quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mais perto da igreja. Mais longe de Deus

Por todos os lados, vejo pregadores
Pessoas com Bíblias na mão e versículos decorados
Gente que se diz religiosa e prega belas coisas

Mas essas mesmas pessoas são as que amaldiçoam
As que se afastam do irmão em necessidade 
Porque a Bíblia é mais importante
Porque o templo é mais sagrado

E o irmão em necessidade?
Vira o pó no sapato
O ignorado
O esquecido

Jesus pregou no templo enquanto criança
Quando adulto, preferiu as ruas e montes
Preferiu estar ao lado de prostitutas e ladrões
Preferiu a companhia dos desvalidos aos velhos sacerdotes

Porque as igrejas são impregnadas de preconceitos
As igrejas não se aproximam dos irmãos
Elas são imóveis e esperam que nos cheguemos até elas
E tão imóveis quanto as construções de igrejas
Tornam-se os membros da mesma

Pessoas cheias de conceitos
Com belas, sábias e decoradas falas
Mas com pouca compaixão pelos exilados
Pelos derrotados
Pelos pecadores

Quanto mais perto da igreja estão os fiéis
Mais longe estão dos ensinamentos de Deus.
Porque Deus não criou os templos
Deus não está nos muros de pedra

Deus nao escreveu linhas para serem repetidas
Não deu lições para realizar provas
Deus não desceu para falar com as pessoas
As pessoas que cospem ensinamentos pela boca de Deus

E se Deus existe, existe apenas na compaixão
Existe dentro de mim e de você
E cada vez que você me agride ou eu agrido você
É a Deus que agredimos

A divindade não está no céu.
Está na terra
Está nas águas
São eles que nos nutrem
E nós os destruímos

Já estive em muitas igrejas
Já vi muitas denominações
Encontrei muitos cegos pelo caminho
E estes cegos pisam naqueles que não enxergam sua "luz"

Cansei de religiões
Cansei de velhas escrituras
Cansei de ver belos ritos nos muros de pedra
E pedras nos ritos do mundo

Talvez me afastando da igreja
Talvez me aproximando do meu irmão em necessidade 
Talvez aí eu encontre o verdadeiro Deus.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

As mil faces de mim

Dentro de mim mora uma e um milhão
Uma doce criatura que ama acolhe e cuida
Uma agressiva e revoltada mulher com fogo nos olhos
Uma estudiosa e compenetrada observadora

Dentro de mim mora uma e um milhão
Recatada e sensível
Fogosa e cruel
Ardente como fogo
Fria como gelo

Dentro de mim mora uma e um milhão
A amiga presente
A infame e eloquente
A doce seda
A áspera cortiça

Dentro de mim mora uma e um milhão
Aquela que se refugia no bom senso
Que segue os bons costumes
Mas que clama por ser livre das convenções
Que se despiria de toda hipocrisia humana se lhe fosse permitido

Sendo pele nua
Sendo natureza em Flor
Sendo o ID que o ego reprime
Leoa, tigresa, rugindo e provocando temor

Dentro de mim mora uma e um milhão
A fera sedenta de liberdade
A coruja que observa a realidade
A Flor que enfeita a paisagem
E a grama que apenas serve de pastagem

Um milhão de mim não cabem em um só corpo
Não suportam apenas uma existência
Não se conformam em serem uma só alma

Um milhão de mim
Cada uma desejosa de tomar o trono
Cada voz de comando que rodopiam no meu cérebro
"Faça isso"
"Não faça isso"
"Você vai se sentir melhor"
"Você vai se envergonhar de si"

Entre o "você é fraca" e o "você tudo pode"

Em mim mora uma e um milhão
E nesses milhões de mim, tento ser una
Unida nas mais contrastantes faces de mim

domingo, 4 de dezembro de 2016

A Fibromialgia e Eu: Relatos de Uma Vida de Luta e Dor

'Estava eu completando 9 anos de idade. Ainda uma criança típica do início dos anos 90, um mundo sem internet, sem smartphones e cuja diversão eram brincar de bonecas e assistir televisão. A informação era bem menor e mais lenta, mas éramos felizes assim.

Mas o destino quis apressar minha puberdade. A Menarca, os pelos e os seios e um corpo de moça numa cabeça de criança. E foi quando tudo começou.

Meses depois, dores pelo corpo. Principalmente articulações de joelhos e cotovelos. Demorar a levantar da cama se tornou hábito, pois as dores impediam. Dias frios pioravam tudo. Até que um dia, após assistir um filme na TV, o pânico toma conta. Tento levantar, mas não consigo. A dor é muito intensa. Tento me apoiar nos braços e forçar meu corpo a se erguer. A dor se espalha da palma das mãos até os ombros. Não consigo me levantar. Uma menina de 9 anos que não consegue se levantar da cadeira. Imagine o pavor...  "E se eu nunca mais conseguir andar?"

Quase chorando, acordo minha mãe que dormiu no chão, perto do sofá, enquanto assistíamos o filme. Digo que não consigo levantar. Estou com febre e dor. Chego na emergência ainda com as pernas dobradas e o provável diagnóstico é "Febre Reumática". Baterias de exame descartam essa hipótese. As dores vem em ondas. Uns dias maiores, uns dias menores.

Passam-se os anos. Faço jazz e ballet. As crises são menos intensas, mas ainda afligem. Consultas com ortopedistas, reumatologistas, idas às emergências, exames e mais exames. Febre Reumática, Reumatismo, Lúpus. São nomes e hipóteses. Todos descartados. No olhar dos médicos, descrença. Será que minha cabeça está inventando essas dores? Elas são bem reais para mim. Mas os médicos não parecem acreditar.

20 anos se passam na incerteza. A dor já é companheira. Aprendo que na crise, o melhor a fazer é enfaixar a parte dolorida. Usar emplastros, pomadas e sprays. Alguns até de uso veterinário. A chamada "pomada da vaca". Consultas até no centro espírita. Rendendo boas piadas de "joelho meteorologista", pois anuncia a chuva quando o céu parece limpo. "Tira a roupa do varal Ana. Vai chover." "Vai nada. O céu tá limpo." Minutos depois, "eu falei...".

Até que um dia, uma médica clinica me traz um nome. Essa médica é minha mãe. Chega com o nome da "nova doença que muita gente está aparecendo com ela". FIBROMIALGIA. Pela primeira vez em 20 anos, minha doença tem um nome. Não era invenção da minha cabeça. Não era loucura. Não era mentira. Existe e atinge principalmente mulheres.

Eu sei, não tem cura. Será minha companhia até o fim dos meus dias. Uns dias com mais e outros com menos dores. Mas ela não me domina. Não é dona de mim. Não irá me castrar jamais. Não deixo de trabalhar, não deixo de sair e me divertir. Não deixo que ela me vença. Hoje eu sei quem ela é. Estudei tudo sobre ela. Ela não me engana. Umas batalhas ela até vence. Mas meu espírito, ela não terá jamais.

Muitas pessoas sofrem hoje do mesmo mal. A Fibromialgia é uma das causas da ansiedade e depressão de muitas mulheres nos tempos atuais. Que ainda sofrem com a descrença e com a falta de um diagnóstico rápido. Muitas se aposentam. Muitas não tem qualidade de vida. Não há cura, nem tratamento específico. Tudo é apenas paliativo. 

O diagnóstico é feito por exclusão. As causas são indeterminadas. O tratamento consiste apenas em controlar os sintomas. Meu cérebro faz isso comigo. Ele me prega essa peça. Ele manda sinais de dor, através dos meus neurônios e nervos, diretamente para o meu corpo. E será para sempre assim.

É uma luta diária. Alguns dias, parece que vamos perder. Que não faz sentido lutar. Que ela é mais forte. Mas o Sol chega e aquece. E a dor diminui. Eu vejo o sorriso de uma criança e brinco com ela. E a dor está lá. Mas não importa. Ela não tira a minha felicidade naquele momento. Eu toco violão e canto, estudo guitarra. Todo o meu corpo dói. Mas o amor pela música me faz continuar. Mais uma vez, a Fibro (como eu costumo chamar) é derrotada. Pq eu não desisti.

Assim é a vida de uma pessoa com Fibromialgia. Já se passaram 25 anos. Que venham 30, 40, 50. Enquanto houver vida, viverei. E ela estará sempre ali. Minha luta não termina. Mas ela não me vencerá.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Hidra de Lerna: Porque eu não grito "Fora Temer"


A Hidra de Lerna é um monstro da mitologia grega. Dotada de um corpo de dragão e três cabeças de serpente, a Hidra era filha de Tifão e Equidna. Conta a lenda que, cortada uma de suas cabeças, nasciam duas no seu lugar. Matar a Hidra foi o segundo dos 12 trabalhos que a deusa Hera impôs à Hércules. Ao perceber que, em se cortando uma de suas cabeças nasciam duas em seu lugar, Hércules pediu que Jolau as queimasse com um tição logo após serem cortadas para que cicatrizassem no ato. Assim, lhe foi possível derrotar o monstro.


A Hidra era tão venenosa que apenas seu hálito era capaz de matar um homem. Após cortar e cauterizar cada cabeça, Hércules arrancou a última que era considerada imortal e a enterrou debaixo de uma grande pedra. Assim, matou o monstro definitivamente.

Assim como a mitologia grega, a política é formada de enormes monstros venenosos. Retirar um de seu cargo é como matar uma Hidra. Corta-se apenas a cabeça, porém nascem duas em seu lugar. O impeachment é uma ilusão. Pois não matamos o monstro da corrupção. Apenas recriamos mais 2 ou 3 corruptos no lugar.

A PEC proposta pelo governo federal é uma afronta à Constituição Federal, promulgada em 1988. Porém, a PEC apenas foi proposta por Temer e seus ministros. Quem votou e aprovou foi a câmara e o senado. Então retirar Temer vai extirpar o problema? Não acredito em tal afirmação.

Daqui a 2 anos, no mínimo metade dos deputados federais estará renovando o seu mandato. Também muitos dos senadores estarão sobrevivendo aos protestos. Por que Temer é o único que deve sair? Por que os Renans, Collors e afins continuam no poder? Quem realmente fala pelo povo?

O povo não sabe votar. Quando elegeram Dilma, deixaram que ela governasse sem base. Bem verdade que o povo já estava farto dos escândalos Petistas. Mas que solução tão absurda votar na candidata "menos ruim" e deixá-la sem aliados. Sem falar que quem votou em Dilma, votou em Temer. É bom refletir sobre os vices dos seus candidatos. Afinal, somos mortais. E quem assume nas viagens, nas ausências e numa eventual morte?


Corte a cabeça e veja que nascem duas em seu lugar. E daqui há 6, 8 ou 12 anos, veremos antigos inimigos juntando as mãos e firmando mais um reinado de hipocrisia. Porque é assim que se faz política neste país. Eu asseguro o meu. Eu dou um pouco aqui e ali para os pobres. Encho suas barrigas de pão e farinha para inchá-los, jogo música podre de graça nas praças, mas não convido-o para o grande banquete. Da pizza, apenas a borda seca. Do delicioso manjar, apenas taça para se lamber. Da bela safra de vinho, o vinagre.

Acreditamos mesmo que existe um salvador. E lhe damos a capa, o cetro e a coroa de louros. E ele está lá em cima do palco, do palanque, do altar. Acima de nós. Rico, fino, cheio de regalias. E nós continuamos pastando. E se daqui há 2 anos ele nos desagrada, gritamos FORA. E vem outro em seu lugar para perpetuar a nossa sina de gado.

Existe então cura para este mal? Sim. Hércules nos ensinou. Corte as cabeças, todas elas. Cauterize-as. Quando restar apenas a última cabeça, que não é imortal na realidade, corte-a e enterre-a debaixo da mais pesada pedra que encontrares. E o que significa toda essa fábula?

As cabeças são vereadores, deputados estaduais, federais e senadores. Corte-as e sobrará um presidente solitário. Um governo ingovernável. Um lobo solitário. Então sim, podemos gritar Fora Temer. Assim podemos realmente fazer a mudança. Mostrando que a força está no povo. E que os governantes devem trabalhar pelo povo e para o povo.

Pensemos...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Não pense em crise. Rebele-se!!!

A juventude brasileira tem sido apática há décadas. Traumatizada pela ditadura. Desesperançada pela corrupção. Torturada pelo consumismo. Cega pela falta de orientação educacional.
Mas como se formam líderes? Como se muda um país? Como se renova um sistema?

A juventude hoje confunde política com partidarismo. Se você defende "fulano", é porque luta contra "sicrano". Mas política e partidarismo não são sinônimos. Não adianta lutar contra a corrupção deste e defender a daquele. Não são siglas de partidos que formam uma sociedade justa. É a luta pelo bem comum. Comum, ou seja, que atinja a todos. Sem distinção do cor, credo ou classe social.

O Brasil está doente. Em fase terminal. Possui um câncer chamado corrupção, com metástases na hipocrisia. A corrupção do menor que "cola" na prova porque não estudou. Do jovem que frauda a carteira de identidade para comprar bebida, cigarro ou entrar numa boate. Do adulto que suborna o guarda para não levar multa. Do empresário que faz acordos bilionários com políticos para beneficiar sua empresa em licitações. Dos políticos que usurpam milhões da nação em benefício próprio.

E então a nação quebra. Vai para a UTI. A solução prevista é a quarentena do trabalhador. Quarentena de 20 anos. A geladeira econômica. A era glacial da educação, da saúde e das políticas públicas. E enquanto isso, os juízes não podem "se envergonhar" de pedir aumento. Porque é "justo" reajustar os milhões de acordo com a inflação. Mas não é justo ocupar escolas por uma educação de qualidade. Não é justo o professor universitário fazer greve por melhores salários. Não é justo que o povo se revolte pelos políticos terem tantos auxílios em cima de seus proventos já tão elevados.

Mas a política é partidarismo. Pois ontem quem era "cara pintada", hoje abraça aquele que lhe roubou. Ontem a jovem que bateu panela e foi às ruas, hoje paga uma fortuna para fraudar o ENEM. Ontem quem era o "pai dos pobres", hoje é réu. E como ficamos todos? E que lição nos foi dada? Salve-se quem puder. Se o barco virar, eu já tenho minha bóia. Cada um que procure a sua.

E os "homens de Deus" limpam seus cofres. Fecham seus templos. Se refugiam das bombas. E os fiéis são esmagados pelas ondas. São jogados contra as pedras. Afogam-se na desesperança.

Os demais são gado. Seguem pastando, ruminando. Seguindo o curso do rebanho. Sem se dar conta de que está pronto para o abate.

Esta é a juventude que criamos. Que seguem líderes cegamente. Que não percebem que estão sendo apenas uma engrenagem de um sistema viciado, doente, inerte. Em que se mudam as peças do xadrez. Mas o xeque-mate é sempre dos poderosos.

Não pense em crise, trabalhe. Trabalhe contra a injustiça. Trabalhe contra o conformismo. Trabalhe em favor da renovação. Trabalhe para que todos saibam que nós somos o poder deste país. Trabalhe duro para extirpar o câncer em sua raiz. Não apenas do grande corrupto. Mas de cada participante desta sociedade enferma.

Trabalhe, se ocupe. OCUPE!!!

Ocupe escolas e universidades. Ocupe a câmara. Ocupem as ruas. Ocupem as praças, palácios, esquinas. Se ocupem em lutar pelos seus direitos. De brigar pelos seus ideais. Se ocupem em formar novas mentes, voltadas ao trabalho, às artes, à educação. Se ocupem em lutar por um país justo para todos. Inclusivo. Próspero. Pacífico. Forte. Unido.

Somos todos uma mesma nação. Não podemos deixar que ela se dissolva em egocentrismos e partidarismos. Vamos lutar por um futuro digno para todos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A Flor Isabella

Num dia de Sol
Nasceu a Flor mais bela
Podia ser cravo, podia ser rosa
Podia Margarida ou Angélica
Mas o destino preferiu Isabella

Com sorriso maroto e face singela
Séria e pensativa
Como se fosse fazer uma "trela"
Explode num riso sincero
Que é característico só Dela

Colhe inocentemente flores no jardim
Sem perceber que fincou raizes no meu coração
Acaricia meus cabelos como um anjo
E perfuma minha vida como jasmim

Da seus primeiros passos na vida
Olha curiosamente o mundo
Enxerga com a inocência
Este universo tão obscuro

É a esperança que nasce
No jardim da vida e do meu coração
É a luz divina
Materializada em nossas mãos

Bela Isabella
Menina do meu coração
A tia te ama muito
Que chega a ser imensidão

Imensidão que não finda
Que cresce como gramíneo
E invade como orquídea
Fincando raizes
No fundo do coração

Minha Flor querida
Seja sempre Bella
Cresça como as altas palmeiras
Mas não perca o perfume nem o doce
Permaneça com esse sorriso maroto
Que tanto me alegra

Seja sempre a bela Flor
Que como perfume de rosas
Flutua no vento
Com um canto suave
Que sussurra "Isabella"

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Lágrimas

É tarde
Tarde para mudar o que fiz
Tarde para me conter
Tarde para chorar

À tarde, rego as plantas
Rego-as de lágrimas
Lágrimas solitárias
Lágrimas solidárias

Pela manhã, lágrimas se formaram em gotas
À tarde em rios
À noite em cachoeiras

Lágrimas e mais lágrimas
Regando as frontes e travesseiros
Cobrindo de rubor a face e os lábios
Tornando os olhos pesados e inchados

Quantas lágrimas cabem em mim?
Quantas cabem dentro de nós?
É um rio perene que não finda?
É fonte inesgotável este sofrer?

Oh, lágrimas minhas
Me façam desfazer-me junto a ti
Me torna água e me deixe escorrer pelos rios
Torne-me a Ariel de Andersen

Faz-me espuma
Na imensidão do mar azul