quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quem Pode Julgar o Juiz?

O julgamento do Mensalão tem sido um motivo de ampliar rixas políticas em partidos. A cada dia vemos proliferarem na internet denúncias e gráficos para tentar estabelecer qual partido é o "mais ladrão". Eu particularmente não me importo em defender este ou aquele partido, pois para mim eles apenas se diferenciam em cores, legendas e discurso. A prática é a mesma. E os vícios da corrupção idem. Aliás, estes são a característica mais marcante da política brasileira.

As últimas denúncias visam desmascarar um dos novos "heróis" do povo brasileiro: o ministro Gilmar Mendes.

Primeiro grande problema do nosso humilde e carente povo: a mania de querer transformar em heróis os homens que fazem o mínimo exigido do seu trabalho. D. Pedro é visto como herói por ter declarado a "Independência" do Brasil, sendo que de independente este país não tinha nada e permanecemos compartilhando do mesmo monarca que Portugal. Lampião, ladrão e assassino, estuprador e sequestrador. Robin Hood nordestino que aterrorizava ricos e pobres, e pelo pouco que repartia, virou mito. Getúlio Vargas, grande chefe de nação. Ditador cruel, perseguidor de comunistas e assassino. Ainda hoje é endeusado por muitos. Lula, o "pai dos pobres". Um chefe de estado amnésico, que "não sabe de nada" das sujeiras que se escondem debaixo de seus próprios pés.

Temos tantos outros falsos heróis, e ainda nos veem mais os ministros do STF para ampliar essa lista. E o que fazer quando a denúncia recai contra os juízes?

Não sei até que ponto a culpa existe, pois não encontrei muitas fontes confiáveis para poder me posicionar com maior veemência. O que era de se esperar, até porque quanto mais alta a montanha, mais difícil é a escalada ao topo. E os nossos figurões da justiça tem muitos meios de escaparem dos mínimos traços de poeira. E a nossa mídia apenas estampa nas manchetes aquilo que lhe convém.

Eu sou nascida nos anos 80 e vi a democracia ser "reconquistada". Nestes mais de 25 anos desde a "libertação" da nossa política, escândalos proliferam, são julgados pela justiça eleitoral e abafados pelas renúncias e imunidades parlamentares. Nenhum partido ou segmento político ficou livre de ter seus minutinhos nas páginas policiais. Porém, a caçada termina sempre nos peixes menores. Está sendo diferente neste julgamento? Não acredito muito. O que difere é o tipo de punição, agora em justiça comum. Mas encarcerar os meliantes políticos não faz de juízes heróis. Eles apenas estão cumprindo o papel ao qual foram designados

Mas as denúncias ao alto escalão mostram que ainda tem muita sujeira embaixo de toda essa lama. Tal qual a nossa polícia, que estimula o tráfico, revende armas aos bandidos, fazem tratos com traficantes e aterrorizam cidadãos comuns sem poder aquisitivo, os nossos ministros e juízes estão até o pescoço de envolvimento com atividades escusas. E quem os julgará? Aqueles que igualmente estão enfiados na lama?

Só há uma forma de se mudar o panorama político do Brasil: EDUCAÇÃO. Educação moral, social, política. Temos de instruir nossos pequenos para que estes entendam seu papel social, que respeitem as diferentes classes e não se apropriem indevidamente daquilo que não lhes pertence. Educação para se entender que as pequenas corrupções são bolas de neve que tomam proporções gigantescas e não há como frear e nem fazer desaparecer os efeitos provenientes delas. Educação de qualidade nas escolas básicas e de ensino superior, para formar profissionais competentes e éticos. Essas transformações são lentas demais e muitos de nós não estarão mais neste mundo para desfrutar de um país mais justo, mas mesmo assim temos de iniciar este movimento o quanto antes.

Por enquanto, temos que engolir policiais, políticos e juízes corruptos. Muito embora tenhamos sim que pressionar e lutar para que a justiça seja feita, não importando à quem deva atingir. Quem julga um juiz é o povo. O povo que não entende ainda a sua força. O povo que ainda depende de heróis para se manter com fé. O povo deve se politizar, se inteirar daquilo que se passa nos núcleos dos governos. Deve beber e comer das leis que regulamentam sua vida, entender seus direitos e fazer valer a sua força.

Nós somos os verdadeiros juízes desta nação. Devemos nos fazer ouvir.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Questão dos Guarani-Kaiowás

Perseguição, homicídios, suicídio coletivo. Às margens do rio Hovy um povo chora, clama no escuro. Um povo esquecido pela justiça, ignorado pela mídia e dizimado por pistoleiros. Os Guarani-Kaiowás pedem socorro, mas já sem esperança. Pedem o direito de morrer na terra de seus ancestrais.

O local é uma fazenda dita privada. Pyelito Kuy-Mbrakay, como é conhecida pelos índios, está ocupada por estes há 1 ano. São 170 seres humanos, homens, mulheres e crianças, espremidos e perseguidos, lutando pelo direito de viver livremente no seu local de origem. São chamados de "invasores". Como pode ser chamado de invasor aquele que primeiro habitou a terra? Só porque alguém fincou uma bandeira e cercou uma porção de terra não significa que este é o dono de direito. A terra foi comprada? Quem foi o vendedor? Alguém que igualmente invadiu, expulsou e matou nativos, fincou uma bandeira e cercou de arame farpado a terra. E agora a Justiça expulsa mais uma vez os verdadeiros donos da terra.

Nas redes sociais, mobilizações. É a opinião pública se manifestando após tantos anos na ignorância sobre tais conflitos. Os novos meios de comunicação viabilizam a chegada da informação aos que no passado apenas tinham conhecimento do que era vinculado pela mídia. E chacina de índios não "dá IBOPE".

O que vemos e ouvimos é apenas a ponta do iceberg. Questões políticas e econômicas são determinantes para que esta situação se torne cada dia mais calamitosa. Afinal a agricultura indígena é de subsistência e fazendeiros geram renda e movimentam a economia da região. A questão se torna mais difícil de ser resolvida porque há muito dinheiro envolvido no jogo.

Os puristas dirão que os índios já estão "civilizados" demais e que deveriam "trabalhar como qualquer um". Índios não são preguiçosos ou vagabundos como nos forçaram a acreditar. O fato de não terem uma carteira de trabalho ou de não recolherem tributos ao Imposto de Renda não diminui e nem descaracteriza a atividade trabalhista do nativo. Ele planta, pesca e caça. Ele fabrica os itens que farão parte de seu uso pessoal e da tribo. E se achar importante para si ou para a tribo, ele comercializará os seus produtos e se submeterá às tarifas impostas pelos nossos "leões".

O índio não quer apito, quer respeito. Quer apenas o que lhe é direito. Os Guarani-Kaiowás estão morrendo pela mão de ferro do nosso sistema. Sem direitos e sem a assistência devida. A polícia não se envolve, não defende suas vidas. Os sistemas de saúde não lhes chega. Morrem pela desnutrição, pelas epidemias e pela força das terras sem lei, onde a bala é a resposta aos problemas territoriais.

Aquele que tiver olhos: veja. Aquele que tiver ouvidos: escute. Aquele que tiver boca: fale. Aquele que tiver princípios: lute. Aquele que não tiver consciência: que lave suas mãos!!!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Nosso Castelo de Cartas

Começam a cair os reis da corrupção. Os fantoches caem primeiro e maior é a sua queda. Caem aos pares, aos trios e quartetos. Caem junto com a confiança de todos nós.

O primeiro a cair se prende à corda que segura os demais. Sabe que seu destino é o abismo, mas não irá sozinho. Levará consigo quem conseguir. Não são todos os que cairão. Mas ao menos veremos ser resgatada uma pequena parcela da dignidade perdida deste país de malandros e corruptos.

O escândalo foi um entre tantos outros. Outros esquecidos, perdidos no tempo e na memória dos presentes. Muitos se revoltam pelos julgamentos de hoje, mas estes são uma luz no fim do túnel para um amanhã melhor. Nossa história está fortemente marcada pela roubalheira e pelo descaramento dos nossos representantes políticos. Punir os culpados, mesmo que em sua minoria, é urgente e necessário se quisermos ter esperanças de um futuro mais digno.

Não se trata de uma questão partidária. Aliás neste país, partidos não mais do que siglas. Siglas que indicam o caminho que não será seguido pelos governantes. Os partidos pregam ideologias que nem eles mesmos sabem da real significância. Não existe o ideal político, e sim o desejo do enriquecimento próprio. Somos todos capitalistas, disfarçados, camuflados. O discurso é belo até que a realidade surge de fato.

O sistema de governo não muda devido ao partido no poder. O que deveria mudar era o foco das ações, mas estas também não mudam. E os vícios da corrupção são transmitidos como praga, peste, infecção social. Qualquer ação que tente controlar a contaminação é louvável. É preciso sim que os reis marchem para a guilhotina moral, que sejam despidos de sua honra perante a sociedade. Que sejam humilhados e levados à julgamentos que exponham suas piores faces. Precisamos de exemplos, de condenados que façam crescer o medo em nossos representantes atuais. Se não há o comprometimento com a justiça por força da moral, que se obrigue pela força da lei e do medo.

Não elevo os juízes ao nível de heróis. Eles estão cumprindo o papel ao qual foram destinados e trilhando o caminho por eles escolhido. Heróis são aqueles que travam batalhas diárias para manterem-se vivos. Aqueles que acordam todo o dia sem a certeza de que terão algo para comer ou beber. E estes heróis só existem em virtude da existência dos vilões que desviam milhões da nossa sociedade.

Os crimes do passado podem nunca virem a ser julgados. Mas isso não é desculpa para que deixemos de julgar os crimes mais recentes. Eles são os exemplos de amanhã, para que se iniba a corrupção, que se recupere a dignidade e a confiança do nosso povo em nossa política.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Vivo Por Ti

Vivo por ti pois por mim não sei viver.
Por mim não viveria sem ti
Não sei existir por mim apenas
A existência parece-me inútil
Vivo por ti para poder existir
O dia inexiste sem a noite
O escuro não tem sentido sem o claro
Vivo à espera de ti
Observo-te de longe, cuido de ti
Não busco para mim tesouros
A maior riqueza é o teu sorriso
Vivo a pensar em ti
Nada tenho a oferecer-te, a não ser minha devoção
Espero por ti
Amo-te em silêncio
Sigo vivendo em virtude de tua existência.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

COTAS: O BRASIL PALIATIVO

A Lei das Cotas foi sancionada recentemente pela presidente Dilma. O que parece ser um avanço nas políticas públicas, me traz uma preocupação ainda maior com relação ao ensino. A anos as Universidades Federais estão acumulando problemas, sendo sucateadas. A cada nova turma, vemos profissionais mais despreparados sendo jogados no meio profissional. Me preocupa que esta seja apenas mais uma medida eleitoreira, mais uma forma de fazer os menos favorecidos servirem devotamente aos "pais e mães" que lhes atiram migalhas aos pés.

Os defensores das cotas, se baseiam no passado de escravidão para nos mobilizar e convencer-nos pela força da comoção. Que a história do Brasil é recheada de contos de fadas, isso não é mais segredo para a maioria. A Abolição da Escravatura foi apenas uma forma de se livrar dos problemas que era manter famílias inteiras de negros, com direito a alimentação, moradia e cuidados médicos. Nunca foi feito um programa que desse subsídios para que aquelas famílias pudessem caminhar com os próprios pés. Imagino a abolição como o final do filme Nemo da Disney. Os peixes conseguem fugir do aquário, mas estão todos presos dentro das bolsas plásticas. Alguns morrerão sem conseguirem a liberdade, outros que consigam sair das bolsas não terão como sobreviver em alto mar. Os negros sobreviveram, mas isolados em guetos.

A Lei de Cotas não está aí para reverter a situação que o nosso passado causou na população negra. Ela está aí para aumentar uma estatística que envergonha a nossa política. Porque na nossa política, números falam mais alto do que a realidade. E nas próximas eleições, todos vão exibir estes números de forma orgulhosa para exaltar os "avanços" nas políticas públicas do país. Aliás, esta também é uma opção mais barata do que simplesmente reformar a educação pública básica.

O Brasil é o país do paliativo. As verdadeiras reformas sempre são substituídas por medidas "provisórias" que acabam por se tornar "leis" e, consequentemente, são totalmente abandonadas dos planos políticos. A educação, a saúde, a segurança, as moradias irregulares, nada disso recebe a atenção devida dos nossos representantes. Aí vem os programas eleitoreiros, as Bolsas. E nós engolimos porque temos fome. Aceitamos porque os "arreios" que nos são colocados impedem-nos de enxergar outra solução. Apenas conseguimos visualizar aquilo que está na nossa frente, o "torrão de açúcar" que nos estendem frente aos nossos olhos.

Richard Bach escreve em seu livro Fernão Capello Gaivota: "Vê mais longe a gaivota que voa mais alto". Se alçarmos longos voos veremos o quão pequena é esta medida. Que não basta "jogar" as pessoas no ensino superior sem antes dar-lhes a devida preparação. Como chegarão o filhos das cotas nas universidade? Como sairão os profissionais formados neste sistema? Como estará o mercado de trabalho para estes? Será que não estamos apenas dando os peixes, e não ensinando-os a pescar? E quando o Sistema achar que já fez o bastante, como ficarão os seus órfãos?

Eu sou contra o sistema de cotas. Acho-o demasiado racista, politiqueiro e ineficaz para a formação de profissionais competentes. A educação se faz essencialmente nas bases. As esferas superiores são o complemento de uma base sólida. Não se constrói uma cobertura no 20º andar de um prédio se a fundação é fraca. É preciso urgentemente exigir que as escolas públicas preparem suas crianças e seus adolescente para a vida adulta. A partir deste ponto é que estaremos realmente aptos a formarmos profissionais em áreas diversas nas esferas superiores. Estes jovens precisam de base, de outra forma, serão apenas jogados na boca do leão para aprender a se livrar de lá por si sós. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

ELEIÇÕES 2012

Está aberta a temporada de caça às hienas e raposas da política brasileira. Com a proximidade das eleições, as promessas não cumpridas de campanha começam a ser redesenhadas para garantir votos ingênuos daqueles que acham que o gordinho barbudo de paletó é o papai Noel da nossa geração. Aliás, de papais noéis, coelhinhos da páscoa e fadas do dente a nossa política está cheia. Porém cheia mesma está a paciência daqueles que defendem a democracia, mas que vêem crescer a cada ano a corrupção e a falta de compromisso daqueles que deveriam ser nossos representantes.

NOSSOS REPRESENTANTES!!! Não são nossos patrões, nem nossos salvadores. São aqueles que estão no poder para lutar pelos interesses da população. Não somos nós que devemos gratidão ou qualquer outra coisa para eles. Eles que devem prestar contas do que fizeram com o NOSSO DINHEIRO e o que foi feito EM NOSSO BENEFÍCIO.

A poluição visual já está nas ruas, nos carros, nos muros das casas. Cores, números e nomes. Bandeiras, camisas e cartazes. A cidade está fantasiada mais uma vez. A poluição sonora também vem forte. Com seus jingles e suas propagandas de lavagem cerebral, os políticos iniciaram mais um circo. Mas o palhaço, você sabe bem quem é!

Resta agora tentar conscientizar as pessoas de que político não é profissão. Aliás, deveria haver um rodízio maior entre nossos representantes. Ou mesmo uma lei que limitasse a quantidade de mandatos dos vereadores, deputados, etc. Sendo assim, renovar é a palavra de ordem. Não persistam no erro apenas porque simpatizam com fulano ou sicrano. É hora de rearrumar a casa, comprar móveis novos e modificar o ambiente. A política atual é um sofá velho, cujas molas já estão quebradas, e não nos desfazemos deles porque nos acostumamos a vê-lo em nossa sala de estar.

Não se acomode, RENOVE!!!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Professores de Música, Rebelai-vos!!!

Quanto vale uma formação universitária? Ou ainda, quanto vale o estudo? No Brasil, pelo visto, a apreensão de conhecimento não quer dizer muita coisa. Afinal, como explicar que profissionais qualificados para a função de professores de música estão sendo trocados por outros profissionais com conhecimento apenas supérfluo?

O que era temido, já está acontecendo. A lei que obriga as escolas a terem a música como disciplina obrigatória dos currículos não parece ser suficiente para garantir que os profissionais desta área possam estar ingressando neste meio. Ao contrário, vemos cada dia mais crescer a quantidade de capacitações e micro cursos preparatórios para dar aos professores de outras disciplinas condições mínimas de ensinar música nas escolas. Mas 72 horas, ou duas semanas, ou mesmo 3 meses não são suficientes para que pessoas sem o menor contato com a disciplina música se apropriem sequer dos elementos básicos que fundamentam o ensino musical.

Uma capacitação é, na verdade, uma reciclagem, um aprimoramento de conhecimentos. É improvável que neste ínfimo período de tempo sejam abordados todos os temas básicos que constituem o estudo da música. Ainda mais improvável é que estes profissionais apropriem-se destes conhecimentos de forma tão intensa que lhes seja possível discorrer facilmente sobre estes e que lhes seja capaz de repassá-los com segurança.

Alguns argumentarão que estão sendo capacitados professores de arte, sendo a música uma das linguagens deste tema. Mas cada uma destas linguagens é única. Não cabe a mim, enquanto professora de música, ensinar teatro se não tenho propriedade para discorrer sobre o tema. Seria como se eu pedisse que um cirurgião ortopedista realizasse um transplante cardíaco, alegando que o mesmo possui formação em medicina. Porém, menisco e coração são áreas distintas e cada profissional especialista tem sua função na área médica.

A música nas escolas pode estar no caminho da mera recreação. Os conteúdos serão minimizados ou, em piores casos, inexistirão. O fazer musical pode ficar restrito a formação de pequeninos grupos corais, os quais entoarão musiquinhas simples em festinhas escolares, e que não terão nenhuma preocupação com a técnica vocal ou com elementos rítmicos, melódicos, harmônicos, estéticos, históricos, etc.

Me admira, acima de tudo, que profissionais de música estejam envolvidos nestes programas paliativos. É como dar um tiro no próprio pé. É não ter a menor noção de respeito e reconhecimento da própria formação. É ainda falta de coleguismo. É não ter princípios, a não ser comerciais. Pensar no que se ganha financeiramente com esta iniciativa, sem avaliar o quanto se perde ao enfraquecer a própria classe.

Estes são momentos em que devemos unir forças, mostrar quem somos e lutar pela garantia dos nossos direitos. Lutar pelo reconhecimento dos anos que dedicamos a não apenas obter conhecimento, mas também pelo tempo e dinheiro que gastamos para nos profissionalizarmos e nos especializarmos. Investimos num futuro que agora nos é tirado de forma brusca. Aos que desejam assumir o cargo de professores de música, sugiro que façam como nós, estudem música, façam cursos, ingressem no ensino superior, batalhem para tornarem-se aptos para a função. De outra forma não será justo, não será direito.

Rebelai-vos todos. É nosso dever, nosso direito conquistado pelo suor de nossas faces. Se agora nos calamos, amanhã seremos reféns do nosso próprio silêncio. Sem voz, sem ação, sem direito, sem respeito.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Música nas Escolas

O ano de 2012 marca a volta definitiva do ensino obrigatório de música nas escolas. A lei que inicialmente foi celebrada por tantos, hoje traz três problemas de grandes proporções: existem profissionais suficientes para atender às várias instituições de ensino? Estariam os professores da educação básica aptos para lecionar uma matéria da qual não são especialistas? Teriam as escolas condições mínimas, de espaço físico e materiais, para a inclusão da música na grade curricular?

Me assusta o fato de serem encontradas brechas para que os profissionais da área musical sejam negligenciados mais uma vez. Vejo que muitos profissionais da educação defendem que a matéria Música pode ser lecionada por profissionais de qualquer área. Não quero dizer que uma pessoa formada em outra área do conhecimento seja totalmente inapta para a função. A questão é que deveria sim exigir-se uma formação mínima, mesmo que em nível médio, da disciplina em questão.

Sinceramente, não acredito na eficácia dos cursos de pós graduação para o ensino da música para os profissionais que nunca tiveram contato com esta linguagem, tampouco acredito nas capacitações. Acredito que estas soluções são apenas paliativos para dar crédito à instituições despreparadas para a nova situação.

Sendo um pouco otimista, penso numa escola que possui um profissional capacitado para a função. Mas a escola teria ainda que criar condições mínimas para que este profissional exerça seu trabalho. Uma aula de música exige som, muitas vezes em alto volume. Como fazer com que a aula de música não seja um infortúnio para as demais disciplinas que estejam sendo estudadas em salas vizinhas? Uma sala com condições mínimas para o trabalho é imprescindível. Isso sem falar no instrumental. Alguns podem defender que o trabalho musical seja apenas vocal, ou com instrumentos construídos com material reciclável. Estas possibilidades são válidas, mas um mínimo de instrumentos em boas condições seria ideal para o bom aproveitamento da disciplina.

Diante de tantos questionamentos, alguém pode até dizer que talvez a inclusão da música como elemento obrigatório do currículo não seja lá uma ideia tão genial. Porém eu ainda defendo que as escolas devem ter em seu currículo esta disciplina. Não apenas esta, mas também as demais linguagens artísticas. Porém a implantação destas disciplinas não deve ser feita de remendos. É preciso que haja uma responsabilidade em não apenas cumprir uma lei, mas em valorizar a arte, seus profissionais e oferecer um ensino de qualidade.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Solidão da Lua

A Lua existe. Sem que seja necessária a existência da noite ou do dia, a Lua existe. Ela não exige condições para a sua existência. Discreta durante o dia, brilhante durante a noite, existe solitária no firmamento. Quando Nova, esconde-se na sombra da Terra, quando Cheia atrai as marés.

Rodeada pelas estrelas que queimam ao seu redor, não possui luz própria. Reflete a magnitude do grande Astro Rei. E solitária contempla como todo o Sistema cerceia o Sol, girando em torno deste e dele nutrindo-se de energia.

A Lua deseja o Sol, deseja ser Sol. Quer para si a a glória de ser o centro de tudo. Mas a Lua não é o Sol. E nem o tem. A Lua é apenas a fiel escudeira do planeta Terra. Por vezes, enciumada, a Lua esconde o Sol por detrás de si, mas este não se contenta em ser um mero coadjuvante. Mesmo oculto, sua imensa luz escapa à circunferência da Lua, formando o mais belo dos Anéis.

A Lua afasta-se e contempla a vitória do Sol. Permanece só, apenas um reflexo. Porém um belo reflexo, contemplado pelos amantes apaixonados, almejado pela ciência dos homens e detentora dos grandes mistérios.

Não há dragão, não há bandeira. A Lua permanece incauta, intocável, distante do fogo e do vento. Solitária e contemplativa, a Lua reflete a alma dos sonhadores.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Belo Monte: Uma Mancha Que Não Se Apagará

As escavadeiras já rugem alto. A obra mais cara do PAC já se iniciou e ainda estamos alheios a tudo que acontece na bacia do Xingu. Informações partidas, politicagem, danos à natureza e aos moradores da região. Após tantas manifestações contra a obra, tantos dados que mostram o quão danosa a hidrelétrica será para a já tão sofrida região amazônica, a mesma sairá do papel. E se tornará parte da nossa história. História que começou, ao menos perante os livros, com a ocupação e devastação empregada pelos colonos. Estamos perpetuando este legado dos nossos antepassados.

Desviar e represar o Xingu é assassiná-lo em prol de gerar pouca energia e muito dinheiro. Os únicos vencedores deste duelo são os empresários que sugam a vida da Amazônia, extraindo-lhe suas riquezas e sua vida. Em tempos de debates sobre sustentabilidade, aquecimento global e reciclagem, o governo se volta para o crescimento econômico irresponsavelmente. O imediatismo do capitalismo cega os economistas que prezam mais pelo ganho monetário do que pela perpetuação da natureza e da qualidade de vida da humanidade.

Estamos acelerando rumo ao vergonhoso futuro apocalíptico previsto nos filmes de ficção científica de décadas atrás. Sem árvores, sem vida. Apenas lixo, dinheiro sujo e doenças. Sem camada de ozônio, com represas que impedem o rio de correr livremente, sem peixes pois estes não sobrevivem no barro, com o Sol queimando diretamente a nossa pele já sofrida de tanta radiação que faz com que o aparecimento de cânceres tomem proporções assustadoras.

Não somos capazes de mudar a realidade da nossa política porque fechamos nossos olhos em prol de afinidades partidárias e falsas ideologias. Belo Monte se realizará, assim como tantas outras desastradas obras. Não nos será de grande valia, não gerará a energia prometida. Engolirá milhões de Reais e de vidas. Mudará irremediavelmente a paisagem do nosso país e quando passarem 20 ou 30 anos virá algum novo barbudo empaletozado que enfim nos dirá o quão errônea foi a escolha de uma hidrelétrica quando o mais certo seria investir em energias limpas como a solar e a eólica.

Nos restará apenas a vergonha.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Mundo Está Ao Contrário E Ninguém Reparou

Drogas, roubo, violência, guerras, desmatamento, acúmulo de lixo. O mundo chora. Sem água potável, sem camada de ozônio. O mundo é imediato, não tem tempo para as questões futuras. Mas e as futuras gerações?

A mão rouba não mais para comer, mas para alimentar aquilo que o faz morrer. A urgência está na saciedade e não mais na sobrevivência. A fuga é o melhor caminho, o prazer instantâneo. Somos caminhões que atropelam aquilo que se intromete no nosso caminho.

Família, amigos, mestres foram rebaixados de ícones à entraves. Eu sou senhor de mim. Como tal, agirei em prol de mim mesmo, não importando os outros. Dessa forma, cabe a mim decidir se espancarei um animal até a morte, estapearei meus professores, queimarei um mendigo na rua ou roubarei para comprar droga.

Esta é a realidade do mundo. A vida do outro não tem mais valor. Se no passado o meu direito terminava quando o do outro começava, atualmente o outro não tem direito algum. Individualismo e egocentrismo reinam. Matam-se pais, mães, irmãos. Elaboram-se planos de guerra visando lucros. Estimula-se a competição desenfreada e o consumismo. Aliás, o consumo é mais intenso do que a capacidade de reciclar. Não há espaço no mundo para tanto lixo.

Rios morrem, doenças proliferam. O câncer toma conta do mundo. Corrói todo o sistema, espalhando-se como um vírus do sistema operacional. Crianças, adolescentes, adultos, idosos. Não há quem esteja imune de tal mal.

As boas maneiras e o respeito mútuo estão mortos. Ou pelo menos agonizantes. E a vida está cada vez mais acelerada. Produção em massa, trabalho quantitativo, pouco descanso, fast food. Pouco tempo para comer, pouco tempo para viver.

Parem o mundo que eu quero descer!!!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Aos Foliões e Devotos Religiosos: Carnaval x Fé

Mais um ano a festa pagã mais comentada do país se inicia em meio a uma guerrinha particular com os fervorosos seguidores do Cristianismo. A cada ano parece-me que deve-se fazer uma escolha entre Deus ou o carnaval. Me pergunto o por quê de tal imposição e não encontro uma explicação plausível que me convença da maleficência do carnaval. Carnaval não é religião e não possui culto, seja ele à Deus ou ao temível e provavelmente inexistente Diabo.

Atribui-se o rachasse ao Carnaval por este se tratar de uma festa pagã. Outro argumento insuficiente, visto que o paganismo é um termo erroneamente empregado nas religiões cristãs. Pagão é um termo que designava os povos politeístas e que passou a ser usado para designar os não cristãos. Não tem nada haver com adoração ao mal. O fato é que 90% dos feriados e datas comemorativas do nosso calendário devem-se às festas românicas religiosas e o carnaval destoa das demais por não possuir um culto arraigado ao seu sentido. Ela existe apenas para ser celebrada.

A religião nada nos impõe, mas os religiosos obrigam aos seus servos fazerem uma escolha, como se brincar e se divertir fosse pecado e contra os preceitos da igreja. Não entendo por que a dor e o sofrimento são tão celebrados nas religiões, mas a folia e a diversão são condenáveis. Obviamente que não são todos os seres humanos que se divertem com o tipo de diversão proporcionada pelo carnaval, mas não se deve demonizar algo apenas para causar medo aos fiéis.

Se ocorrem crimes, badernas e desordens isso não é privilégio do carnaval. É uma falha de carácter humano e pode ocorrer em qualquer época do ano. Aliás os maiores crimes da história foram cometidos em nome da fé. A fé cega que tenta obrigar que todos os seres humanos sigam aos mesmo dogmas e às mesmas crenças sejam elas católicas, protestantes, judaicas, muçulmanas, etc.

Sou católica, temente a Deus e minha fé independe de seguir cegamente aos dogmas religiosos. Brincar o carnaval não me faz amar menos a Jesus nem me afasta do caminho do respeito e amor ao próximo. É possível ser feliz em 3 dias e estender essa felicidade para os demais 362 dias do ano, ou 363 em anos bissextos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney: I Will Always Love You

Uma voz ecoa em meio ao silêncio. Canta em vibrato os versos de Dolly Parton e revigora aquilo que em sua essência já parecia ser perfeito. Naquele momento, embora a artista já obtivesse considerável fama, surgiu um mito. Bastou-lhe uma canção, uma versão, e o mundo mudou em um instante. Exibida à exaustão, nos embriagamos de Whitney. Comemos e bebemos, fartamo-nos de sua voz e de seu talento. Talento que vem de berço, uma vez que sua mãe foi backing vocal de Elvis Presley e sua prima é a lendária musa de Burt Bacharach, Dionne Warwick.

Entre baladas e canções dançantes, sua voz manteve-se firme enquanto pode. Enquanto não sucumbiu à voracidade da fama. Conturbadas relações pessoais, aliadas às já conhecidas pressões midiáticas, minaram aos poucos a auto confiança e sanidade. O refúgio foram as drogas. A fuga da realidade que ao longo dos anos tem deixado órfãos legiões de fãs que, inconsoláveis, não encontram substitutos para os seus ídolos.

A morte é impiedosa para todos. Mas ver morrer a arte ainda enquanto jovem é devastador.

Os vícios roubaram-lhe a juventude, o vigor físico e a voz. Mas ela lutou, tentou livrar-se de seus algozes e enfrentou multidões que impiedosamente vaiaram-lhe enquanto ela tentava ressurgir das cinzas. Não é fácil fazer voltar a glória perdida. Me recordo de Callas que viu sua voz "quebrar" no meio de uma ária, cercada dos críticos olhares de ouvintes que apenas querem atestar o fracasso das grandes estrelas.

Mas nós sempre amaremos Whitney. Sempre a recordaremos. Não como a figura esquelética, frágil e dormente pelo vício. Amaremos a voz que nos tomou os corações e nos fez sonhar e alegrar-nos por existir música neste universo. Rest in peace Whitney, we will always love you!!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pinheirinho: O Caso do Descaso.

Tropas de choque, bombas de efeito moral, balas de borracha. Uma comunidade destruída em questão de horas por força de uma ordem assinada em papel com tinta e sangue. O povo lutou, reivindicou seus direitos, mas a força bruta prevaleceu. Entre as lágrimas de muitos, a revolta surgiu. Incendiando a alma dos moradores e os carros e estabelecimentos comerciais que ali estavam postos. Tudo em virtude da falta de trato para questões delicadas que possui o nosso sistema.

Não é difícil encontrar casos neste país em que terrenos improdutivos e não utilizados pelos seus donos sejam tomados por aqueles que por necessidade invadem-os para ali residir. Com cidades cada mais mais "inchadas", a população menos abastada vai sendo comprimida em pequenos guetos e acaba por procurar soluções para viver mais dignamente. Por não possuírem poderio econômico, apossam-se destes terrenos e lá depositam o pouco que possuem. Com suor constroem suas casas e estabelecimentos comerciais, ainda que ilegalmente.

Os legais donos ignoram estes fatos. Não necessitam daquele terreno de imediato e portanto não reivindicam de imediato a posse. Mas a falência vos chega e todas as posses são necessárias para salvar o que puderem do patrimônio. Então aqueles posseiros que eram 10 multiplicaram-se em 1000. Ali, famílias se formaram e este fato não pode ser ignorado.

O direito legal dos reais donos não pode passar por cima dos direitos humanos. Não é direito invadir as casas que com tanto esforço foram construídas de forma brutal e estúpida. A falta de competência do nosso sistema e das pessoas que o operam gera um ambiente de guerrilha. De um lado moradores armados de paus e pedras. Do outro a força policial e toda sua magnânima estupidez. O caos impera.

Os políticos que tanto alardeiam em campanha o tanto de novas moradias que serão construídas emudecem nas horas críticas. Quem estava lá para remover dignamente aquelas famílias para novos e legais imóveis? Quantos foram os que dialogaram com aquela população para evitar as chocantes cenas de escavadeiras derrubando moradias, em meio ao desespero dos que nelas habitavam?

Nos chega agora a ONU tal como uma mãe que dá bronca num filho que acaba de fazer alguma bobagem qualquer. Um país cuja história tanto traz de lições quanto às questões de direitos humanos. Uma nação que vive sob o manto da "ORDEM E PROGRESSO". A ordem é a força e o progresso é privilégio de poucos. Mais uma vez mostramos ao mundo a nossa truculência.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quando O FBI Fecha Uma Porta, Os Hackers Abrem Um Túnel

O livre compartilhamento de videos e música está sofrendo graves ameaças. Os protestos tomaram conta das redes sociais e sites do mundo inteiro. Toda essa agitação se deve à duas siglas: SOPA e PIPA. Duas propostas do congresso e senado norte-americanos que prometem dar fim às formas de "pirataria" às quais estamos todos tão habituados.

SOPA é a sigla de Stop Online Piracy Act e PIPA significa Protect IP Act. Ambas as propostas trazem a tônica da censura. Um retrocesso no que já foi conseguido no passado no que se refere a divulgação de conteúdo. Quem não se lembra das brigas homéricas de bandas contra o NAPSTER? Naquela época, baixar músicas online era visto como a pior forma de pirataria. Anos se passaram, milhares de sites e programas foram criados com os mesmos critérios, sejam eles gratuitos ou não, e o que se viu foi apenas uma mudança na velha ordem de divulgação de material.

Obviamente que as grandes indústrias estão em polvorosa com a facilidade em que hoje se consegue ter acesso aos materiais de áudio e vídeo via download. Fácil de entender, tomemos por exemplo a indústria fonográfica. No princípios os velhos discos de acetato eram vendidos em compactos que traziam apenas duas canções. O lado "A" trazia o "hit" que tocava nas rádios e o lado "B" trazia uma canção qualquer que podia ser muito boa ou muito ruim. Mas uma única canção não interessava muito e era terrível ocupar tanto espaço na prateleira com tantos mini discos. Então veio o LP, o cd, o mp3, etc. Os lucros foram diminuindo e o esforço para criar um produto que nos leve a desembolsar 30 ou 40 reais tem aumentado. Essa equação produto de qualidade x lucro tem deixado as empresas de cabelo em pé.


A briga contra os sites de compartilhamento ganhou um destaque especial depois que Megaupload foi fechado e seu fundador Kim Schimitz e outros 3 diretores da empresa foram presos. A revolta tomou conta das redes sociais, tais como o Twitter e já se pensam alternativas para compensar a perda. Não demorará até que os hackers criem novas formas de burlar os "cadeados" impostos pelo FBI e novos meios de compartilhamento de dados invadam nossos pc's. A verdade é que tais atos só prejudicam aos que querem baixar arquivos em sites confiáveis, sem temer contaminar suas máquinas com os temíveis vírus.

Não se pode parar uma onda em pleno oceano. Os downloads de arquivos são uma realidade e já fazem parte do nosso cotidiano e ignorar ou tentar barrar isto é no mínimo ingênuo. Criam-se barragens mas as águas ainda podem escoar pelos lençóis subterrâneos. É apenas mais um desafio, não se enganem. Esta briga está longe de ter se encerrado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Primavera Da Nossa Vida

Vejo a vida por estações. Da primavera de nossa mocidade à quietude do inverno da nossa jornada. Jovens sementes brotam na estação das flores. Necessitam de sol, água e afeição para frutificarem. Na primavera da nossa vida, somos belos, inocentes e gratos pela simples existência. Somos ainda isentos de ambições mas dotados de grandes sonhos. A vida nos passa sem que demos conta pois dela apenas desfrutamos sem nada exigir, sem metas nem prazos. Ao olharmos para trás, será de nossa primavera a lembrança mais doce de nossa existência, aquela da qual mais sentimos falta. Falta de quando eramos inocentes, puros e que da vida nada pedíamos senão apenas viver.

Nos chega o verão e com ele as grandes aventuras. A busca incessante por um lugar de destaque ao sol. A vida corre e nós seguimos estes passos acelerados. A existência não nos é o bastante. Ansiamos cada vez mais por aquilo que ainda não possuímos: carreira, família, estabilidade, etc. A cada objetivo conquistado, surge uma nova ambição. Somos insaciáveis, ávidos por conquistas. O céu parece-nos ser o limite, e até mesmo este é passível de ser superado uma vez alcançado. O sol nos queima e precisamos construir nossos alicerces para de seus efeitos danosos escapar.

Corremos tanto durante o verão que por vezes deixamos de notar que o outono nos vem chegando. Impiedoso, ele não se importa em roubar-nos a juventude e a beleza de nossas folhas, antes verdes e que agora começam a ressecar. Murcham as flores, caem as folhas secas. Nos damos conta de que a vida nos passou depressa demais. As perdas são inevitáveis e muitos são os que tentam se agarrar ao pouco daquele sol que nos resta. Outros sentem demasiadamente a nova estação e se perdem em lembranças do passado. Por fim as chuvas parecem lavar um pouco desse sentimento e seguimos olhando em frente. As ambições de outrora perdem lugar para um maior cuidado com o "eu". Preparamo-nos para a nossa última estação.

O inverno traz-nos serenidade. Voltamos ao início e alegramo-nos pela nossa existência. O branco da neve cobre-nos os cabelos. Teremos quem nos aqueça quando o frio se intensificar? As folhas e flores do nosso jardim foram plantadas. Nossos olhos cuidadosos fitam essa paisagem ainda adormecida. Ela será a continuação da nossa existência, a garantia de uma nova estação.

Adormecemos. Uma nova primavera nos cobre de flores, folhas e frutos. A vida se renova. Nossa alma se eleva para prestigiar novamente o milagre da existência humana.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cultura x Mídia: A Música das Massas

Uma publicação polêmica circula nas bancas e é amplamente divulgada nas redes sociais. Na referida publicação, a música das massas é legitimada como sendo cultura. Mais ainda, diz que o nossos valores estão traduzidos na letra da referida canção. Mas será que as canções midiáticas e massificadas podem ser consideradas cultura?

Que a mídia controla o pensamento e, muitas vezes, as atitudes das massas, isso não se discute. Porém a produção musical de mídia é, na maioria das vezes, produto de consumação rápida. O que toca nas rádios incessantemente de janeiro à março, desaparece por completo em novembro ou dezembro. Em sua maioria, essa produção é descartável e sem alicerce que a façam enraizar-se verdadeiramente como cultura.

Existem muitas definições para a palavra "cultura". Porém, vale ressaltar que a cultura é um dos elementos que se utiliza para classificar a identidade de um povo. Como pode a "cultura de massa" identificar um povo se a mesma não possui identidade definida? Ela é algo hoje e amanhã não é mais, torna-se outra coisa que não tem relação nenhuma com o que era anteriormente. Pelo menos não no quesito estético ou mesmo da forma. Assemelha-se apenas pela explosão mercadológica.

Não que o mercado tenha que obrigatoriamente estar dissociado da cultura. A arte e a cultura também podem ser consumidos enquanto produtos, mas nem tudo o que é produto será arte ou cultura.  Para que o produto seja artístico, precisa ter relevância no futuro. Para ser cultural, necessita imprimir ou traduzir alguma característica de identidade de um segmento populacional.

Seria possível um produto artístico e cultural ser consumido em larga escala? Sim tal possibilidade é verdadeira. Porém a velocidade da produção artístico/cultural é incompatível com o que deseja a mídia de consumo. Por esse motivo, os produtos que trazem rótulos e embalagens chamativas, por vezes apelativas, e cujas letras são de fácil memorização são mais comercializáveis. Exibidos à exaustão, serão substituídos logo que perderem sua força no mercado.

É necessário que se diferencie o que é cultura, arte e mídia. O que está em alta e faz sucesso não necessariamente se enquadrará nas duas primeiras. A arte e a cultura são eternas, porém o que é de mídia logo cai no esquecimento.