sábado, 17 de dezembro de 2011

Quando a Humanidade Perde Seu Espaço Frente à Crueldade.

Cansei de ouvir histórias de violência. Animais arrastados, espancados até a morte. Crianças assassinadas por quem deveria protegê-las de todo o mal. Idosos indefesos, maltratados por quem é pago para cuidar da saúde deles. O seres deste mundo estão cada vez menos humanos. A violência e a crueldade estão muito presentes em nossa vida.

As vitimas são sempre aqueles que tem menos condição de se defenderem. A covardia dos seres deste mundo é tanta que os mesmos descarregam todo o mal que trazem em si nos que são mais fracos e que não tem condição de se defenderem.

Renato Russo cantava que "a violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais". O fascínio pelo cruel vem da falta de limites, esquecida em velhas lições que nos eram passadas quando crianças. A educação se baseia apenas no depósito massivo de conhecimento. O respeito aos seres vivos, à natureza e aos semelhantes é matéria riscada do nosso cotidiano.

Mais uma vez cito Renato Russo. "Hoje não dá. A maldade humana agora não tem nome... Gostaria de não saber desses crimes atrozes. É todo dia agora...". São meninas entre 12 e 14 anos que esfaqueiam uma colega e queimam-lhe as pernas. É uma assassina de cãozinho Yorkshire. Quem será capaz de impor limites à estes monstros?

Quando se comete violência em frente a uma criança, o que estamos ensinando a este menor? Como crescerá um ser que desde a mais tenra idade aprendeu que o maior e mais forte deve impor-se violentamente ao mais fraco e indefeso?

Precisamos trazer de volta os velhos valores de respeito, amor, cuidado. O mundo não precisa de depósito de conhecimento. Os novos meios fazem com que a informação esteja disponível para todos. Mas os valores que se perderam no passado é que devem ser matéria obrigatória na educação e na vida de todos. Não podemos viver e conviver com este caos humano. É preciso se revoltar, se manifestar contra toda e qualquer violência. Precisamos preservar a nossa humanidade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Aos Músicos

Salve o dia em que se reverencia o trabalho daqueles que trazem melodia e harmonia para a nossa vida. Salve os que trabalham para levar divertimento aos demais. Dia 22 de novembro se comemora o dia da música. A data remete à padroeira dos músicos, Santa Cecília, mártir que utilizou-se da música para suportar a dor que os ferimentos mortais lhe causavam.

A música nos toma por completo. Quando menos esperamos, ela nos seduz e nos arrasta para seu leito melodioso. Envoltos em sua harmonia, hora consonante, hora dissonante, mergulhamos num mar de colcheias e semicolcheias, fusas e semifusas, mínimas e semínimas. As claves nos guiam por registro graves e agudos de frequências modulares que culminam na cadência perfeita da nossa existência.

No andamento da vida do músico, muitas vezes passamos por momentos Lúgubres, Tristesse. A necessidade obriga o músico a viver em Prestíssimo, entre aulas e concertos, estudos e partituras. Mas ao final do dia voltamos em Allegro porque o fazemos por amor.

Muitas pausas podem ocorrer na vida de um músico, ritardando a tão almejada estabilidade financeira. Se a pausa é de breve à longa, muitos acabam enveredando por outros caminhos, provocando uma cadência interrompida ou deceptiva. A necessidade pode afastar um músico de sua profissão, mas não consegue apagar o que na alma está marcado em Fortíssimo.

A todos nós que pela música vivemos. Temos o nobre trabalho de atingir a sensibilidade humana por meio da manipulação dos sons. Cada qual com o seu timbre característico levando a música aos corações humanos, seja pelo meio acadêmico, seja pelo meio da apreciação. A música sobrevive graças aos heróis que dela e por ela vivem. Que continuemos a nossa jornada musical sem que a mesma jamais chegue ao Fine.

Feliz dia dos músicos!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Futebol: Paixão Sangrenta

Um time cai, um outro ri. Pelo riso se morre. Se mata pelo orgulho ferido de um time de futebol em declínio. Não são raros os casos de brigas entre torcidas organizadas que acabam por gerar tragédias. Não entendo a violência, tampouco uma violência gratuita que gira em torno de uma instituição, de um clube.

Sim o futebol é uma paixão. Aliás, quem de nós torcedores nunca xingou o adversário ou o juiz no calor de uma partida. Xingamos até os nossos próprios jogadores e técnicos. Também nos alegra fazer piadas bem humoradas acerca dos nossos mais respeitáveis adversários. É apenas rivalidade, e é bom que ela exista. Porém, dentro dos limites da razão.

Mas quando a paixão se torna uma patologia, se morre e se mata por um escudo, uma bandeira, um hino, uma camisa. Covardemente, os fanáticos agridem-se uns aos outros com armas de fogo, armas brancas, chutes ou pontapés. Balas de revólver tiram vidas e destroem sonhos. Deixam pais em luto e crianças órfãs. Selvageria muitas vezes televisionada.

Me recordo de um confronto entre torcidas da esfera paulistana de futebol. O estádio depredado por vândalos e assassinos em potencial que, armados com os destroços das cadeiras, matavam uns aos outros com pauladas.Que tipo de amor doentio é esse? Por que matar alguém que você nunca viu na vida, por causa de um time de futebol?

O sofrimento pela queda, eliminação ou decadência de um time não deve estar acima do repeito à vida. Não é justo abreviar uma vida por causa de uma rixa entre torcidas. Deveríamos acabar com as torcidas organizadas antes que as mesmas sejam responsáveis pelo fim do futebol.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Homossexualismo e a Intolerância.

Desde que pisamos neste universo e começamos a nos relacionar uns com os outros é muito provável que as relações entre seres do mesmo sexo já existissem. Ao passo em que os seres humanos iam se distinguindo dos demais animais, as relações afetivas foram adquirindo um carácter diferenciado que não se baseava apenas no sexo e necessidade de procriação. Da mesma forma, as relações homoafetivas foram se desenvolvendo na sociedade, porém abafada pelas regras impostas pelas normas e regimes na qual a sociedade firmou suas bases.

Foram necessários muitos séculos para que os homossexuais tivessem o direito de viverem sua orientação em sua plenitude. Ainda nos dias atuais prefere-se que os mesmos mantenham sigilo de suas ações. A hipocrisia faz com que muitos sequer liguem para a existência de gays ou lésbicas, desde que os mesmos não estejam inseridos em sua família e nem façam demonstração pública de afeto. O simples ato de beijar em público causa a revolta de muitos.

Alguns mantém dentro de si um grau tão elevado de intolerância que utilizam de violência física e/ou moral para tentar impor sua condição heterossexual aos demais integrantes da sociedade. Que dizer do tal estupro corretivo? Esta prática animalesca que visa por meio da violência sexual "curar" pessoas, mulheres preferencialmente, do homossexualismo. Que dizer também daqueles que simplesmente agridem verbal ou fisicamente um casal homoafetivo que está caminhando de mãos dadas numa rua?

Quando a intolerância vem de casa, uma situação que poderia ser facilmente discutida e entendida, pode ganhar ares de tragédia shakespeariana. Se as pessoas que compartilham o mesmo código genético e as mesmas memórias de vida não são capazes de tolerá-los, como podemos pedir que a sociedade como um todo  o faça? Sem apoio e muitas vezes sendo expulsos de casa, o caminho a seguir acaba por recair na prostituição.

Muitos são os que tentam "curar" o homossexualismo pela religião. Embora não consista na violência física ou moral, essa pratica é na verdade uma violência psicológica que tenta punir um suposto pecado e forçar o indivíduo a entender a sua própria natureza como sendo uma tentação demoníaca. Ao invés de "curado" o indivíduo fica reprimido. Suas funções biológicas continuam as mesmas, assim como seus desejos. Apenas os mesmos não são externados e são "controlados" por orações e penitências.

Só poderemos considerar a nossa sociedade como justa e igualitária quando a mesma for capaz de viver em harmonia com todas as suas diferenças, sejam elas de afetividade, religiosas, políticas, raciais, etc.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cai o Rei de Espadas...

É o fim de mais uma ditadura. Mais uma nação que se levanta contra a brutalidade e monstruosidade de um ser que se diz humano. O espetáculo da violência foi visto e noticiado por todos os meios de comunicação conhecidos. Vimos um corpo ser exibido como troféu.

Foram 32 anos de governo. Muitos dos que participaram de sua perseguição sequer conheceram sua nação livre. O ódio cresceu dentro deles ao mesmo tempo que os mesmos cresciam. A liberdade tem um preço difícil de se pagar. Muitas vezes o valor pago é a própria alma.

Não há como louvar os acontecimentos que levaram a derrubar o ditador. Também não nos cabe julgar de nossas confortáveis nações as atitudes daqueles que cometeram tais atos. Louvar ou repudiar tais atos seriam um equivoco de nossa parte. Não se pode louvar o frio assassinato de um homem que já se encontrava dominado por completo. Não se pode repudiar um ato cometido por pessoas que na vida conviveram com o terror de perto.

Nos cabe apenas registrar que mais um ditador deixou de existir e torcer para que esta nação se erga livre e justa. Que a Líbia se fortaleça e que seus filhos a governem com sabedoria e bondade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ao mestre, com carinho

Dia 15 de outubro é comemorado o dia do professor. Nada mais justo que esta profissão tão antiga tenha uma data comemorativa, especialmente para se fazer lembrar de quão importante é a figura do professor na nossa sociedade. Sem pieguices de querer fazer do professor um "salvador da pátria". O professor não é o Messias e nem deveria ser. Mas as circunstâncias às quais estes profissionais são colocados, fazem-os assemelhar-se à guerreiros solitários que lutam por causas aparentemente perdidas.

Turmas lotadas, acúmulo de funções, recursos escassos e remuneração indigna. Estas são algumas das condições dos mestres da educação neste país. Não é à toa que as Licenciaturas tem sido cada vez mais preteridas pelos alunos que prestam exames admissionais nas Universidades. Ser professor hoje é profissão de risco, e sem taxa de insalubridade. Esforços sonoros que provocam patologias nas pregas vocais, excesso de trabalho que os obriga a terminarem relatórios e correções em suas horas de folgas e fins de semana. O professor é um trabalhador em tempo integral.

Antes reverenciado como mestre, nos dias atuais a imagem do professor tem sido a de um serviçal, especialmente nas esferas particulares. Na base do "eu pago", o mestre vira vassalo que depende do seu senhor e portanto deve servi-lo como aquele bem entender se quiser manter-se empregado. E com a crescente violência social o professor ainda tem enfrentado as mais diversas formas de ameaça, incluindo o risco de morte.

Lembro-me bem da imagem maternal das professoras de primeiras séries. Ensinar tem se tornado cada vez mais um ato de amor. Afinal, que outro sentimento nos faz suportar tanto senão o sentimento maior de todos?  Embora não compartilhe da ideia de que os professores são substitutos dos pais, acredito que o mestre deve agir para o melhoramento do ser social. A educação deve partir das duas instancias, a familiar e a escolar.

Tantos exemplos podem ser encontrados na literatura ou nas artes cinematográficas de grandes mestres da arte de lecionar, sejam eles reais ou fictícios. Como não lembrar da figura de Sidney Poitier que retrata um professor negro lecionando para uma turma de brancos rebeldes. Lembrar de como aquele ambiente arredio de preconceitos raciais se transformou e deu lugar a um sentimento de adoração. Que bom seria se exemplos como este ocorressem nos dias atuais.

Educar é também uma arte. É preciso muita destreza para instruir as diferentes mentes que encontramos pelo caminho. Mentes com processos de aprendizagem distintos, bem como diferentes vivências. Diagnosticar e aplicar a metodologia ideal para cada indivíduo requer paciência e perseverança do educador. Conquistar a confiança dos mais rebeldes, requer empenho.

Obviamente na nossa jornada pela vida nos deparamos com professores que nos desagradam. Muitos destes, presos às velhas fórmulas que outrora pareciam eficazes. Atados numa atmosfera que não mais existe, devido a constante renovação social em que vivemos, estes mestres do passado tornam-se por vezes arrogantes e ultrapassados. Portanto, na arte de educar, o mestre deve estar sempre ávido pela renovação, pela reciclagem de conteúdos e métodos.

Aos mestres do passado, presente e futuro, obrigado por sua dedicação. Que possamos todos construir nações de pensadores livres. Que nos seja possível alcançar o respeito devido pela dedicação empregada na eterna busca pelo conhecimento. Dia do professor não é apenas uma data comemorativa do calendário. Dia do professor é todo dia que o mesmo dedica aos seus pupilos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Conspiração

Os Estados Unidos são conhecidos pela força bélica, econômica e pelas teorias da conspiração. Cada fato novo, notícia de grande repercussão ou mesmo um grupo novo de sucesso, surgem teorias mirabolantes para explicar os fatos em suas "reais" bases. Não tem sido diferente com os atentados de 11 de setembro. Muitos são os que acreditam que a família Bush teria tramado todo aquele horror que acompanhamos pela televisão.

Sejamos muito cautelosos antes de cairmos nas redes das teorias conspiratórias. É bem verdade que os governos americanos tem uma mania irritante de financiar novos regimes de governo pouco democráticos. Foi assim com o nosso regime militar. Temendo o crescimento do Socialismo no mundo e percebendo que o Brasil era um grande candidato a seguir tal regime, os americanos não exitaram em mandar recursos para que o golpe ocorresse e sufocasse as tentativas comunistas e socialistas.

Em outros países o mesmo ocorreu e ao longo dos anos os EUA passaram a pousarem de delegados do mundo, controlando os regimes e países mais vulneráveis. O que eles não imaginavam é que poderiam estar cavando a própria sepultura. Política é feita de alianças e as mesmas são facilmente rompidas, especialmente quando as duas partes se encontram fortes o suficiente para se enfrentarem. O governo americano cometeu um grave erro segundo análise do célebre Maquiavel: deu chances para que os "principados" conquistados pudessem se levantar contra ele.

Não acredito, sinceramente, que Bush ou qualquer outro na posição dele, seria capaz de atentar contra sua própria população visando apenas o poder econômico. Hoje a guerra está sendo repudiada pela maioria, mas 10 anos atrás, todos clamavam por ela. Nada disso difere do Vietnã. Tampouco de Hiroshima e Nagasaki. Os americanos tiveram seu orgulho ferido e mergulharam no medo e a resposta de um país cuja história é baseada em luta armada é sempre de contra atacar pela força.

Mas tal como se deu no Vietnã, os americanos se mostram fortes no poderio bélico, porém fracos em estratégias. Desta forma, o país se arrasta por 10 anos de uma guerra que lhe toma milhões e reduz sua confiabilidade a cada dia. A guerra não é mais rentável, porém o país não pode simplesmente causar a confusão e deixar a desordem para que outros arrumem a casa. É preciso dar condições para que os países invadidos possam se reerguer, o que requer mais gastos.

Muitos falam que haveriam bombas nos prédios e que eles explodiram, o que ocorreria também com outros prédios do local. Essa afirmação, além de pouco confiável é quase infantil. Um avião repleto de combustível já é uma bomba em potencial. É só observar nos mais simples acidentes desse veículo. A vasão de combustível, aliada às fagulhas do impacto são suficientes para causar danos incríveis. E diferentemente de uma implosão de um edifício, uma explosão atingirá uma área muito maior, comprometendo estruturas vizinhas as do local atingido.

Não sou a favor de guerras. Sigo Jesus, Gandhi e todos os revolucionários que pregam pela reação pacífica. Porém meus ideais contrários ao pensamento americano não me dão o direito de pregar o anti americanismo, ou de achar que os EUA são o "câncer do mundo" como muitos afirmam. E afinal quem somos nós para julgarmos as atitudes norte americanas se o próprio Brasil exerce na América Latina o mesmo papel controlador? Se quando foi formado o Mercossul, a grande queixa era a de que o Brasil exercia uma soberania exagerada, impondo sua moeda mais forte e sua forma de comércio? A verdade é que Brasil e EUA diferem apenas na proporção de sua atuação, mas os princípios são bem semelhantes.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

11 de Setembro

Sozinha, no meu quarto onde minha companhia se resumia ao meu violão. Entre acordes e dedilhados, estudos em partituras, estava mergulhada em mim mesma. Foi então que liguei a pequena televisão que lá havia e me deparei com dois gigantes em chamas. Demorei a entender do que se tratava, até ser reprisado o exato momento do impacto. O violão, meu fiel companheiro, ficou de lado. Não havia sentido, naquele momento, retornar às partituras. O mundo mudava naquele instante.

Em um ato suicido-homicida, um avião é atirado contra um edifício de trabalhadores. Em partes, nos faz lembrar de Pearl Harbor, muito embora aquela fosse uma situação de guerra e o alvo eram militares com condições de se defenderem. O World Trade Center era um local de trabalho, onde pais e mães da família trabalhavam para garantir o sustento próprio e da família. Nos aviões usado como misseis, idem.

10 anos se passaram. A fragilidade do gigante do Norte foi exposta. Nunca mais ele foi o mesmo. Tornou-se amargurado, vingativo, psicologicamente frágil. A terra das oportunidades se tornou a terra das dificuldades, das quebras de banco, da quase recessão. Guerras infinitas, dívidas em moratória, filas de desemprego superiores às ofertas de trabalho.

A perseguição no mundo árabe culminou com a morte do terrorista, mas os efeitos do terror não foram extintos. Morreu o malfeitor, mas o mal ainda vive. Endeusada pelas mentes corroídas em lavagens cerebrais, a imagem do mal ainda paira no Universo, em forma de falsos profetas que disseminam uma falsa ideia de religião. Deturpando o sagrado, formam exércitos de zumbis dispostos a porem fim às suas próprias vidas para que os grandes permaneçam em seus palácios, cercados de luxo e riqueza em sua dominação sobre os mais frágeis de sua nação.

Muitos no mundo se negam a partilharem da dor das famílias do 11 de setembro. Negam-se unicamente por uma visão política, uma rixa entre ricos e novos ricos. Não vêem além de números para contabilizarem tragédias maiores ou menores. Pouco importa se morrem dois mil ou dois milhões. São vidas, seres humanos que realizavam suas tarefas diárias, que tinham sonhos. São gente, não números. Poderiam ser um de nós ou um dos nossos. Deveríamos pensar no individual, na mãe que perdeu seu filho, no marido que perdeu sua esposa, nos tios, primos, noivos, irmãos.

Um minuto de silêncio pelas vitimas dos atentados. O olhar voltado para onde hoje fica o Marco Zero. A história não pode ser refeita, mas pode se refazer a sociedade. Mesmo abalada, triste e machucada, a fênix ainda pode surgir das cinzas, fortalecida e, quem sabe, mais justa e humana. O mundo não será mais o mesmo. Ao menos podemos sonhar que ele se torne algo melhor.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Suicídio

Mais um corpo que cai. Um voo sem asas com consequências dilacerantes. Quem segue por esse caminho sabe que não há volta. Não se interrompe um corpo em queda livre de seguir seu triste trajeto. O caminho possui início e fim, mas o meio é imutável. O que fazer quando a vida parece não valer mais à pena de ser vivida, senão findá-la por meios próprios?

A solidão, o desespero. A ideia de que não há mais porque prolongar a existência, se a mesma é coberta de amarguras e não é possível enxergar além do enorme labirinto em que no encontramos. Certa vez ouvi que o suicídio é a forma de dizer a Deus: "não precisa me despedir, eu me demito". Desistindo de lutar, o corpo se entrega ao ar, ao mar, ao chão. Pulsos cortados, corpos que saltam, doses mortais ingeridas. A vida se esvai, de forma cada vez mais frequente na nossa sociedade.

Por que este gosto pelo mórbido? Por que essa sensação de impotência social? Por que se o único bem que carregamos desde o dia em que nascemos é o dom da vida? Bem este tão valoroso, tão imprescindível. Será que ignoramos a mão que se estende em nosso socorro quando estamos mergulhados na escuridão? Seria o poço tão profundo que se torna impossível a penetração da luz?

Me assusta perceber que somos tão frágeis. Que a linha que divide a sanidade e a loucura é tão tênue. A qualquer momento ela pode se romper e nos arrastar para um mundo sombrio e tenebroso, em que somos presas fáceis atormentadas pelos nossos próprios demônios. Quem sou eu para julgá-los, se estou no alto da minha racionalidade intelectual, analisando friamente os fatos que conduzem as pessoas ao desespero?

A ideia da desistência é perturbadora. E tantos o tem feito nos dias atuais. Parece-nos que a cada dia a vida vale menos à pena. Cada vez mais o suicídio se torna tentador. É urgente que saibamos estender as mãos àqueles que não encontram uma saída. É nos devido iluminar os passos de quem se encontra na escuridão. Não nos façamos de desentendidos. A vida dos outros também pode estar em nossas mãos.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aos 27

Eis então que mais um talento se perde em tão pouca idade. Nada de novo quando se refere ao vilão desta história. As drogas são responsáveis direta ou indiretamente pela perda de alguns dos mais promissores talentos e também dos ícones já consagrados. Ao ter notícia sobre a morte de Amy Winehouse houve um choque pela perda da artista, mas também a certeza de que era só uma questão de tempo até que tal tragédia ocorresse.

Tristes coincidências são percebidas no caso. Amy se foi aos 27 anos, assim como foram também Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morisson, Brian Jones e Kurt Cobain. Assim como Janis Joplin, a influencia artística maior de Amy Winehouse era o Jazz. Curioso também é o fato de que a mãe de Amy se chama Janis, assim como a cantora ícone da geração hippie.

A fama tão sonhado por muitos revela-se difícil demais de lidar. Anestesiar as emoções por meio de drogas lícitas ou ilícitas parece a única forma que os gênios mais sensíveis encontram para suportar as pressões impostas diante da responsabilidade de manter-se no topo. Jovens são atirados no olho do furacão e espera-se que eles consigam sair por sí sós do turbilhão em que se encontram. Alguns conseguem fazê-lo. Outros arrastam-se por anos até que a tragédia por fim aconteça. Muitos são os que sucumbem rapidamente como a  chama de um fósforo que apenas necessita de um leve sopro para se apagar.

Não há maldição de fato, nem tampouco conspiração. Morre-se aos 27 como aos 42 ou 51. A flor mais delicada do canteiro é a que menos resiste às tempestades. Assim como os mais frágeis seres humanos não resistem às pressões da fama e por fim perdem-se nas drogas, no alcool ou nas enfermidades da mente.

Que a jovem vida perdida sirva de alerta para as outras vidas que se seguem. Que a arte não se perca diante dos escândalos. Que saibamos reconhecer e preservar o que de melhor há em mais uma vida que se esvai aos 27.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Amizade

Bem precioso, almejado por todas as criaturas. A amizade é uma doce relação que nasce com um pequeno gesto, às vezes até uma palavra. Quase impossível de se recordar o momento exato que originou tal laço, mas quando o mesmo é fortalecido fica ainda mais difícil de ser rompido.

A amizade verdadeira é como uma árvore. Começa à partir de uma pequena semente, plantada ao acaso por nós ou pelas circunstâncias da natureza. Rapidamente a semente torna-se uma muda, ainda frágil que precisa ser regada e protegida do sol ou chuva excessivos. Sobrevivendo aos primeiros invernos e verões, cresce e torna-se árvore que floresce e dá frutos. Conforme o tempo vai passando, as raízes tornam-se cada vez mais profundas de tal modo que mesmo se algum machado desalmado desferir um golpe fatal na bela árvore, não será capaz de desenterrar os profundos laços fincados no chão.

Ao longo da nossa vida, muitas sementes são plantadas. Muitas mudas crescem. Porém a vida com suas voltas e reviravoltas nos faz abdicar de algumas destas preciosas mudas para que possamos nos dedicar melhor a outras sementes, mudas ou árvores. Porém mesmo não fincando tão profundamente suas raízes, as mesmas mudas que passaram por nossas vidas nutrem nossas almas e dão sentido a nossa existência.

O coração humano é amplo e passível de encher-se de amor de maneira infinita, sem nunca transbordar, sem que se chegue a um limite. É sempre possível receber mais um amor em forma de amizade.

Aos amores que passam em nossas vidas e semeiam nossa existência com sua terna amizade, obrigada pela água que nos nutre e pelo amor que nos consola. Continuemos plantando nossas sementes e cultivando nossas mudas para que nosso jardim tenha as mais belas e diversificadas árvores.

terça-feira, 19 de julho de 2011

É Elano que se Aplende.

O futebol gera milhões, movimenta o mercado, atinge às massas. O Brasil é conhecido como a pátria de chuteiras, mesmo sem ter sido o responsável pela criação do esporte em questão. Porém, nos últimos tempos a publicidade tem sido mais importante que a arte dos gramados. No campo vemos um desfile exótico de penteados, cortes e cores variadas nos cabelos. Quando viramos a pátria da cabeleira?

O futebol tem se tornado algo insosso, monótono, burocrático. Toquinho pra cá, firula pra lá. Um drible aqui, outro acolá. Patos, Gansos, Periquitos, Papagaios, Manos, hermanos... Nem pênalti se sabe mais como cobrar sem utilizar paradinha, paradona ou outra esquisitice qualquer.

Rede Globo, Nike, quem manda no futebol brasileiro hoje? Ricardo Teixeira, cartolas, CBF envolvida em escândalos e CPIs. O mercado futebolístico que elege garotos como artigo de troca e vendem para várias partes do mundo como peças de importação. Só falta colocar taxas na alfândega.

Quem poderá então tirar a arte da lama?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Orgulho de ser Nerd.

No passado eu me sentia meio outside. Achava que tinha de fazer um upgrade na minha imagem pra me encaixar aos demais. Navegando pelos sitios da imaginação, me via com muitos gigabytes de potência no meu HD interno, mas parecia que precisava de uma nova placa de video para externalizar toda a capacidade deste CPU. Depois de algumas atualizações no sistema, fui percebendo que não adianta ficar floodando por aí. É preciso mostrar conteúdo e selecionar bem os downloads que faremos na nossa vida. Até porque corremos o risco de pegar alguns bugs se nos relacionamos com sites pouco confiáveis.

Nos ups and downs da vida, o importante é sermos fiés às nossas configurações originais. Se por algum motivo formos pelo caminho errado, ainda podemos fazer um backup do sistema, pois as informações mais valiosas estão salvas e não podem ser deletadas. Se a coisa está lenta demais, podemos pedir ajuda ao gerenciador da nossa mente que irá nos mostrar quem está usando mais da capacidade do nosso organismo e nos ajudar a finalizar aqueles processos que não estão respondendo corretamente.

O certo é que a comunidade precisa de gente como nós, moderadores da informação, para repassar as utilidades e também as inutilidades deste mundo real que é por vezes tão virtual. Entre twetts e blogs, alterando o layout do universo.

Qualquer dúvida sobre o conteúdo deste post, favor reiniciar o sistema!!!

sábado, 21 de maio de 2011

O Dia em que o Mundo Não Acabou.

21 de maio de 2011, o dia em que o mundo não acabou. Harold Camping, um popular "John Doe", alardeou mundo afora que às 18 horas do dia 21 de maio de 2011 o mundo iria perecer, que as boas almas seriam levadas ao céu e que as demais permaneceriam vivas para sofrer todos os eventos apocalípticos que poriam fim a este planeta. Bom, devem haver bem poucas almas realmente boas, pois não se ouviu falar de nenhuma morte em massa de cidadãos em parte alguma deste mundo. Ou então o nosso ilustríssimo Camping apenas queria os tão sonhados 15 minutos de fama que tantos seres almejam nesta vida.

O mundo não acabou de novo. Boatos de fim do mundo não são raros. Diziam que em 1964 o mundo acabaria e que os negros iriam virar macacos. Um boato extremamente racista, diga-se de passagem. O ano 2000 também trouxe uma onda de falsas previsões apocalípticas. O boato ganhou força pelo não revelado 3º segredo da Virgem de Fátima aos três pastores da referida cidade no dia 13 de maio de 1917. Aliás esta não foi a unica vez que o nome da mãe de Jesus foi citado para tentar justificar o fim do mundo. Diziam muitos que, ao ver seu filho sendo crucificado, Maria teria agarrado dois punhados de areia e em meio a dor de ver o filho morto teria jogado a terra ao chão. O primeiro punhado se referia aos primeiro 1000 anos após o nascimento de Jesus e o segundo punhado seria referente aos 2000. Os dizeres seriam: "de mil passou, mas de dois mil não passará". Me corrijam se eu estiver errada, mas se o mundo acabou eu não percebi. Aliás, muito me intriga a referência do punhado de areia. Quem teria sido o "Rain Man" que teria contado 2000 grãos de areia nas mãos de Maria?

Interessante, eu e muitas outras pessoas já sobrevivemos a dois finais de mundo. Seja como for, ainda temos que conviver com os boatos de que em 21 de dezembro de 2012 o mundo encerrará seu ciclo. Só esperando para ver o que realmente acontecerá. Seja como for, o mundo continua a girar e nós temos que zelar por ele, pois se há alguém que representa algum perigo ao planeta somos nós seres humanos, com nossos hábitos destrutivos, predatórios e consumistas. A sombra do fim dos tempos paira na devastação da floresta amazônica, no aquecimento global, no buraco da camada de ozônio, na poluição do ar e das águas e no acúmulo de lixo neste planeta.

O apocalipse falhou, vamos voltar à realidade!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Música e a Liberdade Sexual

No final dos anos 60, mais precisamente em1969 uma data bem sugestiva, era lançada uma canção que falava de amor e sexo chamada Je T'Aime... Moi Non Plus. Composta por Serge Gaingsburg e cantada em dueto por ele e sua amada Jane Birkin, a canção era uma narrativa do ato sexual com diálogos de amor e gemidos e sussurros. A canção havia sido escrita dois anos antes e a principio seria interpretada por Bigitte Bardot, ícone do cinema francês e símbolo sexual daquela geração. Mas Bardot achou a canção um pouco além dos limites da sensualidade e desistiu do projeto. A canção foi lançada e se tornou sucesso, embora tenha sofrido censura nas rádios naquela época.

Esta era a época do movimentos hippies, de paz e amor livre. Era de se esperar que uma canção ousada surgisse em meio a este movimento. Mas a sensualidade e mesmo a sexualidade da canção receberam um cuidado artístico. Melodicamente falando, a música traz uma linha bela, aguda e marcante. O texto é romantico, sem ser piegas nem se tornar vulgar. A construção musical como um todo a torna uma obra duradoura e icônica.

Nos dias atuais, os ideais de liberdade sexual tem-se confundido com promiscuidade. As canções tratam cada vez mais de temas sexuais, porém sem nenhum cuidado artístico. Existe uma tendência à vulgarização do ato sexual e a uma depreciação cada vez maior da figura feminina. Nos hits do momento, é comum ver as mulheres sendo denominadas de cachorra, rapariga, safada, etc. Enaltecem os atributos de nádegas e seios grandes e se utilizam de duplo sentidos nas mais pobres rimas que se possa imaginar.

A música serviu no passado para quebrar barreiras e tabus, falando francamente de assuntos polêmicos mas com objetivos artisticos. Nos dias atuais, a música é produto de consumação rápida e com um prazo de validade curto. É feita para ser consumida rapidamente e posteriormente ser descartada. Não há cuidado estético ou artístico. Não há levantamento de questões polêmicas que sirvam para gerar um debate acerca de questões morais, cívicas ou religiosas. Simplesmente se usa de uma combinação sonora e um texto pobre para vender o produto com uma embalagem chamativa, e quase sempre apelativa.

Mas será culpa que a culpa desta decadência se deve às revoluções sexuais das décadas de 60 e 70? Qual o limite entre a sensualidade / sexualidade e a vulgaridade?

Esta é uma linha tênue que deve ser tratada com cuidado especial. Nas artes este cuidado tem que ser redobrado, pois elas são formadoras de opinião. Acho importante que a música tenha sido uma porta para se discutirem questões sexuais, até porque são questões da natureza humana e devem ser exploradas na sociedade. Mas o sexo não se resume ao ato, nem tão pouco ao desejo carnal e instintivo dos seres vivos. Ele tem haver com relações humanas de afetividade e cumplicidade e, porque não, de religiosidade. Na Índia, o sexo é tido como arte que aproxima os seres vivos dos seres divinais. Se ensina a arte do prazer e do respeito mútuo.

Tantas outras canções exploraram a sexualidade sem que fosse preciso cair na leviandade. Não precisa ser apelativo para ser controverso. Não precisa ser depreciativo para ser rentável. Não se consegue ser artístico quando o único pensamento é mercadológico. É possível ser ousado sem ser apelativo ou vexatório.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Obama vs. Osama

O mundo comemorou com festa a morte de um homem. Este homem foi responsável por tantas outras mortes no passado. Sob a falsa bandeira da religiosidade, alienou centenas de pessoas que deram suas vidas em prol de uma mentira. Um falso desejo de paz, uma falsa idéia de liberdade. Este homem foi capaz de deturpar as sagradas escrituras de seu povo para cumprir seu objetivo macabro de assassinar inocentes sem precisar ele próprio empunhar uma arma. Do outro lado temos um homem que virou herói antes mesmo de assumir o posto de líder. Mas esse herói mostrou-se humano demais e foi logo desacreditado. O povo buscava algo que aquele homem não podia dar: a solução para todos os problemas. Mas este homem viu-se ressurgindo das cinzas ao anunciar a morte do outro homem. Agora ele é São Jorge e, sem precisar empunhar uma arma, derrotou o dragão. Obama derrotou Osama, quase dez anos depois do grande massacre do World Trade Center. As luzes do Marco Zero estão mais brilhantes, iluminando os rostos dos que ali perderam seus pais, filhos, esposos e amigos. A marca negativa do Islã foi apagada, resta agora restaurar a confiança das pessoas perante os verdadeiros mulçumanos: aqueles que respeitam a vida. Cabe a Obama mais essa difícil tarefa, uma vez que ele é filho de cristãos e muçulmanos. O mundo respira aliviado, mas a semente do mal foi plantada muito profundamente para ser tão facilmente arrancada. Osama deixou súditos, fanáticos suicidas que desconhecem  a palavra Paz. No fim de tudo, não há vencedores. Deus chora por seus filhos que ainda não aprenderam a viver sem precisarem matar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nosso Pequeno Viveiro de Monstros

Jeremy falou na aula de hoje. Em todos os dias do ano, sua voz mal era ouvida. Na sua quietude, o menino incomodava os demais que acabavam por persegui-lo e torturá-lo mental e fisicamente. Sem perceber, acordamos o leão adormecido. Abrimos a jaula e liberamos toda a voracidade e crueldade daquele pequeno ser. No nosso pequeno viveiro, alimentamos nossos bebês com doses gradativas de agressividade. Quando finalmente se torna grande, libertamos nosso monstro dentro da sociedade. Não esperamos grande coisa deles, já que os mesmos não apresentavam nenhuma qualificação especial, nenhum dom que merecesse uma atenção maior de nossa parte. Então deixamo-os à própria sorte, bem ou mal ele há de viver. Mas ele se tornou grande demais para que possamos controlá-lo. Ele cresceu na selva e depois de muitas vezes ter sido presa, agora ele é predador. Ele reconhece os passos daqueles que outrora colocaram-lhe a cabeça dentro de um vaso sanitário. Ele não mais teme o escuro porque por muitas vezes se viu trancando em armários. Mas ele encontrou uma forma sórdida de não mais ser ridicularizado. Jeremy será ouvido, custe o que custar. Ninguém lhe deu ouvidos e não perceberam o quanto ele era inteligente. Ele é um sobrevivente, será ele quem escolherá o dia e a hora de morrer. Seu destino será traçado apenas por ele próprio. A incapacidade humana de reconhecer os perigos que habitam as mentes psicóticas será provada com o sangue daqueles que não tem nenhuma participação direta na criação dos monstros. E o monstro é grande e inteligente demais para se deixar notar, para se deixar capturar. Ele irá completar seu objetivo, seja este qual for. Será derramado sangue, seja este de 1, de 100, de 1000 ou de milhões. Jeremy é Wellington, é Eric, é Dylan, é Hitler. Jeremy vive na nossa sociedade, adormecido em nosso pequeno viveiro, esperando se tornar grande demais para que possamos controlá-lo. Os Jeremys do passado cumpriram suas metas macabras, não podemos mudar os fatos. Mas não podemos continuar virando as costas e nos isentando da culpa que nos cabe pois neste exato momento outros Jeremys estão sendo criados nos nossos viveiros. Continuaremos alimentando nossos predadores? A mente humana é fascinante e perigosa. Ela é frágil e sucumbe com a pressão, embora permaneça laborativa e ágil, porém sem controle. Jeremy precisa ser ouvido, mas antes de se tornar um monstro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo

Alô, alô Realengo: Aquele Abraço! Aquele abraço para os que ficam, para aqueles que hoje apenas existem. Aquele abraço para os que sofrem e choram a dor de uma tragédia anunciada pela incapacidade humana de valorizar a vida. Hoje a noite não tem estrelas, apenas reina a escuridão. Apagarão-se as luzes das vidas inocentes que da vida apenas queriam um pouco de alegria. Em meio ao clarão e ao estrondo da pólvora, uma a uma as estrelas iam-se apagando. Alvos de uma mente doentia que empunhando uma das mais cruéis criações dos homens, elegeu-se Deus e decidiu sobre quem daqueles pequenos deveria viver. Não fomos capazes de dizer não ao armamento da sociedade. Somos responsáveis pela proliferação de tragédias causadas por armas de fogo empunhadas por pessoas desequilibradas. As estrelas que se apagaram nesta vida hão de brilhar numa próxima. Mas para aqueles que ficam, as feridas são profundas demais e as cicatrizes não se apagarão. Existir hoje é dolorido demais para quem teve de enterrar seu pequeno tesouro. Não há remédio que possa aliviar esta dor. Apenas o tempo pode adormecê-la, embora que a mesma estará sempre presente. Aquele abraço, para aqueles que hoje duvidam do amanhã. Aquele beijo carinhoso para quem está imerso na dor. Apenas o amanhã será capaz de aliviar o sofrimento. Aquele adeus para os nossos novos anjos da guarda que nasceram para uma nova vida. Que Deus possa dar-lhes o que os homens não foram capazes: proteção.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Adeus Olhos Cor-de-Violeta

Uma linda menina apareceu um belo dia nas telas de cinema. Ela chamava atenção por sua beleza, sua presença na tela, seu talento e seus incomuns olhos cor-de-violeta. Chegou sem muito alarde a princípio. Depois se tornou deusa. Adorada, perseguida, ridicularizada e mitificada. Nas telas foi esposa cruel, foi rainha, foi gente simples também. Na vida foi mãe dedicada, ativista social e buscou o amor como poucos. Foram nove casamentos ao todo, sendo oito diferentes maridos. Teve seu corpo ferido e marcado pelo esforço do seu trabalho. Não mais andava, seu coração tornou-se cada vez mais frágil. Sofreu a dor de perder pessoas queridas e por fim descansou.

Nunca mais teus olhos cor-de-violeta. Nunca mais tua pose de rainha. Mas a mágica de Elizabeth Taylor há de perdurar por todo o sempre. Porque os grandes mestres não são esquecidos. Se tornam mitos que estarão para sempre guardados num lugar especial da nossa memória. Rest In Peace Dame Liz Taylor!!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Todo Carnaval Tem Seu Fim...

Mais um carnaval levantou multidões e também polêmicas. Por todo lado vejo defensores e acusadores desta festa antiga que mobiliza todo o país. Ainda hoje pude ver um vídeo difundido na internet em que uma mulher elencava uma série de problemas atribuídos ao carnaval. Afinal, seria o carnaval algo tão abominável assim? Dentre os fatos alegados contra a festa estão os acidentes de transito. Porém acidentes por imprudência ou embriagues acontecem durante todo o ano e basta um feriado para que esses números cresçam, inclusive durante festas religiosas. Se o problema são as brigas que ocorrem por vezes durante a festa, isso vemos corriqueiramente durante uma partida de futebol ou dentro de um bar num fim de semana. Gravidez indesejada? Isso vemos durante todo o ano, em especial com menores de idade provenientes de famílias de baixa renda. Difusão de música de péssima qualidade? Aí o problema é bem mais sério e tem o suporte de uma mídia que existe para alienar o povo e encobrir os problemas do país.  Também foi atribuído ao carnaval os gastos públicos com saúde e segurança. Ora, não é bom que estes sistemas estejam funcionando e atendendo da melhor forma possível a população? É verdade que os mesmos deveriam funcionar durante todo o ano, mas a preocupação se eleva apenas nas altas temporadas, visando não o bem da população residente da região, e sim a segurança dos turistas para que a região seja bem vista pelos que vem de fora, possibilitando maior movimentação da economia local.

O carnaval pode não ser um mar de rosas, mas os maiores problemas atribuídos ao mesmo se devem ao desvio de comportamento das pessoas que visam apenas o seu bel-prazer. E esse pensamento egocêntrico não surge devido a uma força maligna e misteriosa que se manifesta durante uma festa pagã. Esse é um problema que está entranhado na cultura de um povo que se acostumou a sempre tentar levar vantagem sobre os demais, custe o que custar. O carnaval não é uma questão religiosa, como muitos tentam atribuir. É uma questão política e comportamental.

Neste ano pude presenciar duas das maiores festas carnavalescas do país: o Galo da Madrugada e o carnaval de Olinda. Confesso que fui com um pouco de medo, mas ao fim pude ver que muito do que se fala sobre Carnaval é apenas mito. É óbvio que num local onde se concentram 100.000 pessoas as ocorrências serão bem maiores do que num local onde 100 pessoas circulam. Desfrutei, me entediei, cansei, pulei, fui espremida na multidão, tive bons e maus momentos. No fim de tudo, percebe-se que o carnaval não difere da nossa vida cotidiana. Apenas traz as mesmas vivências em maior intensidade.

E viva o carnaval!!!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

De volta ao circo.

Mais um ano que se inicia com o espetáculo do mau gosto e da alienação sendo exibido no que antes era chamado de "cubo mágico" que é a nossa televisão. 11 anos se passaram e os mesmos personagens continuam a "abrilhantar" nossa telinha. O circo é o mesmo, assim como o enterteiner. O que muda são apenas algumas regras do "jogo" que no final pouco importam. O que vale mesmo se ocupar em arrumar picuinhas e ter o visual agradável aos olhos da curiosa população que sabe o que se passa a todo instante na tal casa, mas ignora por completo às ações de outra casa: a casa que comanda este imenso Titanic chamado Brasil. Vislumbrando a idéia de um dia ser "agraciado" com a participação no tal reality show, que poderia não dar-lhes o tão sonhado prêmio mas ao menos os daria os tais 15 minutos de fama, o povo assiste inerte ao desenrolar do "zoológico humano" sem se preocupar em utilizar-se deste tempo para beber um pouco da fonte inesgotável de cultura e conhecimento. Me faz lembrar de uma campanha que uma emissora de tv utilizava no meio da sua programação. Em meio a uma tela preta, surgia a frase; "Desligue a tv e vá ler um livro". Livros hoje estão cada vez mais se tornando artigos de museu. Não que seja errado que outras midias se encarreguem do papel que um dia pertenceu ao livro. Afinal, existe uma questão até de sustentabilidade em se trocar o uso do papel por livro virtuais, por exemplo. Mas o que preocupa é a falta de conteúdo, tanto na tv, como na internet. Voltando ao circo, bem me agradaria ver um verdadeiro espetáculo circense, com palhaço e malabaristas. Mas o circo que vemos hoje é no mais atual estilo romanico: um desprezível espetáculo onde, embora não haja matança de cristão, vemos morrer o pouco de dignidade que existia na televisão brasileira. Sei que toda fórmula de sucesso um dia se esgota. Só espero que não demorem mais 11 anos.