sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quando O FBI Fecha Uma Porta, Os Hackers Abrem Um Túnel

O livre compartilhamento de videos e música está sofrendo graves ameaças. Os protestos tomaram conta das redes sociais e sites do mundo inteiro. Toda essa agitação se deve à duas siglas: SOPA e PIPA. Duas propostas do congresso e senado norte-americanos que prometem dar fim às formas de "pirataria" às quais estamos todos tão habituados.

SOPA é a sigla de Stop Online Piracy Act e PIPA significa Protect IP Act. Ambas as propostas trazem a tônica da censura. Um retrocesso no que já foi conseguido no passado no que se refere a divulgação de conteúdo. Quem não se lembra das brigas homéricas de bandas contra o NAPSTER? Naquela época, baixar músicas online era visto como a pior forma de pirataria. Anos se passaram, milhares de sites e programas foram criados com os mesmos critérios, sejam eles gratuitos ou não, e o que se viu foi apenas uma mudança na velha ordem de divulgação de material.

Obviamente que as grandes indústrias estão em polvorosa com a facilidade em que hoje se consegue ter acesso aos materiais de áudio e vídeo via download. Fácil de entender, tomemos por exemplo a indústria fonográfica. No princípios os velhos discos de acetato eram vendidos em compactos que traziam apenas duas canções. O lado "A" trazia o "hit" que tocava nas rádios e o lado "B" trazia uma canção qualquer que podia ser muito boa ou muito ruim. Mas uma única canção não interessava muito e era terrível ocupar tanto espaço na prateleira com tantos mini discos. Então veio o LP, o cd, o mp3, etc. Os lucros foram diminuindo e o esforço para criar um produto que nos leve a desembolsar 30 ou 40 reais tem aumentado. Essa equação produto de qualidade x lucro tem deixado as empresas de cabelo em pé.


A briga contra os sites de compartilhamento ganhou um destaque especial depois que Megaupload foi fechado e seu fundador Kim Schimitz e outros 3 diretores da empresa foram presos. A revolta tomou conta das redes sociais, tais como o Twitter e já se pensam alternativas para compensar a perda. Não demorará até que os hackers criem novas formas de burlar os "cadeados" impostos pelo FBI e novos meios de compartilhamento de dados invadam nossos pc's. A verdade é que tais atos só prejudicam aos que querem baixar arquivos em sites confiáveis, sem temer contaminar suas máquinas com os temíveis vírus.

Não se pode parar uma onda em pleno oceano. Os downloads de arquivos são uma realidade e já fazem parte do nosso cotidiano e ignorar ou tentar barrar isto é no mínimo ingênuo. Criam-se barragens mas as águas ainda podem escoar pelos lençóis subterrâneos. É apenas mais um desafio, não se enganem. Esta briga está longe de ter se encerrado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Primavera Da Nossa Vida

Vejo a vida por estações. Da primavera de nossa mocidade à quietude do inverno da nossa jornada. Jovens sementes brotam na estação das flores. Necessitam de sol, água e afeição para frutificarem. Na primavera da nossa vida, somos belos, inocentes e gratos pela simples existência. Somos ainda isentos de ambições mas dotados de grandes sonhos. A vida nos passa sem que demos conta pois dela apenas desfrutamos sem nada exigir, sem metas nem prazos. Ao olharmos para trás, será de nossa primavera a lembrança mais doce de nossa existência, aquela da qual mais sentimos falta. Falta de quando eramos inocentes, puros e que da vida nada pedíamos senão apenas viver.

Nos chega o verão e com ele as grandes aventuras. A busca incessante por um lugar de destaque ao sol. A vida corre e nós seguimos estes passos acelerados. A existência não nos é o bastante. Ansiamos cada vez mais por aquilo que ainda não possuímos: carreira, família, estabilidade, etc. A cada objetivo conquistado, surge uma nova ambição. Somos insaciáveis, ávidos por conquistas. O céu parece-nos ser o limite, e até mesmo este é passível de ser superado uma vez alcançado. O sol nos queima e precisamos construir nossos alicerces para de seus efeitos danosos escapar.

Corremos tanto durante o verão que por vezes deixamos de notar que o outono nos vem chegando. Impiedoso, ele não se importa em roubar-nos a juventude e a beleza de nossas folhas, antes verdes e que agora começam a ressecar. Murcham as flores, caem as folhas secas. Nos damos conta de que a vida nos passou depressa demais. As perdas são inevitáveis e muitos são os que tentam se agarrar ao pouco daquele sol que nos resta. Outros sentem demasiadamente a nova estação e se perdem em lembranças do passado. Por fim as chuvas parecem lavar um pouco desse sentimento e seguimos olhando em frente. As ambições de outrora perdem lugar para um maior cuidado com o "eu". Preparamo-nos para a nossa última estação.

O inverno traz-nos serenidade. Voltamos ao início e alegramo-nos pela nossa existência. O branco da neve cobre-nos os cabelos. Teremos quem nos aqueça quando o frio se intensificar? As folhas e flores do nosso jardim foram plantadas. Nossos olhos cuidadosos fitam essa paisagem ainda adormecida. Ela será a continuação da nossa existência, a garantia de uma nova estação.

Adormecemos. Uma nova primavera nos cobre de flores, folhas e frutos. A vida se renova. Nossa alma se eleva para prestigiar novamente o milagre da existência humana.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cultura x Mídia: A Música das Massas

Uma publicação polêmica circula nas bancas e é amplamente divulgada nas redes sociais. Na referida publicação, a música das massas é legitimada como sendo cultura. Mais ainda, diz que o nossos valores estão traduzidos na letra da referida canção. Mas será que as canções midiáticas e massificadas podem ser consideradas cultura?

Que a mídia controla o pensamento e, muitas vezes, as atitudes das massas, isso não se discute. Porém a produção musical de mídia é, na maioria das vezes, produto de consumação rápida. O que toca nas rádios incessantemente de janeiro à março, desaparece por completo em novembro ou dezembro. Em sua maioria, essa produção é descartável e sem alicerce que a façam enraizar-se verdadeiramente como cultura.

Existem muitas definições para a palavra "cultura". Porém, vale ressaltar que a cultura é um dos elementos que se utiliza para classificar a identidade de um povo. Como pode a "cultura de massa" identificar um povo se a mesma não possui identidade definida? Ela é algo hoje e amanhã não é mais, torna-se outra coisa que não tem relação nenhuma com o que era anteriormente. Pelo menos não no quesito estético ou mesmo da forma. Assemelha-se apenas pela explosão mercadológica.

Não que o mercado tenha que obrigatoriamente estar dissociado da cultura. A arte e a cultura também podem ser consumidos enquanto produtos, mas nem tudo o que é produto será arte ou cultura.  Para que o produto seja artístico, precisa ter relevância no futuro. Para ser cultural, necessita imprimir ou traduzir alguma característica de identidade de um segmento populacional.

Seria possível um produto artístico e cultural ser consumido em larga escala? Sim tal possibilidade é verdadeira. Porém a velocidade da produção artístico/cultural é incompatível com o que deseja a mídia de consumo. Por esse motivo, os produtos que trazem rótulos e embalagens chamativas, por vezes apelativas, e cujas letras são de fácil memorização são mais comercializáveis. Exibidos à exaustão, serão substituídos logo que perderem sua força no mercado.

É necessário que se diferencie o que é cultura, arte e mídia. O que está em alta e faz sucesso não necessariamente se enquadrará nas duas primeiras. A arte e a cultura são eternas, porém o que é de mídia logo cai no esquecimento.