento americano não me dão o direito de pregar o anti americanismo, ou de achar que os EUA são o "câncer do mundo" como muitos afirmam. E afinal quem somos nós para julgarmos as atitudes norte americanas se o próprio Brasil exerce na América Latina o mesmo papel controlador? Se quando foi formado o Mercossul, a grande queixa era a de que o Brasil exercia uma soberania exagerada, impondo sua moeda mais forte e sua forma de comércio? A verdade é que Brasil e EUA diferem apenas na proporção de sua atuação, mas os princípios são bem semelhantes.
Sejamos muito cautelosos antes de cairmos nas redes das teorias conspiratórias. É bem verdade que os governos americanos tem uma mania irritante de financiar novos regimes de governo pouco democráticos. Foi assim com o nosso regime militar. Temendo o crescimento do Socialismo no mundo e percebendo que o Brasil era um grande candidato a seguir tal regime, os americanos não exitaram em mandar recursos para que o golpe ocorresse e sufocasse as tentativas comunistas e socialistas.
Em outros países o mesmo ocorreu e ao longo dos anos os EUA passaram a pousarem de delegados do mundo, controlando os regimes e países mais vulneráveis. O que eles não imaginavam é que poderiam estar cavando a própria sepultura. Política é feita de alianças e as mesmas são facilmente rompidas, especialmente quando as duas partes se encontram fortes o suficiente para se enfrentarem. O governo americano cometeu um grave erro segundo análise do célebre Maquiavel: deu chances para que os "principados" conquistados pudessem se levantar contra ele.
Não acredito, sinceramente, que Bush ou qualquer outro na posição dele, seria capaz de atentar contra sua própria população visando apenas o poder econômico. Hoje a guerra está sendo repudiada pela maioria, mas 10 anos atrás, todos clamavam por ela. Nada disso difere do Vietnã. Tampouco de Hiroshima e Nagasaki. Os americanos tiveram seu orgulho ferido e mergulharam no medo e a resposta de um país cuja história é baseada em luta armada é sempre de contra atacar pela força.
Mas tal como se deu no Vietnã, os americanos se mostram fortes no poderio bélico, porém fracos em estratégias. Desta forma, o país se arrasta por 10 anos de uma guerra que lhe toma milhões e reduz sua confiabilidade a cada dia. A guerra não é mais rentável, porém o país não pode simplesmente causar a confusão e deixar a desordem para que outros arrumem a casa. É preciso dar condições para que os países invadidos possam se reerguer, o que requer mais gastos.
Muitos falam que haveriam bombas nos prédios e que eles explodiram, o que ocorreria também com outros prédios do local. Essa afirmação, além de pouco confiável é quase infantil. Um avião repleto de combustível já é uma bomba em potencial. É só observar nos mais simples acidentes desse veículo. A vasão de combustível, aliada às fagulhas do impacto são suficientes para causar danos incríveis. E diferentemente de uma implosão de um edifício, uma explosão atingirá uma área muito maior, comprometendo estruturas vizinhas as do local atingido.
Não sou a favor de guerras. Sigo Jesus, Gandhi e todos os revolucionários que pregam pela reação pacífica. Porém meus ideais contrários ao pensamento americano não me dão o direito de pregar o anti americanismo, ou de achar que os EUA são o "câncer do mundo" como muitos afirmam. E afinal quem somos nós para julgarmos as atitudes norte americanas se o próprio Brasil exerce na América Latina o mesmo papel controlador? Se quando foi formado o Mercossul, a grande queixa era a de que o Brasil exercia uma soberania exagerada, impondo sua moeda mais forte e sua forma de comércio? A verdade é que Brasil e EUA diferem apenas na proporção de sua atuação, mas os princípios são bem semelhantes.
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
11 de Setembro
Sozinha, no meu quarto onde minha companhia se resumia ao meu violão. Entre acordes e dedilhados, estudos em partituras, estava mergulhada em mim mesma. Foi então que liguei a pequena televisão que lá havia e me deparei com dois gigantes em chamas. Demorei a entender do que se tratava, até ser reprisado o exato momento do impacto. O violão, meu fiel companheiro, ficou de lado. Não havia sentido, naquele momento, retornar às partituras. O mundo mudava naquele instante.
Em um ato suicido-homicida, um avião é atirado contra um edifício de trabalhadores. Em partes, nos faz lembrar de Pearl Harbor, muito embora aquela fosse uma situação de guerra e o alvo eram militares com condições de se defenderem. O World Trade Center era um local de trabalho, onde pais e mães da família trabalhavam para garantir o sustento próprio e da família. Nos aviões usado como misseis, idem.
10 anos se passaram. A fragilidade do gigante do Norte foi exposta. Nunca mais ele foi o mesmo. Tornou-se amargurado, vingativo, psicologicamente frágil. A terra das oportunidades se tornou a terra das dificuldades, das quebras de banco, da quase recessão. Guerras infinitas, dívidas em moratória, filas de desemprego superiores às ofertas de trabalho.
A perseguição no mundo árabe culminou com a morte do terrorista, mas os efeitos do terror não foram extintos. Morreu o malfeitor, mas o mal ainda vive. Endeusada pelas mentes corroídas em lavagens cerebrais, a imagem do mal ainda paira no Universo, em forma de falsos profetas que disseminam uma falsa ideia de religião. Deturpando o sagrado, formam exércitos de zumbis dispostos a porem fim às suas próprias vidas para que os grandes permaneçam em seus palácios, cercados de luxo e riqueza em sua dominação sobre os mais frágeis de sua nação.
Muitos no mundo se negam a partilharem da dor das famílias do 11 de setembro. Negam-se unicamente por uma visão política, uma rixa entre ricos e novos ricos. Não vêem além de números para contabilizarem tragédias maiores ou menores. Pouco importa se morrem dois mil ou dois milhões. São vidas, seres humanos que realizavam suas tarefas diárias, que tinham sonhos. São gente, não números. Poderiam ser um de nós ou um dos nossos. Deveríamos pensar no individual, na mãe que perdeu seu filho, no marido que perdeu sua esposa, nos tios, primos, noivos, irmãos.
Um minuto de silêncio pelas vitimas dos atentados. O olhar voltado para onde hoje fica o Marco Zero. A história não pode ser refeita, mas pode se refazer a sociedade. Mesmo abalada, triste e machucada, a fênix ainda pode surgir das cinzas, fortalecida e, quem sabe, mais justa e humana. O mundo não será mais o mesmo. Ao menos podemos sonhar que ele se torne algo melhor.
Em um ato suicido-homicida, um avião é atirado contra um edifício de trabalhadores. Em partes, nos faz lembrar de Pearl Harbor, muito embora aquela fosse uma situação de guerra e o alvo eram militares com condições de se defenderem. O World Trade Center era um local de trabalho, onde pais e mães da família trabalhavam para garantir o sustento próprio e da família. Nos aviões usado como misseis, idem.
10 anos se passaram. A fragilidade do gigante do Norte foi exposta. Nunca mais ele foi o mesmo. Tornou-se amargurado, vingativo, psicologicamente frágil. A terra das oportunidades se tornou a terra das dificuldades, das quebras de banco, da quase recessão. Guerras infinitas, dívidas em moratória, filas de desemprego superiores às ofertas de trabalho.
A perseguição no mundo árabe culminou com a morte do terrorista, mas os efeitos do terror não foram extintos. Morreu o malfeitor, mas o mal ainda vive. Endeusada pelas mentes corroídas em lavagens cerebrais, a imagem do mal ainda paira no Universo, em forma de falsos profetas que disseminam uma falsa ideia de religião. Deturpando o sagrado, formam exércitos de zumbis dispostos a porem fim às suas próprias vidas para que os grandes permaneçam em seus palácios, cercados de luxo e riqueza em sua dominação sobre os mais frágeis de sua nação.
Muitos no mundo se negam a partilharem da dor das famílias do 11 de setembro. Negam-se unicamente por uma visão política, uma rixa entre ricos e novos ricos. Não vêem além de números para contabilizarem tragédias maiores ou menores. Pouco importa se morrem dois mil ou dois milhões. São vidas, seres humanos que realizavam suas tarefas diárias, que tinham sonhos. São gente, não números. Poderiam ser um de nós ou um dos nossos. Deveríamos pensar no individual, na mãe que perdeu seu filho, no marido que perdeu sua esposa, nos tios, primos, noivos, irmãos.
Um minuto de silêncio pelas vitimas dos atentados. O olhar voltado para onde hoje fica o Marco Zero. A história não pode ser refeita, mas pode se refazer a sociedade. Mesmo abalada, triste e machucada, a fênix ainda pode surgir das cinzas, fortalecida e, quem sabe, mais justa e humana. O mundo não será mais o mesmo. Ao menos podemos sonhar que ele se torne algo melhor.
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O Suicídio
Mais um corpo que cai. Um voo sem asas com consequências dilacerantes. Quem segue por esse caminho sabe que não há volta. Não se interrompe um corpo em queda livre de seguir seu triste trajeto. O caminho possui início e fim, mas o meio é imutável. O que fazer quando a vida parece não valer mais à pena de ser vivida, senão findá-la por meios próprios?
A solidão, o desespero. A ideia de que não há mais porque prolongar a existência, se a mesma é coberta de amarguras e não é possível enxergar além do enorme labirinto em que no encontramos. Certa vez ouvi que o suicídio é a forma de dizer a Deus: "não precisa me despedir, eu me demito". Desistindo de lutar, o corpo se entrega ao ar, ao mar, ao chão. Pulsos cortados, corpos que saltam, doses mortais ingeridas. A vida se esvai, de forma cada vez mais frequente na nossa sociedade.
Por que este gosto pelo mórbido? Por que essa sensação de impotência social? Por que se o único bem que carregamos desde o dia em que nascemos é o dom da vida? Bem este tão valoroso, tão imprescindível. Será que ignoramos a mão que se estende em nosso socorro quando estamos mergulhados na escuridão? Seria o poço tão profundo que se torna impossível a penetração da luz?
Me assusta perceber que somos tão frágeis. Que a linha que divide a sanidade e a loucura é tão tênue. A qualquer momento ela pode se romper e nos arrastar para um mundo sombrio e tenebroso, em que somos presas fáceis atormentadas pelos nossos próprios demônios. Quem sou eu para julgá-los, se estou no alto da minha racionalidade intelectual, analisando friamente os fatos que conduzem as pessoas ao desespero?
A ideia da desistência é perturbadora. E tantos o tem feito nos dias atuais. Parece-nos que a cada dia a vida vale menos à pena. Cada vez mais o suicídio se torna tentador. É urgente que saibamos estender as mãos àqueles que não encontram uma saída. É nos devido iluminar os passos de quem se encontra na escuridão. Não nos façamos de desentendidos. A vida dos outros também pode estar em nossas mãos.
A solidão, o desespero. A ideia de que não há mais porque prolongar a existência, se a mesma é coberta de amarguras e não é possível enxergar além do enorme labirinto em que no encontramos. Certa vez ouvi que o suicídio é a forma de dizer a Deus: "não precisa me despedir, eu me demito". Desistindo de lutar, o corpo se entrega ao ar, ao mar, ao chão. Pulsos cortados, corpos que saltam, doses mortais ingeridas. A vida se esvai, de forma cada vez mais frequente na nossa sociedade.
Por que este gosto pelo mórbido? Por que essa sensação de impotência social? Por que se o único bem que carregamos desde o dia em que nascemos é o dom da vida? Bem este tão valoroso, tão imprescindível. Será que ignoramos a mão que se estende em nosso socorro quando estamos mergulhados na escuridão? Seria o poço tão profundo que se torna impossível a penetração da luz?
Me assusta perceber que somos tão frágeis. Que a linha que divide a sanidade e a loucura é tão tênue. A qualquer momento ela pode se romper e nos arrastar para um mundo sombrio e tenebroso, em que somos presas fáceis atormentadas pelos nossos próprios demônios. Quem sou eu para julgá-los, se estou no alto da minha racionalidade intelectual, analisando friamente os fatos que conduzem as pessoas ao desespero?
A ideia da desistência é perturbadora. E tantos o tem feito nos dias atuais. Parece-nos que a cada dia a vida vale menos à pena. Cada vez mais o suicídio se torna tentador. É urgente que saibamos estender as mãos àqueles que não encontram uma saída. É nos devido iluminar os passos de quem se encontra na escuridão. Não nos façamos de desentendidos. A vida dos outros também pode estar em nossas mãos.
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Aos 27
Eis então que mais um talento se perde em tão pouca idade. Nada de novo quando se refere ao vilão desta história. As drogas são responsáveis direta ou indiretamente pela perda de alguns dos mais promissores talentos e também dos ícones já consagrados. Ao ter notícia sobre a morte de Amy Winehouse houve um choque pela perda da artista, mas também a certeza de que era só uma questão de tempo até que tal tragédia ocorresse.
Tristes coincidências são percebidas no caso. Amy se foi aos 27 anos, assim como foram também Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morisson, Brian Jones e Kurt Cobain. Assim como Janis Joplin, a influencia artística maior de Amy Winehouse era o Jazz. Curioso também é o fato de que a mãe de Amy se chama Janis, assim como a cantora ícone da geração hippie.
A fama tão sonhado por muitos revela-se difícil demais de lidar. Anestesiar as emoções por meio de drogas lícitas ou ilícitas parece a única forma que os gênios mais sensíveis encontram para suportar as pressões impostas diante da responsabilidade de manter-se no topo. Jovens são atirados no olho do furacão e espera-se que eles consigam sair por sí sós do turbilhão em que se encontram. Alguns conseguem fazê-lo. Outros arrastam-se por anos até que a tragédia por fim aconteça. Muitos são os que sucumbem rapidamente como a chama de um fósforo que apenas necessita de um leve sopro para se apagar.
Não há maldição de fato, nem tampouco conspiração. Morre-se aos 27 como aos 42 ou 51. A flor mais delicada do canteiro é a que menos resiste às tempestades. Assim como os mais frágeis seres humanos não resistem às pressões da fama e por fim perdem-se nas drogas, no alcool ou nas enfermidades da mente.
Que a jovem vida perdida sirva de alerta para as outras vidas que se seguem. Que a arte não se perca diante dos escândalos. Que saibamos reconhecer e preservar o que de melhor há em mais uma vida que se esvai aos 27.
Tristes coincidências são percebidas no caso. Amy se foi aos 27 anos, assim como foram também Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morisson, Brian Jones e Kurt Cobain. Assim como Janis Joplin, a influencia artística maior de Amy Winehouse era o Jazz. Curioso também é o fato de que a mãe de Amy se chama Janis, assim como a cantora ícone da geração hippie.
A fama tão sonhado por muitos revela-se difícil demais de lidar. Anestesiar as emoções por meio de drogas lícitas ou ilícitas parece a única forma que os gênios mais sensíveis encontram para suportar as pressões impostas diante da responsabilidade de manter-se no topo. Jovens são atirados no olho do furacão e espera-se que eles consigam sair por sí sós do turbilhão em que se encontram. Alguns conseguem fazê-lo. Outros arrastam-se por anos até que a tragédia por fim aconteça. Muitos são os que sucumbem rapidamente como a chama de um fósforo que apenas necessita de um leve sopro para se apagar.
Não há maldição de fato, nem tampouco conspiração. Morre-se aos 27 como aos 42 ou 51. A flor mais delicada do canteiro é a que menos resiste às tempestades. Assim como os mais frágeis seres humanos não resistem às pressões da fama e por fim perdem-se nas drogas, no alcool ou nas enfermidades da mente.
Que a jovem vida perdida sirva de alerta para as outras vidas que se seguem. Que a arte não se perca diante dos escândalos. Que saibamos reconhecer e preservar o que de melhor há em mais uma vida que se esvai aos 27.
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
A Amizade
Bem precioso, almejado por todas as criaturas. A amizade é uma doce relação que nasce com um pequeno gesto, às vezes até uma palavra. Quase impossível de se recordar o momento exato que originou tal laço, mas quando o mesmo é fortalecido fica ainda mais difícil de ser rompido.
A amizade verdadeira é como uma árvore. Começa à partir de uma pequena semente, plantada ao acaso por nós ou pelas circunstâncias da natureza. Rapidamente a semente torna-se uma muda, ainda frágil que precisa ser regada e protegida do sol ou chuva excessivos. Sobrevivendo aos primeiros invernos e verões, cresce e torna-se árvore que floresce e dá frutos. Conforme o tempo vai passando, as raízes tornam-se cada vez mais profundas de tal modo que mesmo se algum machado desalmado desferir um golpe fatal na bela árvore, não será capaz de desenterrar os profundos laços fincados no chão.
Ao longo da nossa vida, muitas sementes são plantadas. Muitas mudas crescem. Porém a vida com suas voltas e reviravoltas nos faz abdicar de algumas destas preciosas mudas para que possamos nos dedicar melhor a outras sementes, mudas ou árvores. Porém mesmo não fincando tão profundamente suas raízes, as mesmas mudas que passaram por nossas vidas nutrem nossas almas e dão sentido a nossa existência.
O coração humano é amplo e passível de encher-se de amor de maneira infinita, sem nunca transbordar, sem que se chegue a um limite. É sempre possível receber mais um amor em forma de amizade.
Aos amores que passam em nossas vidas e semeiam nossa existência com sua terna amizade, obrigada pela água que nos nutre e pelo amor que nos consola. Continuemos plantando nossas sementes e cultivando nossas mudas para que nosso jardim tenha as mais belas e diversificadas árvores.
A amizade verdadeira é como uma árvore. Começa à partir de uma pequena semente, plantada ao acaso por nós ou pelas circunstâncias da natureza. Rapidamente a semente torna-se uma muda, ainda frágil que precisa ser regada e protegida do sol ou chuva excessivos. Sobrevivendo aos primeiros invernos e verões, cresce e torna-se árvore que floresce e dá frutos. Conforme o tempo vai passando, as raízes tornam-se cada vez mais profundas de tal modo que mesmo se algum machado desalmado desferir um golpe fatal na bela árvore, não será capaz de desenterrar os profundos laços fincados no chão.
Ao longo da nossa vida, muitas sementes são plantadas. Muitas mudas crescem. Porém a vida com suas voltas e reviravoltas nos faz abdicar de algumas destas preciosas mudas para que possamos nos dedicar melhor a outras sementes, mudas ou árvores. Porém mesmo não fincando tão profundamente suas raízes, as mesmas mudas que passaram por nossas vidas nutrem nossas almas e dão sentido a nossa existência.
O coração humano é amplo e passível de encher-se de amor de maneira infinita, sem nunca transbordar, sem que se chegue a um limite. É sempre possível receber mais um amor em forma de amizade.
Aos amores que passam em nossas vidas e semeiam nossa existência com sua terna amizade, obrigada pela água que nos nutre e pelo amor que nos consola. Continuemos plantando nossas sementes e cultivando nossas mudas para que nosso jardim tenha as mais belas e diversificadas árvores.
Sou professora de canto e violão do SESC. Sou contralto e violonista erudita. Formada em Licenciatura em Música pela UFPE. Futura Musicoterapeuta.
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