quarta-feira, 23 de maio de 2012

Música nas Escolas

O ano de 2012 marca a volta definitiva do ensino obrigatório de música nas escolas. A lei que inicialmente foi celebrada por tantos, hoje traz três problemas de grandes proporções: existem profissionais suficientes para atender às várias instituições de ensino? Estariam os professores da educação básica aptos para lecionar uma matéria da qual não são especialistas? Teriam as escolas condições mínimas, de espaço físico e materiais, para a inclusão da música na grade curricular?

Me assusta o fato de serem encontradas brechas para que os profissionais da área musical sejam negligenciados mais uma vez. Vejo que muitos profissionais da educação defendem que a matéria Música pode ser lecionada por profissionais de qualquer área. Não quero dizer que uma pessoa formada em outra área do conhecimento seja totalmente inapta para a função. A questão é que deveria sim exigir-se uma formação mínima, mesmo que em nível médio, da disciplina em questão.

Sinceramente, não acredito na eficácia dos cursos de pós graduação para o ensino da música para os profissionais que nunca tiveram contato com esta linguagem, tampouco acredito nas capacitações. Acredito que estas soluções são apenas paliativos para dar crédito à instituições despreparadas para a nova situação.

Sendo um pouco otimista, penso numa escola que possui um profissional capacitado para a função. Mas a escola teria ainda que criar condições mínimas para que este profissional exerça seu trabalho. Uma aula de música exige som, muitas vezes em alto volume. Como fazer com que a aula de música não seja um infortúnio para as demais disciplinas que estejam sendo estudadas em salas vizinhas? Uma sala com condições mínimas para o trabalho é imprescindível. Isso sem falar no instrumental. Alguns podem defender que o trabalho musical seja apenas vocal, ou com instrumentos construídos com material reciclável. Estas possibilidades são válidas, mas um mínimo de instrumentos em boas condições seria ideal para o bom aproveitamento da disciplina.

Diante de tantos questionamentos, alguém pode até dizer que talvez a inclusão da música como elemento obrigatório do currículo não seja lá uma ideia tão genial. Porém eu ainda defendo que as escolas devem ter em seu currículo esta disciplina. Não apenas esta, mas também as demais linguagens artísticas. Porém a implantação destas disciplinas não deve ser feita de remendos. É preciso que haja uma responsabilidade em não apenas cumprir uma lei, mas em valorizar a arte, seus profissionais e oferecer um ensino de qualidade.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Solidão da Lua

A Lua existe. Sem que seja necessária a existência da noite ou do dia, a Lua existe. Ela não exige condições para a sua existência. Discreta durante o dia, brilhante durante a noite, existe solitária no firmamento. Quando Nova, esconde-se na sombra da Terra, quando Cheia atrai as marés.

Rodeada pelas estrelas que queimam ao seu redor, não possui luz própria. Reflete a magnitude do grande Astro Rei. E solitária contempla como todo o Sistema cerceia o Sol, girando em torno deste e dele nutrindo-se de energia.

A Lua deseja o Sol, deseja ser Sol. Quer para si a a glória de ser o centro de tudo. Mas a Lua não é o Sol. E nem o tem. A Lua é apenas a fiel escudeira do planeta Terra. Por vezes, enciumada, a Lua esconde o Sol por detrás de si, mas este não se contenta em ser um mero coadjuvante. Mesmo oculto, sua imensa luz escapa à circunferência da Lua, formando o mais belo dos Anéis.

A Lua afasta-se e contempla a vitória do Sol. Permanece só, apenas um reflexo. Porém um belo reflexo, contemplado pelos amantes apaixonados, almejado pela ciência dos homens e detentora dos grandes mistérios.

Não há dragão, não há bandeira. A Lua permanece incauta, intocável, distante do fogo e do vento. Solitária e contemplativa, a Lua reflete a alma dos sonhadores.