quarta-feira, 6 de junho de 2012

Professores de Música, Rebelai-vos!!!

Quanto vale uma formação universitária? Ou ainda, quanto vale o estudo? No Brasil, pelo visto, a apreensão de conhecimento não quer dizer muita coisa. Afinal, como explicar que profissionais qualificados para a função de professores de música estão sendo trocados por outros profissionais com conhecimento apenas supérfluo?

O que era temido, já está acontecendo. A lei que obriga as escolas a terem a música como disciplina obrigatória dos currículos não parece ser suficiente para garantir que os profissionais desta área possam estar ingressando neste meio. Ao contrário, vemos cada dia mais crescer a quantidade de capacitações e micro cursos preparatórios para dar aos professores de outras disciplinas condições mínimas de ensinar música nas escolas. Mas 72 horas, ou duas semanas, ou mesmo 3 meses não são suficientes para que pessoas sem o menor contato com a disciplina música se apropriem sequer dos elementos básicos que fundamentam o ensino musical.

Uma capacitação é, na verdade, uma reciclagem, um aprimoramento de conhecimentos. É improvável que neste ínfimo período de tempo sejam abordados todos os temas básicos que constituem o estudo da música. Ainda mais improvável é que estes profissionais apropriem-se destes conhecimentos de forma tão intensa que lhes seja possível discorrer facilmente sobre estes e que lhes seja capaz de repassá-los com segurança.

Alguns argumentarão que estão sendo capacitados professores de arte, sendo a música uma das linguagens deste tema. Mas cada uma destas linguagens é única. Não cabe a mim, enquanto professora de música, ensinar teatro se não tenho propriedade para discorrer sobre o tema. Seria como se eu pedisse que um cirurgião ortopedista realizasse um transplante cardíaco, alegando que o mesmo possui formação em medicina. Porém, menisco e coração são áreas distintas e cada profissional especialista tem sua função na área médica.

A música nas escolas pode estar no caminho da mera recreação. Os conteúdos serão minimizados ou, em piores casos, inexistirão. O fazer musical pode ficar restrito a formação de pequeninos grupos corais, os quais entoarão musiquinhas simples em festinhas escolares, e que não terão nenhuma preocupação com a técnica vocal ou com elementos rítmicos, melódicos, harmônicos, estéticos, históricos, etc.

Me admira, acima de tudo, que profissionais de música estejam envolvidos nestes programas paliativos. É como dar um tiro no próprio pé. É não ter a menor noção de respeito e reconhecimento da própria formação. É ainda falta de coleguismo. É não ter princípios, a não ser comerciais. Pensar no que se ganha financeiramente com esta iniciativa, sem avaliar o quanto se perde ao enfraquecer a própria classe.

Estes são momentos em que devemos unir forças, mostrar quem somos e lutar pela garantia dos nossos direitos. Lutar pelo reconhecimento dos anos que dedicamos a não apenas obter conhecimento, mas também pelo tempo e dinheiro que gastamos para nos profissionalizarmos e nos especializarmos. Investimos num futuro que agora nos é tirado de forma brusca. Aos que desejam assumir o cargo de professores de música, sugiro que façam como nós, estudem música, façam cursos, ingressem no ensino superior, batalhem para tornarem-se aptos para a função. De outra forma não será justo, não será direito.

Rebelai-vos todos. É nosso dever, nosso direito conquistado pelo suor de nossas faces. Se agora nos calamos, amanhã seremos reféns do nosso próprio silêncio. Sem voz, sem ação, sem direito, sem respeito.

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