sexta-feira, 16 de março de 2012

O Mundo Está Ao Contrário E Ninguém Reparou

Drogas, roubo, violência, guerras, desmatamento, acúmulo de lixo. O mundo chora. Sem água potável, sem camada de ozônio. O mundo é imediato, não tem tempo para as questões futuras. Mas e as futuras gerações?

A mão rouba não mais para comer, mas para alimentar aquilo que o faz morrer. A urgência está na saciedade e não mais na sobrevivência. A fuga é o melhor caminho, o prazer instantâneo. Somos caminhões que atropelam aquilo que se intromete no nosso caminho.

Família, amigos, mestres foram rebaixados de ícones à entraves. Eu sou senhor de mim. Como tal, agirei em prol de mim mesmo, não importando os outros. Dessa forma, cabe a mim decidir se espancarei um animal até a morte, estapearei meus professores, queimarei um mendigo na rua ou roubarei para comprar droga.

Esta é a realidade do mundo. A vida do outro não tem mais valor. Se no passado o meu direito terminava quando o do outro começava, atualmente o outro não tem direito algum. Individualismo e egocentrismo reinam. Matam-se pais, mães, irmãos. Elaboram-se planos de guerra visando lucros. Estimula-se a competição desenfreada e o consumismo. Aliás, o consumo é mais intenso do que a capacidade de reciclar. Não há espaço no mundo para tanto lixo.

Rios morrem, doenças proliferam. O câncer toma conta do mundo. Corrói todo o sistema, espalhando-se como um vírus do sistema operacional. Crianças, adolescentes, adultos, idosos. Não há quem esteja imune de tal mal.

As boas maneiras e o respeito mútuo estão mortos. Ou pelo menos agonizantes. E a vida está cada vez mais acelerada. Produção em massa, trabalho quantitativo, pouco descanso, fast food. Pouco tempo para comer, pouco tempo para viver.

Parem o mundo que eu quero descer!!!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Aos Foliões e Devotos Religiosos: Carnaval x Fé

Mais um ano a festa pagã mais comentada do país se inicia em meio a uma guerrinha particular com os fervorosos seguidores do Cristianismo. A cada ano parece-me que deve-se fazer uma escolha entre Deus ou o carnaval. Me pergunto o por quê de tal imposição e não encontro uma explicação plausível que me convença da maleficência do carnaval. Carnaval não é religião e não possui culto, seja ele à Deus ou ao temível e provavelmente inexistente Diabo.

Atribui-se o rachasse ao Carnaval por este se tratar de uma festa pagã. Outro argumento insuficiente, visto que o paganismo é um termo erroneamente empregado nas religiões cristãs. Pagão é um termo que designava os povos politeístas e que passou a ser usado para designar os não cristãos. Não tem nada haver com adoração ao mal. O fato é que 90% dos feriados e datas comemorativas do nosso calendário devem-se às festas românicas religiosas e o carnaval destoa das demais por não possuir um culto arraigado ao seu sentido. Ela existe apenas para ser celebrada.

A religião nada nos impõe, mas os religiosos obrigam aos seus servos fazerem uma escolha, como se brincar e se divertir fosse pecado e contra os preceitos da igreja. Não entendo por que a dor e o sofrimento são tão celebrados nas religiões, mas a folia e a diversão são condenáveis. Obviamente que não são todos os seres humanos que se divertem com o tipo de diversão proporcionada pelo carnaval, mas não se deve demonizar algo apenas para causar medo aos fiéis.

Se ocorrem crimes, badernas e desordens isso não é privilégio do carnaval. É uma falha de carácter humano e pode ocorrer em qualquer época do ano. Aliás os maiores crimes da história foram cometidos em nome da fé. A fé cega que tenta obrigar que todos os seres humanos sigam aos mesmo dogmas e às mesmas crenças sejam elas católicas, protestantes, judaicas, muçulmanas, etc.

Sou católica, temente a Deus e minha fé independe de seguir cegamente aos dogmas religiosos. Brincar o carnaval não me faz amar menos a Jesus nem me afasta do caminho do respeito e amor ao próximo. É possível ser feliz em 3 dias e estender essa felicidade para os demais 362 dias do ano, ou 363 em anos bissextos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney: I Will Always Love You

Uma voz ecoa em meio ao silêncio. Canta em vibrato os versos de Dolly Parton e revigora aquilo que em sua essência já parecia ser perfeito. Naquele momento, embora a artista já obtivesse considerável fama, surgiu um mito. Bastou-lhe uma canção, uma versão, e o mundo mudou em um instante. Exibida à exaustão, nos embriagamos de Whitney. Comemos e bebemos, fartamo-nos de sua voz e de seu talento. Talento que vem de berço, uma vez que sua mãe foi backing vocal de Elvis Presley e sua prima é a lendária musa de Burt Bacharach, Dionne Warwick.

Entre baladas e canções dançantes, sua voz manteve-se firme enquanto pode. Enquanto não sucumbiu à voracidade da fama. Conturbadas relações pessoais, aliadas às já conhecidas pressões midiáticas, minaram aos poucos a auto confiança e sanidade. O refúgio foram as drogas. A fuga da realidade que ao longo dos anos tem deixado órfãos legiões de fãs que, inconsoláveis, não encontram substitutos para os seus ídolos.

A morte é impiedosa para todos. Mas ver morrer a arte ainda enquanto jovem é devastador.

Os vícios roubaram-lhe a juventude, o vigor físico e a voz. Mas ela lutou, tentou livrar-se de seus algozes e enfrentou multidões que impiedosamente vaiaram-lhe enquanto ela tentava ressurgir das cinzas. Não é fácil fazer voltar a glória perdida. Me recordo de Callas que viu sua voz "quebrar" no meio de uma ária, cercada dos críticos olhares de ouvintes que apenas querem atestar o fracasso das grandes estrelas.

Mas nós sempre amaremos Whitney. Sempre a recordaremos. Não como a figura esquelética, frágil e dormente pelo vício. Amaremos a voz que nos tomou os corações e nos fez sonhar e alegrar-nos por existir música neste universo. Rest in peace Whitney, we will always love you!!!!

Parceiro: Casa da Musika

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pinheirinho: O Caso do Descaso.

Tropas de choque, bombas de efeito moral, balas de borracha. Uma comunidade destruída em questão de horas por força de uma ordem assinada em papel com tinta e sangue. O povo lutou, reivindicou seus direitos, mas a força bruta prevaleceu. Entre as lágrimas de muitos, a revolta surgiu. Incendiando a alma dos moradores e os carros e estabelecimentos comerciais que ali estavam postos. Tudo em virtude da falta de trato para questões delicadas que possui o nosso sistema.

Não é difícil encontrar casos neste país em que terrenos improdutivos e não utilizados pelos seus donos sejam tomados por aqueles que por necessidade invadem-os para ali residir. Com cidades cada mais mais "inchadas", a população menos abastada vai sendo comprimida em pequenos guetos e acaba por procurar soluções para viver mais dignamente. Por não possuírem poderio econômico, apossam-se destes terrenos e lá depositam o pouco que possuem. Com suor constroem suas casas e estabelecimentos comerciais, ainda que ilegalmente.

Os legais donos ignoram estes fatos. Não necessitam daquele terreno de imediato e portanto não reivindicam de imediato a posse. Mas a falência vos chega e todas as posses são necessárias para salvar o que puderem do patrimônio. Então aqueles posseiros que eram 10 multiplicaram-se em 1000. Ali, famílias se formaram e este fato não pode ser ignorado.

O direito legal dos reais donos não pode passar por cima dos direitos humanos. Não é direito invadir as casas que com tanto esforço foram construídas de forma brutal e estúpida. A falta de competência do nosso sistema e das pessoas que o operam gera um ambiente de guerrilha. De um lado moradores armados de paus e pedras. Do outro a força policial e toda sua magnânima estupidez. O caos impera.

Os políticos que tanto alardeiam em campanha o tanto de novas moradias que serão construídas emudecem nas horas críticas. Quem estava lá para remover dignamente aquelas famílias para novos e legais imóveis? Quantos foram os que dialogaram com aquela população para evitar as chocantes cenas de escavadeiras derrubando moradias, em meio ao desespero dos que nelas habitavam?

Nos chega agora a ONU tal como uma mãe que dá bronca num filho que acaba de fazer alguma bobagem qualquer. Um país cuja história tanto traz de lições quanto às questões de direitos humanos. Uma nação que vive sob o manto da "ORDEM E PROGRESSO". A ordem é a força e o progresso é privilégio de poucos. Mais uma vez mostramos ao mundo a nossa truculência.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quando O FBI Fecha Uma Porta, Os Hackers Abrem Um Túnel

O livre compartilhamento de videos e música está sofrendo graves ameaças. Os protestos tomaram conta das redes sociais e sites do mundo inteiro. Toda essa agitação se deve à duas siglas: SOPA e PIPA. Duas propostas do congresso e senado norte-americanos que prometem dar fim às formas de "pirataria" às quais estamos todos tão habituados.

SOPA é a sigla de Stop Online Piracy Act e PIPA significa Protect IP Act. Ambas as propostas trazem a tônica da censura. Um retrocesso no que já foi conseguido no passado no que se refere a divulgação de conteúdo. Quem não se lembra das brigas homéricas de bandas contra o NAPSTER? Naquela época, baixar músicas online era visto como a pior forma de pirataria. Anos se passaram, milhares de sites e programas foram criados com os mesmos critérios, sejam eles gratuitos ou não, e o que se viu foi apenas uma mudança na velha ordem de divulgação de material.

Obviamente que as grandes indústrias estão em polvorosa com a facilidade em que hoje se consegue ter acesso aos materiais de áudio e vídeo via download. Fácil de entender, tomemos por exemplo a indústria fonográfica. No princípios os velhos discos de acetato eram vendidos em compactos que traziam apenas duas canções. O lado "A" trazia o "hit" que tocava nas rádios e o lado "B" trazia uma canção qualquer que podia ser muito boa ou muito ruim. Mas uma única canção não interessava muito e era terrível ocupar tanto espaço na prateleira com tantos mini discos. Então veio o LP, o cd, o mp3, etc. Os lucros foram diminuindo e o esforço para criar um produto que nos leve a desembolsar 30 ou 40 reais tem aumentado. Essa equação produto de qualidade x lucro tem deixado as empresas de cabelo em pé.


A briga contra os sites de compartilhamento ganhou um destaque especial depois que Megaupload foi fechado e seu fundador Kim Schimitz e outros 3 diretores da empresa foram presos. A revolta tomou conta das redes sociais, tais como o Twitter e já se pensam alternativas para compensar a perda. Não demorará até que os hackers criem novas formas de burlar os "cadeados" impostos pelo FBI e novos meios de compartilhamento de dados invadam nossos pc's. A verdade é que tais atos só prejudicam aos que querem baixar arquivos em sites confiáveis, sem temer contaminar suas máquinas com os temíveis vírus.

Não se pode parar uma onda em pleno oceano. Os downloads de arquivos são uma realidade e já fazem parte do nosso cotidiano e ignorar ou tentar barrar isto é no mínimo ingênuo. Criam-se barragens mas as águas ainda podem escoar pelos lençóis subterrâneos. É apenas mais um desafio, não se enganem. Esta briga está longe de ter se encerrado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Primavera Da Nossa Vida

Vejo a vida por estações. Da primavera de nossa mocidade à quietude do inverno da nossa jornada. Jovens sementes brotam na estação das flores. Necessitam de sol, água e afeição para frutificarem. Na primavera da nossa vida, somos belos, inocentes e gratos pela simples existência. Somos ainda isentos de ambições mas dotados de grandes sonhos. A vida nos passa sem que demos conta pois dela apenas desfrutamos sem nada exigir, sem metas nem prazos. Ao olharmos para trás, será de nossa primavera a lembrança mais doce de nossa existência, aquela da qual mais sentimos falta. Falta de quando eramos inocentes, puros e que da vida nada pedíamos senão apenas viver.

Nos chega o verão e com ele as grandes aventuras. A busca incessante por um lugar de destaque ao sol. A vida corre e nós seguimos estes passos acelerados. A existência não nos é o bastante. Ansiamos cada vez mais por aquilo que ainda não possuímos: carreira, família, estabilidade, etc. A cada objetivo conquistado, surge uma nova ambição. Somos insaciáveis, ávidos por conquistas. O céu parece-nos ser o limite, e até mesmo este é passível de ser superado uma vez alcançado. O sol nos queima e precisamos construir nossos alicerces para de seus efeitos danosos escapar.

Corremos tanto durante o verão que por vezes deixamos de notar que o outono nos vem chegando. Impiedoso, ele não se importa em roubar-nos a juventude e a beleza de nossas folhas, antes verdes e que agora começam a ressecar. Murcham as flores, caem as folhas secas. Nos damos conta de que a vida nos passou depressa demais. As perdas são inevitáveis e muitos são os que tentam se agarrar ao pouco daquele sol que nos resta. Outros sentem demasiadamente a nova estação e se perdem em lembranças do passado. Por fim as chuvas parecem lavar um pouco desse sentimento e seguimos olhando em frente. As ambições de outrora perdem lugar para um maior cuidado com o "eu". Preparamo-nos para a nossa última estação.

O inverno traz-nos serenidade. Voltamos ao início e alegramo-nos pela nossa existência. O branco da neve cobre-nos os cabelos. Teremos quem nos aqueça quando o frio se intensificar? As folhas e flores do nosso jardim foram plantadas. Nossos olhos cuidadosos fitam essa paisagem ainda adormecida. Ela será a continuação da nossa existência, a garantia de uma nova estação.

Adormecemos. Uma nova primavera nos cobre de flores, folhas e frutos. A vida se renova. Nossa alma se eleva para prestigiar novamente o milagre da existência humana.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cultura x Mídia: A Música das Massas

Uma publicação polêmica circula nas bancas e é amplamente divulgada nas redes sociais. Na referida publicação, a música das massas é legitimada como sendo cultura. Mais ainda, diz que o nossos valores estão traduzidos na letra da referida canção. Mas será que as canções midiáticas e massificadas podem ser consideradas cultura?

Que a mídia controla o pensamento e, muitas vezes, as atitudes das massas, isso não se discute. Porém a produção musical de mídia é, na maioria das vezes, produto de consumação rápida. O que toca nas rádios incessantemente de janeiro à março, desaparece por completo em novembro ou dezembro. Em sua maioria, essa produção é descartável e sem alicerce que a façam enraizar-se verdadeiramente como cultura.

Existem muitas definições para a palavra "cultura". Porém, vale ressaltar que a cultura é um dos elementos que se utiliza para classificar a identidade de um povo. Como pode a "cultura de massa" identificar um povo se a mesma não possui identidade definida? Ela é algo hoje e amanhã não é mais, torna-se outra coisa que não tem relação nenhuma com o que era anteriormente. Pelo menos não no quesito estético ou mesmo da forma. Assemelha-se apenas pela explosão mercadológica.

Não que o mercado tenha que obrigatoriamente estar dissociado da cultura. A arte e a cultura também podem ser consumidos enquanto produtos, mas nem tudo o que é produto será arte ou cultura.  Para que o produto seja artístico, precisa ter relevância no futuro. Para ser cultural, necessita imprimir ou traduzir alguma característica de identidade de um segmento populacional.

Seria possível um produto artístico e cultural ser consumido em larga escala? Sim tal possibilidade é verdadeira. Porém a velocidade da produção artístico/cultural é incompatível com o que deseja a mídia de consumo. Por esse motivo, os produtos que trazem rótulos e embalagens chamativas, por vezes apelativas, e cujas letras são de fácil memorização são mais comercializáveis. Exibidos à exaustão, serão substituídos logo que perderem sua força no mercado.

É necessário que se diferencie o que é cultura, arte e mídia. O que está em alta e faz sucesso não necessariamente se enquadrará nas duas primeiras. A arte e a cultura são eternas, porém o que é de mídia logo cai no esquecimento.

Parceiro: Casa da Musika